São Paulo, 18.3.09 – O acompanhamento do desempenho do setor de transporte rodoviário de carga, pelo Decope da NTC&Logística, por meio de indicadores de crescimento, completou um ano de atividade.
Os resultados indicam que 2008 foi um ano relativamente bom (crescimento de 4,9%), mas ao mesmo tempo trazem muita preocupação, pois o quarto trimestre encerrou-se com queda de 3,7% frente ao trimestre anterior.
Método da pesquisa
A análise é feita de forma indireta, por meio de índices de setores que têm ligação com o TRC. Dentre os setores pesquisados, foram selecionados nove índices de interesse (quadro 1).
Quadro 1- Indicadores utilizados
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Índices |
Periodicidade |
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Arrecadação de ICMS SP |
Trimestral |
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Movimento Rodovias Pedagiadas |
Mensal |
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DieselMensalProdução Industrial |
Mensal |
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Produção Agrícola |
Mensal |
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Energia Elétrica |
Mensal |
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Produção de Caminhões |
Mensal |
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lVenda de Caminhões-RENAVAM |
Mensal |
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Venda de Implementos-ANFIR |
Mensal |
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Os índices relacionados foram assim classificados:
• Forte ligação com a movimentação de carga rodoviária
Por ter como base o valor do frete da carga movimentada, a arrecadação de ICMS do setor de transporte de carga no estado de São Paulo, juntamente com a venda de diesel pelas distribuidoras e o fluxo de veículos pesados nas rodovias, medido pela passagem nos praças de pedágios das principais rodovias brasileiras, foram considerados os índices com mais relação com o TRC. Constituem, portanto, a base deste indicador.
• Média ligação com a movimentação de carga rodoviária
Com importância relativa na escala de ligação com o serviço de transporte rodoviário de carga, situam-se as produções industriais e agrícolas e o consumo de energia elétrica. Estes indicadores explicam o comportamento da atividade econômica, pois só se transporta o que se produz e quase tudo que é produzido usa, de alguma forma, energia elétrica.
• Fraca ligação com a movimentação de carga rodoviária
São indicadores que, apesar de não estarem ligados à movimentação de carga, estão relacionados com o setor sob outros aspectos. Participam desta categoria os indicadores de produção e venda da principal ferramenta utilizada na prestação de serviço de transporte: os caminhões.
Arrecadação de ICMS
Fornecido trimestralmente pela Secretaria da Receita do Estado de São Paulo, este índice mede a arrecadação de ICMS no setor de transporte de carga, separada por atividade, de acordo com o código CNAE. Os dados referem-se somente ao recolhimento da parcela principal do ICMS, não incluídos valores referentes a multas ou correções por atraso. São pesquisadas as seguintes rubricas:
4930-2/01 – Lotação – TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA, EXCETO PRODUTOS PERIGOSOS E MUDANÇAS, MUNICIPAL
4930-2/02 – Distribuição/Fracionado – TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA, EXCETO PRODUTOS PERIGOSOS E MUDANÇAS, INTERMUNICIPAL, INTERESTADUAL E INTERNACIONAL
4930-2/03 – Produtos Perigosos – TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PRODUTOS PERIGOSOS
4930-2/04 – Mudanças – TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE MUDANÇAS
A base de dados deste índice (100) é o primeiro trimestre de 2006. Nos dois primeiros trimestres de 2008, os índices vinham crescendo significativamente (25,5% no primeiro trimestre e 6,3% no segundo), se comparados ao mesmo período de 2007. A exceção foi o transporte de mudanças, que caiu bastante neste período. A queda chegou 47,1% no segundo trimestre de 2008.
Infelizmente, não foi possível realizar a análise nos dois últimos trimestres do ano, devido à mudança do regime de tributação (fim da substituição tributária). Como boa parte dos tributos que eram recolhidos pelo embarcador passaram a ser pagos diretamente pelo transportador, a arrecadação subiu muito. A mudança de regime invalida qualquer comparação. A utilização de dados homogêneos só será possível na avaliação do primeiro trimestre de 2009.
Venda de diesel
As vendas de diesel pelas distribuidoras diminuíram 5,2% no quarto trimestre de 2008. Entretanto, houve aumento de 2,4% quando comparamos com o mesmo trimestre de 2007. Quando se considera o ano como um todo, a elevação foi de 7,7%. Isso representou vendas da ordem de 44,7 milhões de metros cúbicos no ano, superando o consumo total do ano anterior em 3,2 milhões de metros cúbicos.
Movimento nos pedágios
O movimento de caminhões nas praças de pedágios, segundo a ABCR, fechou o ano de 2008 com crescimento de 2,4% , mesmo experimentando grande diminuição relativamente no quarto trimestre do ano (5,6%). Embora este índice seja composto somente pelo fluxo de veículos nas rodovias concedidas, esta é uma amostra significativa, por se tratar das rodovias de maior tráfego do país.
Entre os índices classificados como de média ligação com o setor, a produção agrícola foi o destaque positivo de 2008 com crescimento de 6,6% no trimestre. O consumo de energia elétrica da indústria e do comércio teve crescimento de 5,3% no ano, desempenho que também foi prejudicado pelo fraco crescimento do quarto trimestre ( apenas 0,5%). O fator negativo ficou por conta da produção industrial ( -6,0%).
Índices com fraca ligação
Os índices dos setores ligados fracamente ao segmento de transporte tiveram desempenho excepcional em 2008, com crescimento médio de 24,5% . Entretanto, este resultado poderia ter sido bem melhor se os números do quarto trimestre não tivessem sido tão ruins, quando comparados aos dos trimestres anteriores do ano – média de –23,0%. As vendas de caminhões chegaram a sofrer queda de 25,2% no período. Para efeito de análise foi atribuído um peso para cada um dos índices selecionados de acordo com a sua relação com a movimentação de carga rodoviária (quadro 2):
Quadro 2 – Pesos de cada setor
Forte ligação com a movimentação de carga rodoviária 5,0
Média ligação com a movimentação de carga rodoviária 2,0
Fraca ligação com a movimentação de carga rodoviária 0,5
Aplicados estes pesos, conclui-se que o setor de transporte rodoviário de cargas teve crescimento médio de 4,9% no ano de 2008. Este percentual refere-se a uma fatia do PIB que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima em 4,7% e o mercado financeiro, em 4,49%.
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O autor é engenheiro civil – Transportes pela FEI, pós-graduado em Administração de Empresas
pela ESAN, mestre em administração pelo IMES e assessor técnico da NTC&Logística