Criciúma, 20.2.09 – Se as futuras pistas duplicadas do trecho Sul da BR-101 prometem fortalecer a economia catarinense, o atraso da obra resulta em prejuízos para os empresários da região Sul do Estado. Segundo previsão inicial do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), os trabalhos deveriam estar encerrados há um ano. Agora, no entanto, devem seguir, pelo menos, até 2012.
De acordo com o vice-presidente e 1o tesoureiro da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Delir João Milanezi, a dificuldade de tráfego no trecho em obras há quatro anos tem acarretado, para o setor empresarial que trabalha com mercadorias de baixo valor agregado, um pagamento de frete 20% acima do valor normal. Segundo Milanezi, esta situação é enfrentada por 70% das empresas instaladas nos 18 municípios cortados pela 101 Sul.
– Há dois anos sofremos grandes prejuízos. Para o pessoal do Vale do Itajaí, por exemplo, é mais fácil buscar mercadorias em São Paulo do que vir até o Sul. Nós já estamos acostumados com a precariedade das pistas, mas um empresário de primeiro mundo que vem pra cá não volta nunca mais – compara Milanezi.
Empresário teme um blecaute nos transportes
Para Milanezi, a situação há 10 anos era melhor do que hoje. Naquela época, o tráfego de veículos era bem menor e não havia tantos desvios que agora obrigam os motoristas a trafegar a 40 km/h em longos trechos.
– O frete que é cobrado por hora, e não por quilômetro, representa 25% do nosso custo. E o tempo de viagem de Joinville a São Paulo, por exemplo, é menor do vir até Criciúma. Hoje a palavra de ordem é logística, todo mundo quer estar bem localizado. Chegamos a um estrangulamento total e daqui a pouco vamos ter um blecaute no transporte – prevê.
Assim como aconteceu com o trecho Norte da BR-101, as obras de duplicação prometem trazer benefícios para a população da região sul catarinense. Para o presidente da Federação da Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Alcantaro Corrêa, quando estiverem prontas, as rodovias duplicadas fortalecerão a economia regional, facilitando a ligação com os outros estados e com os países do Mercosul.
– É incrível o abandono que a gente vê nas estradas. As pessoas não são burras para aceitar as justificativas furadas e as datas mentirosas de conclusão. A função do DNIT é cobrar das empresas contratadas a obra pronta. Enquanto isso, as pessoas vão morrendo nos acidentes, e a região continua prejudicada no seu crescimento – lamenta.
O presidente da Fiesc cita os benefícios da conclusão para o porto de Imbituba que, segundo ele, é “fantástico e está adormecido porque as estradas não oferecem infraestrutura de acesso para os motoristas.”
– Quando a duplicação estiver concluída, o porto de Imbituba vai atrair grandes exportações – prevê Corrêa.
O futuro é promissor
Apesar dos transtornos provocados pelas obras, a duplicação da BR-101 e a construção de elevados no trecho de Tubarão, na região Sul, trazem perspectivas de novos negócios aos empresários.
Antes mesmo de a duplicação estar concluída, as facilidades de acesso à cidade, que é cortada pela estrada, tem motivado novos negócios às margens da rodovia. Foi esta perspectiva que motivou um grupo de empresários de Florianópolis a investir no loteamento Parque das Palmeiras. Cerca de 50% do loteamento, com 447 lotes, já está concluído e os 13 primeiros terrenos ocupados desde o início deste ano.
– Com os elevados, a cidade estará totalmente integrada. Quem morar no residencial irá facilmente trabalhar no Centro ou na universidade, por exemplo – explica Jaime Ramos, superintendente do loteamento.
Recém-inaugurado, o Centro Comercial Tubarão é outro negócio que deve ser valorizado com as obras de duplicação. Das 45 lojas instaladas no empreendimento, 90% são de fabricantes de confecções cujos principais cliestes são lojistas gaúchos.
– Quem vem de Porto Alegre vai se sentir estimulado a viajar até Tubarão para fazer compras – sustenta Ciro Luiz Tokarski, gerente administrativo-financeiro da Eraldo Construções, empreendedora do centro comercial.
A proprietária da Parada das Tarrafas, em Laguna, Doraci Fraga de Souza, de 56 anos, também aposta no potencial dos compradores gaúchos e argentinos.
Há 20 anos, ela comercializa seus produtos às margens da rodovia. Uma vez concluída a duplicação, Doraci espera melhores lucros no negócio e mais segurança na estrada.
– Espero que as obras terminem antes que uma tragédia atinja minha família – diz.
Malha viária prejudica Santa Catarina
Uma pesquisa realizada em dezembro do ano passado, com empresários da região Sul, aponta Santa Catarina como a primeira opção de investimentos e expansão de negócios entre os estados brasileiros em 2009. Apesar da preferência de 30%, a malha viária catarinense é considerada como a maior desvantagem do Estado contra 17, 6% do Paraná e do Rio Grande do Sul.
Para os empresários que participaram da 3a Sondagem A Força do Sul, a infra-estrutura para distribuição de produtos é um fator mais impactante para os negócios do que a velocidade das novas tecnologias, a abertura do mercado e a profissionalização do modelo de gestão.
A pesquisa, realizada pela Pricewaterhousecoopers (PwC) junto a 54 empresas, de mais de dez setores diferentes, destacou também que, entre as vantagens competitivas de Santa Catarina estão a qualidade de vida (38,9%), mão-de-obra qualificada (31,5%) e a segurança (29,6%).
Turismo considerado o segmento de maior futuro
Para 43% dos participantes, a economia catarinense tem tendência a apresentar um crescimento maior em relação aos demais estados brasileiros.
Cerca de 11% dos entrevistados anunciaram que planejam investir mais de R$ 300 milhões no Estado. Para 22,2%, os investimentos devem ficar entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões.
O turismo é considerado o setor mais promissor (55,6%), seguido pela indústria (37%), agribusiness (31,5%) e serviços (25,9%). Fonte: Diário Catarinense