Socorro: BNDES dá 12 meses de carência para o setor de transporte de SC

Socorro: BNDES dá 12 meses de carência para o setor de transporte de SC

Florianópolis, 30.3.09 – A enchente de novembro e a seca do final do ano passado, nesta fase de crise global, impuseram elevadas perdas ao setor de transporte de Santa Catarina, que acaba de ser socorrido pelo BNDES. O banco aprovou, na última semana, carência de 12 meses e ampliação de 36 meses no prazo de financiamentos do Finame para micro, pequenas e médias empresas do setor.
A medida entra em vigor neste mês de abril, explica o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Carga e Logística de SC (Fetrancesc), Pedro Lopes, que contou com a ajuda da senadora Ideli Salvatti e do deputado federal Claudio Vignatti para convencer o BNDES sobre essa necessidade. Agora, o esforço é para atender as grandes empresas do setor, que somam cerca de 10. O setor registra queda de demanda superior a 40% no Brasil e exterior. Saiba mais sobre esses e outros temas na entrevista de Lopes, a seguir.

SEMPRE EM CRISE

– Eu gostaria de destacar que o setor de transportes de Santa Catarina e também do Brasil vive, constantemente, em crise. É falta de rodovia, aumento de diesel, carga tributária, aumento de salário e outras. Por isso, procuramos avaliar o impacto enfrentado pelo setor diante das duas crises, a ambiental e a global, e fazer nossas reivindicações junto aos governos estadual e federal. No Estado, conseguimos redução de 50% do ICMS não declarado, além de já contarmos, há mais de dois anos, com a ajuda do Pró-Carga, que traz reflexos positivos nas vendas e produção de equipamentos.

AJUDA COM PRAZO

– Nossos caminhões novos são financiados, principalmente pelo BNDES, via Finame. Por isso pedimos a prorrogação desses contratos, para que não tivéssemos a necessidade de recorrer a financiamentos para capital de giro. No primeiro momento, fomos atendidos para os 119 municípios atingidos pelas enchentes ou seca, com carência de seis meses e prorrogação de 18 meses. Continuamos insistindo, sob o argumento que os problemas no complexo portuário de Itajaí e nas rodovias afetaram todo o Estado. Finalmente, na última quarta-feira, nos reunimos com a diretoria técnica do BNDES, no Rio de Janeiro, e tivemos a confirmação do nosso pleito. Empresas com faturamento de até R$ 60 milhões/ano – nesse caso, entram as micro, pequenas e médias – terão carência de 12 meses e prorrogação do contrato em 36 meses para o Finame.

CAPITAL DE GIRO

– Isso quer dizer que nos próximos 12 meses as empresas terão que pagar só os juros a cada três meses e poderão fazer um capital de giro sem ter que apelar para financiamentos bancários. Não foram incluídas as que faturam mais de R$ 60 milhões, que são 10 no Estado, mas que têm o maior número de empregados e frota maior. Atendê-las será a nossa próxima meta. A ajuda já aprovada vai beneficiar 11,2 mil empresas.

QUEDA DE 40%

– Começamos a sentir em novembro o impacto das calamidades no Estado – enchente e seca. Em janeiro, tivemos queda de 40% nos serviços de transportes em relação a dezembro. É normal cair 20% em função das férias, mas 40% foi demais.

RENOVAÇÃO DA FROTA

– Vamos voltar a conversar com o governo federal sobre o programa de renovação da frota. O ideal seria uma frota com veículos de, no máximo, 25 anos. Os outros deveriam ser desativados e desmanchados pelas montadoras que vendem os novos. É isso que é feito na Europa. Precisamos de uma solução rápida, porque a Argentina, que tem subsídios ao setor, está mudando suas leis e definirá frota de até 20 anos para carga normal, de 10 anos para veículos de carga perigosa e cinco anos para ônibus. Precisamos nos adaptar porque temos, no Brasil, 11 mil caminhões/mês que levam produtos ao Chile, via Argentina.

QUEDA NA EXPORTAÇÃO

– Os números da movimentação de cargas entre o Brasil e a Argentina, via Uruguaiana, mostram que os fretes entre os dois países, no primeiro mês deste ano, caíram mais de 40%. Em janeiro de 2008 importamos 4.119 cargas da Argentina e exportamos 10.268. Em janeiro de 2009, importamos 2.492 cargas, exportamos 5.333, o que significa uma queda de 39,46% nas importações e de 48,07% nas exportações. Em fevereiro, as importações de cargas da Argentina caíram 34,7% e as exportações recuaram 44,76% frente ao mesmo mês do ano passado. Fonte: Estela Benetti/Informe Econômico/Diário Catarinense.

 

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