Radares: transportadores apostam em campanhas educativas

Radares: transportadores apostam em campanhas educativas

Florianópolis, 25.2.08 – Os radares fixos podem estar, em breve, de volta às rodovias estaduais de Santa Catarina. Cerca de seis anos depois que os populares pardais foram banidos das estradas catarinenses, um projeto em tramitação na Assembléia Legislativa propõe a retomada do monitoramento da velocidade feito com esses aparelhos.
Segundo o deputado Elizeu Mattos (PMDB), autor do projeto, a idéia é reforçar a fiscalização, já que Santa Catarina lidera os rankings nacionais de acidentes e mortes no trânsito. A proposta encontra resistência entre quem acredita que o equipamento privilegia muito mais a arrecadação do que a segurança.
O parlamentar conta que o tema chamou sua atenção após viagens pelo interior do Estado no ano passado. ?Vi 16 pessoas mortas na beira da estrada, mas a cena que mais me chocou foi uma criança esmagada dentro de um carro, em Lages. Passei mais de 40 dias pesquisando para descobrir qual o meio para se coibir os abusos e de que forma poderia ser feito?, conta.
Mattos afirma que o projeto “não tem nada a ver com o que ficou conhecido como pardais?. A proposta, diz, passaria por estabelecer critérios para a instalação dos controladores de velocidade e formas para humanizar as rodovias. ?Me perguntam por que os radares e não lombadas. Cheguei a pensar em lombadas, mas estudos apontam que em vias de alta velocidade as lombadas se tornam mais um obstáculo e, por isso, são mais indicadas para perímetro urbano?, explica. O deputado destaca que a lombada tem um efeito psicológico sobre o motorista 200 metros antes e 200 metros depois, enquanto o radar teria o mesmo efeito por 20 quilômetros antes e depois.
Mas os argumentos de Elizeu Mattos não convencem o deputado federal Paulo Bornhausen (DEM), que foi o autor, como deputado estadual, do projeto que retirou os radares fixos das rodovias estaduais em 2002. ?A posição do DEM está tomada: fiscalizar sim, pardais não. E a razão persiste desde aquela época, que é fazer com que o governo não possa se utilizar deste instrumento que se transforma em mais um imposto para o cidadão?, aponta.
Para Bornhausen, existem outras formas de fiscalizar. Ele cita Chapecó, que investiu na fiscalização visual e sonora, obtendo redução de 70% no número de acidentes e vítimas. ?O próprio governo do Estado, de 2006 para 2007, passou a investir em outros tipos de equipamento, conseguindo queda de 20% nas ocorrências?, diz.
Elizeu Mattos garante que o projeto acaba com o ?efeito pegadinha?. Segundo ele, o primeiro passo será revisar os limites de velocidade. Pelo projeto, a instalação de radares só será permitida após estudo que comprove a necessidade e defina os locais para instalação.
O projeto quer ainda a criação da Comissão de Segurança Rodoviária, composta por técnicos do Estado e representante da sociedade, e que o Departamento Estadual de Infra-estrutura (Deinfra) apresente ao público as medidas a serem adotadas após a conclusão do estudo. ?Podemos melhorar a proposta”, diz o deputado, acrescentando que uma audiência pública deve debater o tema.

Equipamento evita acidentes, afirma a polícia

A Polícia Militar Rodoviária é favorável ao retorno dos radares. Segundo o major José Norberto Souza Filho, o posicionamento está baseado em estudos e estatísticas que comprovam que esses equipamentos reduzem o número de acidentes, mortos e feridos.
Levantamento demonstra que enquanto os radares operavam, as ocorrências ficaram estabilizadas, e que houve um pico de crescimento após a proibição. O major Souza destaca que os radares também permitem fazer o monitoramento das rodovias, já que registram informações do movimento e quantidade de veículos, velocidade média e horários de pico. Dados que podem ser usados no planejamento, acrescenta.
?O sentimento de restrição aos radares, que foram comparados a uma ?fábrica de multas?, pode ser resultado de algum equívoco na forma como foram instalados no passado. É importante rever toda a questão e se amparar em dados puramente técnicos?, diz o major.

Transportadores apostam em campanhas educativas

O governo deveria investir em educação no trânsito. Este é o entendimento da Federação das Empresas de Transporte de Carga e de Logística de Santa Catarina (Fetrancesc). ?Já somos penalizados com a carga tributária, com a falta de infra-estrutura nas estradas e, agora, com o pedágio, e que todo esse investimento não volta para a sociedade. O governo deveria investir em sinalização e em campanhas educativas?, avalia o presidente do Sindicargas e conselheiro da Fetrancesc, Júlio César Hess.
?Investimos em educação e treinamento e o governo não disponibiliza nada. Quanto mais treinamos nossos funcionários, menos acidentes eles provocam.? Hess afirma que os radares fixos não são a melhor solução, pois muitos motoristas só reduzem a velocidade naquele trecho. ?O Brasil está cheio de radar e se esta fosse a solução, o número de acidentes deveria ter diminuído?, aponta.
O presidente do Sindicargas destaca que, além da perda de vidas, os acidentes representam grandes custos para a sociedade. ?É só calcular os gastos em hospitais, o número de mortes e pessoas aposentadas por invalidez?, cita. “O policial deveria fazer a abordagem, orientar o motorista e depois multar no ato. Porque uma multa chegando 30, 60 dias depois, perde o sentido. A pessoa fica chateada, mas logo já está cometendo outra infração?, afirma.

Para seu filho ler

Direção perigosa

Quando o carro está muito rápido, a chance de acontecer um acidente é maior. O motorista pode não conseguir parar o veículo de repente se passar um animal na estrada, se tentar desviar de um buraco, se o pneu furar ou se uma pessoa estiver atravessando a pista. Pode também não conseguir frear numa curva e provocar um acidente. O motorista deve andar com a velocidade permitida, que é indicada nas placas.

Fonte: A Notícia

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