Florianópolis, 11.3.11 – Definido o consórcio que venceu a licitação para a construção da ponte sobre o Canal de Laranjeiras, em Laguna, uma das mais complexas obras de arte que integram o trabalho de duplicação do trecho Sul da BR-101 no Estado, seria lícito esperar que, a partir de agora, o andamento da duplicação fosse acelerado no seu todo. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) espera que a obra possa ser começada ainda neste primeiro semestre, com o prazo de conclusão de três anos.
Incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ponte teria recursos garantidos. Entretanto, ensinam experiências recentes que isto não diz muito – eis que apenas um pequeno percentual das obras trombeteadas pelo PAC, ao longo da administração federal anterior, foi concluído. A esperança de uma gestão mais eficiente, de maior transparência na execução, e de simplificação dos procedimentos burocráticos para destravar importantes obras de infraestrutura, país afora, concentra-se na presidente da República, que, ao assumir o comando, confirmou este propósito.
Com efeito, as carências da infraestrutura – e não apenas as do setor rodoviário – funcionam como um freio na marcha do país rumo ao crescimento verdadeiramente sustentável e como um fator de degradação da qualidade de vida do povo. Além da malha viária sucateada e superada, há décadas, pela demanda, a falta de investimentos consistentes em saneamento básico – e todos sabem o que isto representa para a saúde pública – é emblemática dessa falta de compromisso, para dizer o menos, dos políticos e administradores públicos com o Brasil e seu povo. Está na hora da virada, pois a situação chegou a um limite perigoso.
Quanto à monumental obra da ponte em Cabeçudas, que terá 2,8 quilômetros de extensão, acostamento e quatro pistas, orçada em R$ 597,2 milhões, diga-se que sua execução, no prazo anunciado, parece ser mais uma manifestação de desejo e um exercício de esperança do que baseada em certezas. E não dependerá apenas da vontade política da presidente Dilma Rousseff. As dificuldades econômicas que se anunciam manterão baixa a taxa de investimento público em relação ao PIB, em valor inferior à média de 25% dos países em desenvolvimento que crescem mais do que o Brasil.
Ademais, tudo indica que o PIB, este ano, crescerá menos, em torno de 4% – como o próprio governo prevê –, conforme a alta dos juros e as medidas de contenção do crédito para deter a inflação forem produzindo seus efeitos. O anúncio da ponte do Canal de Laranjeiras deve ser comemorado, sim, mas com realismo e comedimento. A duplicação da BR-101 continua “aos trancos e barrancos”, se não engrenada em marcha a ré, talvez em primeira.
*Fonte: Editorial Diário Catarinense