Duplicação a passos lentos

Duplicação a passos lentos

Palhoça, 4.5.09 – Trafegar pelo trecho Sul da BR-101, além de exigir paciência e atenção redobrada dos motoristas que precisam se concentrar com os buracos e falta de acostamento, é desanimador. O cenário ao longo dos 248,5 quilômetros é de obras paradas e número insuficiente de trabalhadores.
Se as obras de duplicação continuarem no mesmo ritmo de trabalho, talvez, em 2015 as pistas da rodovia estejam concluídas. Isso porque desde o início do projeto, em 2005, apenas 40,6% (101 quilômetros) da rodovia estão liberados para os motoristas. Seguindo esta média, cerca de 500 metros ficam prontos por semana – ou apenas dois quilômetros por mês.
Desde o início das obras, em 2005, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) adiou a data de conclusão da duplicação três vezes. Com exceção das chamadas obras especiais, cujas finalizações estão estimadas para 2012, a nova previsão é que apenas 80% das pistas da rodovia estejam prontas até o final do ano. As dificuldades financeiras enfrentadas por duas construtoras estão entre os motivos do atraso, e o novo prazo agora é o primeiro semestre de 2010.
As obras do lote 25, por exemplo, foram interrompidas em dezembro passado. Segundo o superintendente do DNIT em Santa Catarina, João José dos Santos, problemas internos na tributação do Consórcio Blokos/Araguaia/Emparsanco, que responde pelo trecho de Laguna, obrigaram a paralisação dos trabalhos. No local, apenas um terço das pistas foi entregue.
– Estamos fazendo um esforço para a empresa manter o contrato, porque uma nova licitação só adiaria ainda mais a conclusão do trabalho, como já aconteceu nos lotes 22 e 29. Por isso demos um novo prazo, até este mês, para os trabalhadores voltarem à rodovia – explicou João José dos Santos.
No ano passado, a empresa responsável pelo trabalho no lote 29 foi desligada da obra porque não conseguiu cumprir os cronogramas estipulados pelo DNIT. Com isso, a duplicação entre os municípios de Araranguá e Sombrio parou por um ano. No local, nenhum quilômetro duplicado foi entregue até o momento.
Mas, a recente troca de empresa não resolveu o problema do lote 29. A construtora Triunfo, que é a nova encarregada pelos projetos em Araranguá e Sombrio e responde também pelo trabalhos no lote 26, que engloba os municípios de Capivari de Baixo, Tubarão, Treze de Maio e Jaguaruna, também enfrenta dificuldades financeiras.
– Tem muita gente com férias atrasadas. Eu só recebi as minhas com três semanas de atraso – reclamou o servente Diego Monteiro, 25 anos.
Em decorrência da situação, a empresa já recebeu uma notificação do Ministério do Trabalho e agora passou a operar com uma política de redução de horas extras.
– Em um primeiro momento estipulamos um cronograma ousado de finalização das obras. A realidade agora é que a iniciativa privada está encontrando dificuldades até para conseguir equipamentos e material. Isso porque as empresas não estão dando conta do volume de pedidos – admitiu o superintendente do DNIT.
O operador de máquinas André Vitor Jerônimo, de 28 anos, que trabalha no lote 28, em Maracajá, ressaltou que os trabalhadores já ficaram parados até uma semana por falta de material e máquinas.
– A pedreira não dá conta – reforçou Jerônimo.
Outra reclamação dos trabalhadores diz respeito à demora do DNIT para encaminhar detalhes das obras.
– Muitas vezes o DNIT demora pra encaminhar as medições. No início foi um sofrimento, agora até que melhorou – lembrou o ajudante-geral Beneval Gonçalves da Rocha, de 46 anos.
De acordo com o mais recente relatório do DNIT, com informações até o dia 31 de março, 101 quilômetros estão duplicados e liberados para os motoristas. Quanto às obras dos túneis do Morro dos Cavalos, em Palhoça, na Grande Florianópolis, os projetos ainda estão em fase de elaboração. Os projetos da travessia do Canal das Laranjeiras, em Laguna, e do Morro do Formigão, em Tubarão, aguardam aprovação. A estimativa é que as obras, depois de licitadas, sejam concluídas em dois anos.

Fonte diario.com.br
Promessas sem fim
Há mais de uma década, a duplicação da BR-101 Sul motiva uma sucessão de promessas de ministros e presidentes que não se confirmam:
“Todas as duplicações previstas para a BR-101 estarão concluídas em junho do ano 2000.”
Eliseu Padilha, ex-ministro dos Transportes (junho de 1997)
“Posso garantir que, até o final deste ano, a obra estará concluída, desde São Paulo até Osório, no Rio Grande do Sul.”
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente (abril de 2000)
“Espero que as obras de duplicação da BR-101, no trecho entre Osório e Palhoça, tenham início ainda em 2003, no segundo semestre.”
Anderson Adauto, ex-ministro dos Transportes (janeiro de 2003)
“Queremos fazer no menor tempo possível. Talvez ela demore porque é uma estrada difícil de ser feita, talvez demore três anos.”
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente (dezembro de 2004)

Fonte: Diário Catarinense

Compartilhe este post