Porto Alegre, 11.7.08 – O ex-governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, ao palestrar na 10ª Transpo-Sul ? Feira e Congresso de Transporte e LogÃstica, Centro de Eventos Fiergs, em Porto Alegre, na noite de quinta-feira(10), começou lembrando que quando governador esteve em todas as inaugurações do evento promovido pelo SETCERGS. ?O evento cresce a cada edição e mostra o que representa este setor para o crescimento da economia brasileira? enfatizou. Proposto a abordar o tema ?A importância da Reforma Tributária para o Transporte Rodoviário de Cargas, Rigotto também comentou o momento econômico e polÃtico nacional e internacional.
Atualmente coordenador do grupo de Reforma Tributária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo federal (CDES), o palestrante destacou que todos os indicadores econômicos são bons na atual conjuntura nacional. Lembrou que durante seu governo enfrentou muitas dificuldades, como uma forte estiagem e a questão cambial. ?Enfrentamos a maior estiagem da história do RS e ainda um convivemos com um câmbio perverso?. Citou como exemplo a venda de implementos agrÃcolas. ?Naquela época não se vendia um trato e hoje há uma fila de espera de quatro meses? comparou o passado recente e o atual momento econômico gaúcho.
No cenário internacional mostrou sua preocupação com a alta do petróleo e a inflação. No Brasil enfatizou que existe algumas barreiras que impede o melhor crescimento sustentável, como é o caso do sistema tributário que é complexo. Também condenou a guerra fiscal entre os estados e salientou que a alta carga tributária brasileira facilita a sonegação.
Sobre a nota fiscal eletrônica observou que o Rio Grande do Sul foi pioneiro na implantação. Também destacou que a reforma precisará abordar o alto custo da folha de salários.
Todavia, acredita que não vai ser fácil a sua aprovação. ?O Congresso está sem rumo e desgastado e mesmo assim não procura em mudar a sua imagem. Também entende que o governo federal não tem vontade nessa mudança?. Por que vão mexer num sistema tributário que vem batendo recorde de arrecadação ?. Assinalou ainda que existe resistência corporativa dentro dos órgãos públicos fiscalizadores. Lembrou que nos oitos do governo FHC a reforma não andou e não havia nenhum interesse que isso acontecesse?.Hoje o Lula tem todas as condições para fazer isso acontecer, mas falta uma decisão polÃtica?, lamentou Rigotto.
No final, o ex-governador exaltou a importância e da necessidade de se fazer investimentos em infra-estrutura de rodovias, portos e energia.
Transportador será o fiscal
Seguida da exposição de Germano Rigotto, os presidentes da Fetransul, Paulo Vicente Caleffi e da Fetrancesc, Pedro Lopes, fizeram considerações sobre o tema em debate. ?O que me preocupa é que a Reforma Tributária que está sendo discutida prevê que 93% da arrecadação seja destinada para a União e o restante dividido entres os estados e municÃpios?, avisou Lopes. Também que a nota eletrônica vai servir para que o governo tenha conhecimento da movimentação da economia brasileira. ?O transportador de carga vai ser o fiscal do governo. A nota eletrônica dar essa condição para o governo acompanhar todo o processo de circulação da produção nacional?, observou o presidente da Federação de Santa Catarina.
Conclamou os transportadores para acompanharem toda essa discussão. ?Precisamos definir como ficará o serviço de transporte nessa reforma tributária?, alertou Pedro Lopes.
Wagner Dilelio/Imprensa Setcergs