Pedágios em SC

Pedágios em SC

Florianópolis, 6.4.09 – As rodovias pedagiadas em Santa Catarina têm trechos remendados, acostamento precário e registram acidentes. Mas também há socorro médico 24 horas, inspeção de tráfego, regiões com sinalização e asfalto em boas condições.
O Diário Catarinense percorreu os 537,9 quilômetros da parte coberta por concessionárias nas BRs-101 e 116. Há sete praças instaladas, mas só quatro estão em operação. As outras três devem iniciar a cobrança até o final deste mês.
As realidades são diferentes. Na BR-116, da concessionária Autopista Planalto Sul, todas as três praças já estão cobrando. A de Correia Pinto cobra R$ 2,70 por automóvel desde o dia 19 de dezembro do ano passado. O motorista também paga na região de Santa Cecília e Monte Castelo. A concessão tem 315,9 quilômetros e vai do Planalto Norte à divisa com o Rio Grande do Sul.
Na BR-101, da concessionária Autopista Litoral Sul, são quatro praças. A concessão vai de Garuva, na divisa com o Paraná, a Palhoça, na Grande Florianópolis, totalizando 222 quilômetros. Em Garuva, a cobrança começou no dia 22 de fevereiro. Para automóvel, a taxa é de R$ 1,10. Continuam em construção as praças de Palhoça, Porto Belo e Araquari. As duas concessionárias pertencem ao grupo espanhol OHL. O contrato da concessão valerá por 25 anos.
Nas duas BRs, a reportagem encontrou opiniões divididas dos motoristas. A unanimidade é sobre o Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), composto por equipes de socorro e viaturas como ambulância e caminhão guincho.
Os postos de SAU funcionam nas duas BRs desde o dia 15 de agosto de 2008 e já registram pelo menos 37 mil atendimentos (22 mil na BR-101 e 15 mil na BR-116). Nem todos estão prontos, e alguns foram improvisados ao lado de postos de combustíveis. O movimento de usuários nesses locais ainda é pequeno. Há espaço para descanso, fraldários, café e água para os motoristas. Entre os SAUs visitados pela equipe, havia um médico à disposição na praça de Garuva para atendimentos considerados graves.
Enquanto na BR-116 o catarinense já vê como realidade a rodovia sob a administração privada, na BR-101 há impasse entre autoridades e moradores. O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça a interrupção da cobrança em Garuva por entender que a empresa não cumpriu o contrato na íntegra, como as ações de limpeza e sinalização e obras para recuperar os locais em que houve deslizamento.
O procurador do MPF em Joinville, Mário Sérgio Ghannagé Barbosa, autor da ação, disse que a liberação da cobrança só deveria acontecer após as obras iniciais e a conclusão de todas as praças, segundo prevê o contrato.
A juíza Giovana Guimarães Cortez, da 2ª Vara da Justiça Federal em Joinville, ainda não decidiu sobre o pedido do MPF.
Em Palhoça, os moradores resistem ao pedágio e a prefeitura anunciou a construção de uma ponte na principal via da Guarda do Cubatão, como acesso alternativo. A Autopista Litoral Sul pretende iniciar a operação da praça até o final deste mês.

Motoristastêm opiniões divergentes



Os acidentes também são diários. Em dois dias na região pedagiada, o DC presenciou ocorrências e ouviu motoristas envolvidos em atendimentos feitos pelas concessionárias, ou não. A maior queixa é a qualidade do asfalto e não o valor da tarifa, considerado inferior aos praticados em outros estados.
Na BR-116 em Mafra, duas carretas bitrem colidiram na terça-feira à tarde quando uma delas, que partiu de Canoinhas, não parou no trevo de acesso. Um dos motoristas envolvidos, Gilberto Aparecido Vieira, 44 anos, desconfia que o outro motorista tenha dormido ao volante. Com 20 anos de estrada, Gilberto disse que a condição das rodovias catarinenses melhorou 70% e defende mais terceiras faixas para os caminhões. Evaldo Dias, 42, caminhoneiro do Rio de Janeiro, reclama de buracos na BR-116 e considera o asfalto ruim. Do Rio de Janeiro a Santa Catarina, passou por 15 pedágios e desembolsou R$ 265 na viagem de ida.
O empresário Darci Zanotelli, 56, de São Miguel do Oeste, ficou sem combustível no seu veículo, um Stilo, na BR-116, em Itaiópolis, na manhã de quarta-feira. Fez sinal a motoristas que passavam e foi atendido por uma equipe da concessionária.
– Foi falha minha. A gasolina estava na reserva e eu não quis abastecer no posto que passei por causa da bandeira – disse.
Zanotelli avaliou que os custos do pedágio se bancam com a consequente diminuição da manutenção dos veículos. Mas criticou o fato de grande parte dos funcionários contratados para trabalhar nas rodovias serem de fora.
– Deveriam aproveitar o pessoal e as empreiteiras daqui para gerar empregos locais – sugeriu.
O caminhoneiro Juliano Fernandes, 32, de Portão (RS), transporta bebidas pelo Sul. Para ele, falta apoio mecânico na área pedagiada pela concessionária na BR-101.

Praças investem em sistema contra roubos

Em meio ao movimento intenso de veículos e à circulação de dinheiro nas praças de pedágio, a preocupação com assaltos é evidente nas duas concessionárias nas BRs-101 e 116.
Os prédios da administração e setor operacional situados junto às praças são protegidos, a maioria com cerca elétrica. Contam com câmeras de vigilância eletrônica e vidros blindados. Vigilantes de uma empresa privada ficam 24 horas no local.
O esquema de segurança é mantido em sigilo. As concessionárias não permitem, por exemplo, filmagens e fotografias de dentro dos prédios ou próximo às cabines de cobrança. Para entrar nos espaços fechados é preciso autorização da gerência de operação. Quando os carros-fortes se aproximam, o cuidado com pessoas próximas é redobrado.
– O medo é constante. Trabalhamos com a possibilidade de que a qualquer hora podemos ser assaltados – relatou um funcionário.
Desde 19 de dezembro, quando a cobrança teve início na BR-116, ainda não há registros de roubos. O período inicial preocupa, já que em outros estados os pedágios foram alvos de bandidos assim que começaram a operar. Segundo a OHL, que controla as duas concessionárias, trabalham na Autopista Litoral Sul 687 funcionários e 509 na Planalto Sul.
Nas praças, o dinheiro em circulação diminui com o sistema Via Fácil. Com o aparelho eletrônico (TAG) instalado no painel do veículo, o motorista cruza o pedágio sem parar (a cancela abre com o sensor). O pagamento é feito por boleto bancário ou débito automático.

Meta é recuperar 120  quilômetros na BR-101

A Autopista Litoral Sul, concessionária da BR-101, promete restaurar 120 quilômetros da rodovia em 2009. Na região pedagiada da BR-101 (trecho Norte), o asfalto apresenta partes com remendos e desníveis. Mas os usuários dizem que a parte duplicada é um “tapete” em comparação com a BR-101 Sul, que está em obras de duplicação e frequentemente é palco de acidentes – a BR-116 também registra colisões, mas a concessão determina que exista serviço de socorro e resgate.
De agosto do ano passado até este mês, a Autopista contabilizou um total de 64.241 atendimentos – os números compreendem, além dos 222 quilômetros do trecho catarinense, outros 111 quilômetros da concessão no Paraná.
Objetos na pista, panes mecânicas e acidentes constituem os principais atendimentos.
O gerente de operações da concessionária, Antônio César Sass, disse que são recolhidas 15 toneladas de restos de pneus por mês na BR-101. As panes mecânicas também são comuns.
– Elas atingem principalmente caminhões que não recebem a manutenção com rigor – avaliou o gerente.

Balanças devem voltar a operar em 70 dias

As duas balanças de pesagem existentes na BR-101, em Itapema e Garuva, estão desativadas, o que impede o controle do que é transportado. A concessionária espera reativar as balanças em 70 dias. A operação será em conjunto com fiscais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A praça de Garuva é a única em que a cobrança de pedágio está sendo realizada no trecho catarinense da 101. A OHL, que controla a Autopista Litoral Sul, disse que a previsão é começar a aplicar a tarifa nas praças de Palhoça e Porto Belo no final deste mês.
A região pedagiada da BR-101 terá seis postos de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU): em Garuva, Joinville, Araquari, Balneário Camboriú, Itapema e Palhoça.
Ao comentar a ação do Ministério Público Federal que pretende interromper a cobrança na praça de Garuva, o gerente da Autopista disse que o levantamento feito pelo MPF refere-se a problemas ocorridos pela enchente do ano passado, e garantiu que a empresa cumpriu todos os itens do contrato.
– Entendemos que cabe à Justiça Federal avaliar a situação. Mas é importante frisar que a concessionária não faz nada sem a autorização da agência nacional – sintetizou o gerente, referindo-se à permissão do início da cobrança concedida pela ANTT.

Atendimentos na 101
Objetos na pista: 17.839
Pane mecânica: 16.551
Acidentes: 4.009 (destes, 93 foram com mortes)
Animal na rodovia: 3.567
Pneu furado: 3.050
Pane elétrica: 1.529
Incêndios: 302
Obs: período entre 15 de agosto de 2008 e abril de 2009; os números compreendem os 222 quilômetros da parte catarinense da rodovia e os 111 quilômetros no Paraná
Fonte: Autopista Litoral Sul.
Atendimentos na 101
Objetos na pista: 17.839
Pane mecânica: 16.551
Acidentes: 4.009 (destes, 93 foram com mortes)
Animal na rodovia: 3.567
Pneu furado: 3.050
Pane elétrica: 1.529
Incêndios: 302
Obs: período entre 15 de agosto de 2008 e abril de 2009; os números compreendem os 222 quilômetros da parte catarinense da rodovia e os 111 quilômetros no Paraná
Fonte: Autopista Litoral Sul.

Vamos melhorar a BR-116 em SC”

Entrevista: Marcelo Guidini, COORDENADOR DE TRÁFEGO DA AUTOPISTA PLANALTO SUL

A BR-116 é considerada uma das rodovias mais importantes para o transporte da produção do Estado. Na sexta-feira, em entrevista ao Diário Catarinense, Marcelo Guidini, da Autopista Planalto Sul, prometeu ações de melhorias para recuperar o asfalto. A empresa também deverá implementar a terceira faixa para caminhões e melhorar a sinalização ao longo da rodovia. Segundo ele, todos os sete postos de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) estarão sediados em breve em lugares definitivos.
Diário Catarinense – Na BR-116, a cobrança do pedágio foi iniciada no ano passado, na praça de Correia Pinto. De lá para cá, quantos atendimentos aos usuários foram realizados e quais os principais?

Marcelo Guidini – Desde agosto até quinta-feira, tivemos 15,3 mil ocorrências, sendo que as principais são pane mecânica e animal na rodovia. Tivemos 824 usuários que sofreram mal súbito atendidos em nossas bases. As maiores ocorrências são essas.
DC – A BR-116 tem tráfego pesado de caminhões. Os motoristas reclamam de alguns trechos remendados e que o asfalto não é bom. O que vocês estão fazendo nesse sentido?

Marcelo – Tivemos os trabalhos iniciais, foi feita a recuperação do pavimento em áreas críticas e da sinalização horizontal e vertical com melhorias em algumas pontes de nosso trecho. A partir de agora estamos melhorando de maneira efetiva toda a rodovia. Esse programa inclui implantação de trevos, passarelas e duplicação de 25 quilômetros no trecho do Paraná.
DC – O que a concessionária tem feito para diminuir os acidentes, que são constantes e graves na rodovia?

Marcelo – A concessionária, em conjunto com o policiamento rodoviário federal, atua na fiscalização do trecho e temos investido na sinalização necessária, pintura das faixas, controle de velocidade, cuidados na ultrapassagem. Nós temos como principal índice de acidentes as colisões laterais, transversais e frontais e as saídas de pistas, o que de certa forma demonstra um pouco da impaciência dos nossos condutores.
DC – Outra queixa é sobre o estado dos acostamentos, que não está bom em alguns trechos.

Marcelo – Vão ser recuperados no nosso plano de melhoria em Santa Catarina. Não só o acostamento como a implantação de terceira faixa em alguns pontos.
DC – Alguns postos de Serviço de Atendimento ao Usuário estão improvisados em casas e não estão ainda junto às praças. Qual é a previsão para iniciar o atendimento nas praças?

Marcelo – Estão previstas nove bases de atendimento ao usuário. Dessas nove, cinco devem estar liberadas até o final desta semana e quatro na semana que vem. Sete bases serão em Santa Catarina.

DC – Por que não há médico em todos os postos?

Marcelo – O governo, quando fez o programa de exploração de rodovia, estipulou a quantidade de ambulâncias básicas e a de ambulâncias com médicos. Nós cumprimos o contrato na íntegra. Nós monitoramos os índices de maior acidente para termos um médico sempre próximo.

DC – Que melhorias básicas o usuário deverá contar na 116 daqui para a frente?

Marcelo – Além da recuperação do próprio pavimento e melhorias nas pontes, implementação de terceira faixa, melhorias nos trevos, passarelas, recuperação total da sinalização, além dos serviços gratuitos que oferecemos nas ambulâncias, guinchos. Fonte: Diário Catarinense

 

 

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