São Paulo, 6.5.09 – A indústria esboçou em março sinais de recuperação ao elevar em 0,7% a produção na comparação com fevereiro, graças à contribuição dos segmentos de bens intermediários (0,3%), bens de consumo duráveis (1,7%) e bens de consumo semi e não duráveis (0,8%). A produção de bens de capital foi a única a cair: 6,3%.
Mesmo assim, o ritmo industrial no primeiro trimestre do ano mostrou uma queda de 14,7% em relação ao mesmo período de 2008. Essa queda, que ainda reflete a drástica mudança provocada pela crise financeira internacional em setembro, foi a maior desde o primeiro trimestre de 1991.
Segundo o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales, a queda acumulada do último trimestre de 2008 até os primeiros três meses de 2009 é de 16,7% e representa a mais elevada perda no acumulado de dois trimestres desde o governo Collor, no segundo trimestre de 1990.
– A gente já esperava isso – afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem o resultado do primeiro trimestre não capta o que vem ocorrendo desde março. – Desde março e abril, a economia está se recuperando. Nós já voltamos a aquecer e a acelerar. Já estamos em crescimento.
Sales, por sua vez, afirmou que há um processo “inequívoco” de reação da indústria, confirmado nos indicadores de março. Segundo ele, a magnitude da queda da produção em março em relação a igual mês do ano passado (-10%) foi bem inferior às quedas, nessa comparação, observadas em fevereiro (-16,8%), janeiro (-17,5%) e dezembro (-14,7%).
Segundo ele, o resultado de março foi favorecido pelo efeito calendário – já que março de 2009 teve dois dias úteis a mais do que igual mês do ano passado –, mas não exclusivamente.
– Outros indicadores, inclusive o resultado com ajuste sazonal (ante mês anterior), mostram que é inequívoco um movimento de reação na indústria, suave mas contínuo.
Analistas dizem que dados decepcionaram
Em relatório distribuído aos clientes ontem, a equipe de analistas da Gradual Investimentos diz ter recebido os resultados da produção industrial de março como decepcionantes.
“Os dados da Produção Industrial reafirmam o desaquecimento econômico no país e reiteram nosso cenário base de PIB com desaceleração em 2009. Além do fraco resultado na variação mensal dessazonalizada, com crescimento de apenas 0,70% (o mercado esperava o dobro disso, 1,50%), chama atenção o resultado pífio da produção de bens de capital, que na mesma comparação, tombou 6,30%”.
Para os analistas da instituição, o retrocesso na produção de bens de capital foi tão sério que “voltamos aos patamares de março de 2006, recuando três anos de avanço neste setor central das contas nacionais.”
Este resultado, de Bens de Capital, deixa claro, segundo a Gradual, o tamanho da desaceleração existente num dos componentes chave da demanda doméstica: o investimento.
“Se o investimento foi frustrado, num primeiro momento, pelo congelamento de crédito via desconfiança generalizada, agora ele desacelera, em grande medida, por conta dos prognósticos negativos em relação à demanda futura por bens e serviços”. Fonte: Diário Catarinense