Tecnologia flex chega em breve ao motor de caminhões e ônibus

Tecnologia flex chega em breve ao motor de caminhões e ônibus

São Paulo, 4.1.06 – Fabricantes de autopeças aceleram projetos de desenvolvimento do motor bicombustível para caminhões e ônibus, que poderão rodar com diesel ou gás natural. A idéia é ter a tecnologia disponível já nesse ano, para participar do programa de substituição da frota de ônibus urbanos que circula pela capital e cidades do interior de São Paulo. Criado pelo governo do Estado, o programa prevê a troca do uso do diesel pelo gás em 33 mil ônibus que percorrem rotas como Campinas, São José dos Campos, Baixada Santista e Grande São Paulo.
A Delphi projetava o lançamento comercial do motor flexível para veículos pesados no fim de 2006, mas pode apressar os planos porque sua concorrente Bosch também está desenvolvendo a tecnologia. As duas empresas de autopeças, junto com a Magneti Marelli e a Siemens, são detentoras da tecnologia no segmento de automóveis. Modelos bicombustíveis responderam em dezembro por 71% das vendas de carros novos.
De acordo com o gerente de Projetos Especiais da Delphi, Vicente Pimenta, o sistema para caminhões inclui o desenvolvimento de cilindros de gás mais leves, de fibra de carbono e alumínio, para facilitar o transporte. Os cilindros deverão ser encaixados no chassi dos veículos. Para os ônibus, estuda-se utilizar parte do bagageiro.
Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, o governo está assinando protocolos com empresas e municípios para iniciar a substituição dos ônibus e diesel por modelos a gás. Para incentivar as empresas, o governo vai reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de veículos novos e garantir o fornecimento do gás por preço equivalente a no máximo 55% do valor do diesel.
Montadoras brasileiras, como a Mercedes-Benz, já dispõem de ônibus movidos a gás, mas as empresas de transporte reclamam que, no momento da substituição da frota, que ocorre a cada seis anos, a revenda é difícil porque nem todas as regiões do País têm rede de abastecimento do combustível. A tecnologia bicombustível acaba com esse problema, pois o usuário pode utilizar diesel quando não houver gás disponível.
Meirelles assinou protocolo para o programa de substituição da frota de ônibus a diesel por modelos a gás com o Sindicato Nacional dos Fabricantes de Autopeças (Sindipeças). A entidade vai acompanhar o projeto para evitar conversões indevidas de motores, a exemplo do que ocorre atualmente com automóveis. “A conversão irregular gera mais emissão de poluentes e riscos de segurança”, diz Besaliel Botelho, vice-presidente da Bosch e conselheiro do Sindipeças.
O governo estadual também assinou protocolo com a Petrobrás, que se comprometeu em acelerar obras de exploração da bacia de gás em Santos. Nos últimos meses, Meirelles tem visitado os municípios por onde circula a frota de 33 mil ônibus que deverão ser substituídos para discutir como será o processo de substituição.

O Estado de S. Paulo

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