BR-470: travessia de risco

BR-470: travessia de risco

Blumenau, 15.6.09 – Escondidas debaixo das estruturas de cimento, manchas esbranquiçadas indicam problemas de infiltração. Um olhar mais atento percebe armaduras expostas e corroídas pelo tempo. As 18 pontes no trecho da BR-470 entre Rio do Sul e Blumenau, no Vale do Itajaí, sofrem com a falta de manutenção.
A constatação é do coordenador do Centro de Estudos de Manutenção da Infraestrutura Civil da Univali e doutor em Engenharia Estrutural, Andriei Beber. A convite da reportagem e com a indicação do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), ele percorreu 90 quilômetros da rodovia e alertou para o problema.
De todas as estruturas vistoriadas, quatro estão ruins e as demais, em situação regular. Nenhuma está em boas condições.
A interdição da ponte sobre o Rio Hercílio, em Ibirama, dia 29 de maio, depois do rompimento de uma das sapatas de sustentação, trouxe à tona a preocupação. Para o engenheiro, não basta consertar as deficiências.
Beber defende a necessidade de detectar as razões do problema e lembra que a maioria das obras estruturais na região surgiu há 30 ou 40 anos e não foram conservadas.
– Tem-se a sensação de que as estruturas são perenes. Há fortes indícios de que não houve preocupação com a conservação. Não tenho dúvidas de que a interdição em Ibirama poderia ter sido evitada – conclui.
Os problemas mais visíveis nas estruturas vistoriadas são ferragens oxidadas, infiltrações, rachaduras e acúmulo de sujeira na pista. Em alguns casos, o desleixo com a manutenção fica evidente com a vegetação que cresce em meio à estrutura, como no caso da ponte sobre o Rio Itajaí-Açu, em Ascurra.
O engenheiro destaca que não há motivos para alarde, mas a situação requer a implantação urgente de uma política de manutenção para impedir o surgimento de problemas que coloquem em risco as estruturas e exijam uma intervenção.

Contraponto
O que diz o coordenador do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Rio do Sul, Elifas Marques:
Segundo Marques, a entidade só se manifestará sobre os problemas apontados a partir de um documento oficial detalhando a situação.
– Não posso me manifestar sem algo concreto em mãos. Garanto que a manutenção nas pontes é periódica. Na última inspeção que fizemos, em setembro do ano passado, não detectamos nenhum problema estrutural nas pontes – concluiu.
A reportagem tentou falar com o coordenador estadual da entidade, João José dos Santos, mas não obteve retorno.

Balanças são fundamentais

A falta de fiscalização e controle de peso na BR-470 entre Blumenau e o Alto Vale, por meio de balanças, é criticada pelo engenheiro e coordenador do Centro de Estudos de Manutenção da Infraestrutura Civil da Univali, Andriei Beber.
Segundo ele, a rodovia não acompanhou a evolução da indústria automobilística nem o aumento da capacidade de carga dos caminhões.
– As rodovias são a espinha dorsal da economia do país. Quantas pessoas serão afetadas com a interdição da ponte de Ibirama? Falta um controle estatístico sobre a quantidade de carga que passa pela BR-470 – argumenta.
O inspetor chefe da 4ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal de Rio do Sul, Manoel Fernandes Bitencourt, lembra que nunca houve balanças oficiais para o controle de peso. No passado, a PRF usou a balança da Receita Estadual, no posto fiscal de Apiúna. Mas com a desativação da unidade, o monitoramento deixou de ser feito.
– O excesso de peso contribui para o desgaste das pontes. Se tivesse controle, elas aguentariam mais – avalia Bitencourt.
Fonte: Diário Catarinense

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