Florianópolis, 11.5.09 – Quando os catarinenses viajam de carro particular para províncias da Argentina, entrando pela fronteira do Extremo-Oeste, ou pelo Uruguai, via Rio Grande do Sul, encontram problemas inimagináveis. As rodovias são excelentes, se comparadas com muitas federais brasileiras. Mas a cobrança de propinas é um abuso. Há cidades em que os policiais exigem dois triângulos e dois estepes. É uma forma de pressão para a obtenção de vantagem financeira. Há outros que impõem sinalização diferenciada. Outra maneira de acionar o propinoduto.
Os motoristas de caminhão vivem situação pior, mais dramática. Durante o período de inverno, submetem-se a arriscadas viagens pela Cordilheira dos Andes. Como a aduana fica no meio da cordilheira, tem-se um balanço trágico. Só no ano passado, morreram congelados ou em função do frio rigoroso 27 motoristas. Mais de uma centena ficaram com graves sequelas. O problema tem solução fácil. Basta vontade política para transferir a fiscalização aduaneira a uma área mais protegida. Em relação a este cenário desafiador, o presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, tem registros ainda mais dramáticos. Na cordilheira e na fronteira de Santa Catarina com a Argentina, onde a burocracia impõe sacrifícios inaceitáveis aos motoristas, em esperas irritantes que os têm levado, literalmente, à loucura.
Estes e outros dilemas existentes nos países do Cone Sul serão debatidos, a partir de hoje, no encontro da União dos Parlamentares Sul-Americanos e do Mercosul, no CentroSul, em Florianópolis. Relatos que foram repassados, antes da instalação solene do evento, pelo próprio presidente do congresso, deputado catarinense Elizeu Mattos (PMDB), líder do bloco brasileiro na União.
Segurança
Os mais de cem parlamentares regionais que se encontram, desde ontem, em Santa Catarina discutirão outro tema que, segundo Mattos, poderá dar mais segurança às milhares de famílias que viajam para os países da América do Sul, especialmente Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai, os mais próximos, embora também os venezuelanos e os bolivianos estejam presentes na reunião.
Uma delas terá a chancela da Unimed, a maior cooperativa médica do Brasil, e que deverá propor um mecanismo de cooperação entre as instituições do gênero em vários países. A ideia é simples: os turistas brasileiros, protegidos pela Unimed, teriam assistência idêntica quando viajassem para os países do Cone Sul. Reciprocamente, os estrangeiros passariam a desfrutar da mesma assistência quando viessem com as famílias para Santa Catarina e para outros estados brasileiros.
A uniformização mínima da legislação do trânsito nestes países também será abordada. Já existem sugestões, por exemplo, para que as multas aplicadas na Argentina sejam pagas no Brasil e que os gringos infratores em solo brasileiro tenham a cobrança na Argentina.
Os presidentes das duas principais associações nacionais de transportes de carga já se encontram em Florianópolis. Trazem relatos contundentes sobre as dificuldades de viagens em direção ao Chile, cortando a Cordilheira dos Andes.
A delegação do Paraguai chegou disposta a defender uma alternativa dos corredores bioceânicos também por aquele país.
Outros dois pontos de interesse da região continental: a eliminação de barreiras para melhorar a balança comercial e a criação de novos mecanismos para facilitar o incremento das relações culturais entre os países.
Fonte: Moacir Pereira/Diário Catarinense