O lucro da Petrobras e o drama do transporte

O lucro da Petrobras e o drama do transporte

Rio de Janeiro, 18.3.09 – Sob vários ângulos, a Petrobras é a joia da coroa. A começar pelo retumbante lucro líquido de R$ 33 bilhões em 2008. Outro indicador da preciosidade: ano passado em um dos três concursos que realizou, atraiu quase meio milhão de candidatos. Mais exatamente: 451.712 candidatos para 2.611 vagas, ou 173 postulantes para cada posto.
A Petrobras é um porto seguro para 74.240 pessoas que emprega nela própria e nas coligadas. O custo de pessoal do grupo totalizou ano passado R$ 12,9 bilhões. Neste total estão toda a Petrobras, coligadas e unidades no exterior. No custo de pessoal estão incluídos remuneração fixa de empregados e despesas referentes aos benefícios de previdência complementar, assistência de saúde e auxílio educacional. Se o custo total do pessoal, de R$ 12,9 bilhões for dividido pelo efetivo, de 74.240 empregados, o custo por empregado, em 2008, foi de R$ 173,8 mil (R$ 14,5 mil mensais).
Os números da Petrobras não param de crescer. Ano passado os investimentos foram de R$ 53,3 bilhões, 17,8% superiores aos do ano anterior. A chamada E&P, exploração e produção, ficou com 49,1% do bolo investido com destaque para as áreas do pré-sal na bacia de Santos.
A empresa, com 55,7% das ações ordinárias em poder da União Federal, teve ano passado receita operacional líquida de R$ 215,1 bilhões – 26,1% superior à de 2007.
Para efeito de comparação, com recorde e tudo, a indústria automobilística brasileira, ano passado, teve receita líquida ao redor de R$ 100 bilhões.
É claro que uma empresa que fatura soma gigantesca e tem lucro invejável tende a atrair acionistas. Mesmo em ambiente de incertezas, a Petrobras ampliou em 80% a base acionária na Bovespa, passando de 190.952 acionistas em 2007 para 344.179 cotistas no final de 2008.
Para continuar crescendo, a Petrobras programou investimentos de US$ 174,4 bilhões para os cinco anos que vão de 2009 a 2013. A área do pré-sal é a vedete. Incorporou a polpuda soma de US$ 28 bilhões. A Petrobras domina toda a cadeia do petróleo – da exploração à produção, passando pelo refino e transporte. As 11 refinarias processaram 1,765 milhão de barris por dia no ano passado. A utilização da capacidade de refino da companhia foi altíssima, de 90,9%.
Há uma pressão justíssima da sociedade e da legislação ambiental para a melhoria da qualidade dos derivados, sobretudo o óleo diesel.
No relatório de resultados de 70 páginas publicadas na segunda-feira, a Petrobras elenca ações que vem empreendendo para melhorar a qualidade do diesel. Informa, por exemplo, que construirá duas refinarias premium para produzir derivados de elevada qualidade e baixo teor de enxofre.
Entre as empresas que compõem o conglomerado, uma delas ganhou destaque no relatório. Trata-se da Petrobras Distribuidora, que, em 2008, registrou “o maior resultado financeiro de sua história”. O lucro líquido foi de R$ 1,2 bilhão, 57,1% a mais sobre 2007. A empresa atribui o resultado a pelo menos dois fatores: mais vendas e “contínuo esforço de manutenção do controle de custos”.
O diesel, sabidamente, é o campeão de vendas da Petrobras. Em 2008, o volume subiu 6,1%, acima do crescimento do PIB. O maior consumidor do combustível carro-chefe da Petrobras é o transporte rodoviário de carga, uma atividade que tem no diesel 50% de seu custo operacional.
“Há uma drástica redução do preço do barril do petróleo no mundo. Foi este o fato motivador para que a Coopercarga realizasse um estudo analisando os fatores: preço do barril de petróleo x preço do dólar x preço do óleo diesel. O que se comprovou foi uma discrepância dos valores praticados. Percebe-se que o preço do óleo diesel, numa comparação entre 2003/2009, está na ordem de 80% mais caro que a média histórica”, escreveu recentemente em artigo neste jornal o presidente da Coopercarga, Dagnor Schneider, que enfatizava: “Precisamos mudar esta realidade! Conclamamos a Petrobras para rever sua política de preços para que tenhamos uma inversão imediata deste cenário, defendendo a atividade do transporte rodoviário de cargas e milhares de famílias que hoje dela dependem. É um apelo que faço em nome do sistema cooperativo, que hoje não mais vive, apenas sobrevive em meio a custos tão onerosos”.  Fonte: Gazeta Mercantil

 

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