Florianópolis, 30.6.09 – O avanço da gripe A na Argentina e no Chile mobilizou a Federação das Empresas de Transporte do Estado (Fetrancesc) para ampliar ações preventivas a motoristas que fazem o transporte de carga a estes países.
Na aduana de Dionísio Cerqueira estão sendo distribuídas máscaras e folhetos informativos. Segundo Pedro Lopes, presidente da entidade, este mesmo procedimento é recomendado às empresas que atuam nestes países. O tráfego de entrada e saída, em SC e no RS, envolve 11 mil caminhões/mês. Fonte: Estela Benetti/Informe Economico/DC.
Anvisa diz que fronteira com Argentina gera preocupação
O intenso fluxo de caminhões entre Brasil e Argentina, especialmente nas cidades de Dionísio Cerqueira e Bernardo de Irigoyen, é a maior preocupação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em Santa Catarina na questão do vírus da gripe A. A revelação é de Telesmagno Teles, coordenador da Anvisa no Estado.
Medidas de precaução vinham sendo tomadas, mas a preocupação aumentou a partir da morte de um caminhoneiro da cidade gaúcha de Erechim. Vanderlei Vial, 29 anos, apresentou os primeiros sintomas durante uma viagem para a Argentina. O sepultamento foi ontem.
Em Santa Catarina, até ontem, eram 46 os casos da gripe A confirmados. O único óbito confirmado no país é o do caminhoneiro gaúcho.
Equipes da Anvisa na fronteira continuam a entregar folhetos e a conversar com os motoristas que chegam dos países do Mercosul. Todos são orientados a buscar uma unidade de saúde diante de sintomas da gripe A (que se assemelha aos da gripe comum). Em Dionísio Cerqueira, existe sala de isolamento, onde também é feita a declaração do viajante.
Campanha em todo o país vai focar usuários de ônibus
Ontem, o Ministério da Saúde registrava um total de 625 casos confirmados da doença no Brasil. Esses casos são o resultado acumulado desde os primeiros registros de infecção no Brasil, em 8 de maio. A quase totalidade desses pacientes já recebeu alta ou está em processo de recuperação.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), Estados Unidos, México, Canadá, Austrália, Chile, Argentina e Reino Unido são considerados os países com transmissão sustentada (dentro do país).
O Ministério da Saúde alerta que não há proibição nem restrição de trânsito de pessoas entre o Brasil e esses países. A recomendação é uma medida adicional de prevenção, tendo como base critérios epidemiológicos e o aumento, com a proximidade das férias de inverno, da circulação de turistas brasileiros em países com transmissão sustentada da doença.
Assim como nos aeroportos, a partir dos próximos dias passageiros que utilizam o transporte de ônibus começam a ser alvo de campanhas sobre o vírus.
CDs com mensagens sobre as formas de contaminação e tratamento serão distribuídas para todas as rodoviárias do país. Pela proximidade com os países do Mercosul, os estados do Sul serão os primeiros a receber o material.
O infectologista Luis Antônio Silva, diretor de vigilância epidemiológica em Santa Catarina, reconhece que o inverno favorece a transmissão pelo fato de as pessoas ficaram em locais mais fechados. Mas ele alerta que as medidas preventivas devem ocorrer até o mês de dezembro, período em que os turistas começam a chegar, mas já com as temperaturas mais elevadas.
– Acontece que, em países da Europa, Estados Unidos e Canadá, onde é verão, os índices continuam crescendo – observou.
Ordem é usar máscara na aduana
O uso de máscaras já é comum na aduana de cargas de Dionísio Cerqueira, no Oeste do Estado, na fronteira com a cidade argentina de Bernardo de Irigoyen.
A medida foi adotada na semana passada por funcionários dos órgãos de fiscalização, despachantes aduaneiros e vigilantes.
De acordo com o chefe da Inspetoria da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, Arnaldo Borteze, o uso do acessório é necessário por causa do aumento do número de casos na Argentina e no Chile.
Diariamente, entre 90 e 95 caminhões passam pela aduana, muitos provenientes dos dois países do Mercosul.
Borteze disse que os motoristas também começaram a utilizar as máscaras.
Turistas devem assinar declaração de viajante
Na sexta-feira passada, funcionários da Anvisa fizeram uma distribuição de máscaras para motoristas. As empresas de transporte também começaram a fornecer kits de proteção. Quem chega dos países vizinhos tem que assinar uma declaração de saúde do viajante. Também há uma sala reservada para entrevista em caso de suspeita.
Na aduana de turismo não estão sendo usadas máscaras porque o fluxo no local é mais regional. Diariamente, passam entre mil e 1,5 mil veículos pela aduana.
A Anvisa deve deslocar funcionários para o posto. Com isso, os turistas provenientes das áreas de risco serão abordados e terão que assinar a declaração de saúde do viajante.
| Fique por dentro |
| Por que o Ministério da Saúde decidiu dispensar o exame e determinar que a constatação do contato com infectados é suficiente para a confirmação de casos? |
| Para agilizar o tratamento e tornar mais eficaz o controle à transmissão do vírus. Até então, era preciso esperar o resultado do exame laboratorial para se ter a confirmação de cada caso e, assim, reforçar os cuidados – embora medidas preventivas já fossem adotadas antes mesmo da comprovação. |
| Quais são as implicações dessa nova definição para a política brasileira de gestão da epidemia? |
| A estratégia adotada do Ministério da Saúde continua a mesma. A única diferença é que, com isso, a reação ao vírus teoricamente fica mais ágil. |
| Ao voltar de uma viagem a um país de risco, preciso ficar de quarentena e me isolar da família? |
| A primeira atitude a tomar é procurar atendimento médico para se diagnosticar a doença. Caberá ao médico responsável definir se o paciente deve ser isolado ou não. |
| A partir de que sinais, após voltar de um país de risco, devo ir ao posto de saúde? |
| Os sinais mais importantes são febre alta (acima de 38°C) e sintomas respiratórios (como tosse e espirros). Se você acaba de voltar de um país onde circula o vírus e apresenta esse quadro, aliado a dores no corpo e de cabeça, procure atendimento médico. |
| Tenho sintomas de gripe. Como saber se é um caso suspeito do tipo A? |
| Apenas se houver febre alta repentina (maior que 38°C) e tosse, podendo estar acompanhadas de dor de cabeça, dores musculares e nas articulações e dificuldade respiratória. Além disso, o doente deve ter apresentado esses sintomas até 10 dias após sair de países que reportaram casos da influenza A ou ter entrado em contato próximo com uma pessoa suspeita de infecção (como alguém que esteve em uma região afetada e apresentou os sintomas até 10 dias depois). |
| Se suspeitar da gripe A, devo procurar um posto de saúde ou um dos hospitais de referência? |
| Procure a unidade de saúde mais próxima, onde será examinado. Se houver suspeita de contaminação pela gripe A, poderá ser encaminhado a um hospital de referência. |
| Devo tomar remédios preventivamente, mesmo sem apresentar os sintomas? |
| A orientação do Ministério da Saúde é para que ninguém tome medicamento sem indicação médica. |
Fonte: Diário Catarinense