Florianópolis, 9.4.09 – Vencedora da concorrência internacional realizada pelo Ministério dos Transportes, a empresa espanhola OHL vem executando serviços para explorar a concessão da BR-101 Sul. Assumiu, em contrato, responsabilidade pela manutenção e melhoria da rodovia, mediante a cobrança de pedágio. O posto de Garuva já está pronto, enquanto o de Porto Belo deve começar a operar em breve. O pedágio da Palhoça continua gerando muita polêmica, com questionamento sobre a sua localização.
No meio de múltiplas controvérsias, surge a demagógica iniciativa do deputado Cesar Souza Junior, propondo, na Assembleia Legislativa, isenção de pedágio para os moradores das cidades atingidas pela estrada. Além de inexequível, a medida é um retrocesso. Praticamente todos os países do mundo mantêm suas estradas, amplas, modernas e seguras, através da cobrança do pedágio. É assim nos Estados Unidos, em vários países da Europa, na China comunista e até no Vietnã. Aqui, o oportunismo político acha que pode conservar rodovias, dando-lhe segurança para evitar perda de preciosas vidas humanas, com retórica e chapéu alheio.
No meio de disparates, uma promoção positiva do presidente da Câmara de Florianópolis, Gean Loureiro. Reuniu os vereadores de vários municípios da Grande Florianópolis para ouvir o diretor do DNIT, João José dos Santos. O debate foi considerado produtivo. Os presentes souberam detalhes da duplicação Sul da BR-101, que segue lerdamente, e sugeriram medidas de interesse público à autoridade federal.
Souberam todos que o DNIT deve lançar, no fim de abril, o edital para a execução dos estudos de engenharia sobre a tumultuada Via Expressa, que liga as duas pontes de Florianópolis à BR-101. É um calvário diário. Os congestionamentos, agora, são constantes. É o maior atraso de vida, o grande entrave à economia regional.
O Sul
A contratação de empresa para estudar a dramática situação da Via Expressa da BR-282 vai considerar o desvio previsto na BR-101, entre Biguacu e Palhoça, para desafogar São José e imediações. Pois este desvio já é obrigação da espanhola OHL. Segundo o contrato, a empresa deve iniciar as obras em junho, com prazo de três anos para a sua conclusão. Aí, sim, vai desafogar tudo? Depende! Se continuarem este movimento contra o pedágio, os gigantescos engarrafamentos vão continuar. Se não tiver dinheiro do pedágio, verba em orçamento público, muito menos.
Em relação à BR-101 Sul, mais incerteza. A promessa, reiterada várias vezes pelas autoridades federais e parlamentares do PT, de inauguração da rodovia no final de 2009, não tem mais como ser cumprida. Os engenheiros do DNIT têm consciência: dos nove lotes, cinco poderão ser concluídos, com pavimento e obras de arte, até dezembro deste ano. Mas quatro ficarão para 2010.
As empreiteiras mais fortes, como a Queiroz Galvão, executaram o contrato e estão aguardando pagamento. As de porte médio, que dependem de medições e concederam descontos nos contratos de 2005, fazem corpo mole, barganham, procuram reajuste contratual.
Quem transita pela BR-101 Sul constata que o ritmo das obras deixa muito a desejar. O DNIT confirma que apenas cem dos 240 quilômetros estão duplicados.
Sem infraestrutura não tem desenvolvimento. E sem crescimento não há geração de empregos. No meio dessa crise financeira, a projeção para o Sul catarinense é uma tristeza. Salvo competente e producente mobilização da classe política, o martírio vai continuar. Fonte: Moacir Pereira/Diário Catarinense