BR-101 tem valor duplicado

BR-101 tem valor duplicado

Florianópolis, 21.7.11 – A morosidade na duplicação da BR-101 Sul, que gerou indignação dos catarinenses e suspeitas de corrupção e má administração nos últimos três anos de atrasos, ganhou foco nacional em meio à crise do dos Transportes. Também pudera, o excesso de aditivos e reajustes da obra “que nunca termina” fizeram o valor da ampliação da rodovia em SC pular de R$ 1,01 bilhão em 2004 para R$ 1,9 bilhão, uma elevação de nada menos do que 88%.
No site de O Globo de terça-feira, uma das notícias mais lidas era o histórico de 268 termos aditivos da duplicação da BR-101 entre Palhoça e Osório, no Rio Grande do Sul, um trecho com 348 quilômetros de extensão, sendo 238,5 quilômetros só em Santa Catarina.
A matéria elencava que, em toda a obra, o governo federal já tinha gasto R$ 2 bilhões, com diversas suspeitas de irregularidades do Tribunal de Contas da União (TCU), que nunca suspendeu licitação ou contrato em solo catarinense, onde foram investidos R$ 1,4 bilhão.
O lote 25, o popular “lote da vergonha”, foi destaque na mídia nacional. Conforme O Globo, foram 11 aditivos, que incrementaram em R$ 16,5 milhões o valor original. O DC acompanha o caso do trecho e, desde 2006, alerta sobre o problema do atraso. Os moradores também desconfiavam da falta de posicionamento do Dnit sobre a demora.
– Não ficamos surpresos. Era a única alternativa, pois eles (os diretores do Dnit) não rescindiram o contrato com as empresas pelos atrasos. Não iriam punir as empreiteiras que, tudo indica, pagavam propina – diz o presidente da Vias do Sul, associação de luta para acelerar a obra, Raphael Bianchini.
Na edição desta semana, a Veja também escancarou os preços inflados dos aditivos da BR-101 Sul. A revista aponta o diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron, como o mentor dos altos adicionais de contratos. Um deles representa 73% do valor original, quando o é teto de 25%. O TCU questionou, mas não suspendeu o aditivo do lote três, Túnel do Morro Alto, da Construtora Queiroz Galvão. Suspeitas contra a mesma empreiteira surgiram no TCU em SC. Serviços adicionais de transportes teriam encarecido em R$ 750 mil a obra do lote 27, termo também aprovado por Caron.
Para o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Alcantaro Corrêa, não há justificativa para o excesso de aditivos a não ser o superfaturamento e a incompetência técnica.
Após fazer a faxina na sede do Ministério dos Transportes, a presidente Dilma Rousseff, anunciou que vai conferir a situação dos estados. Com certeza, logo ela deve estar em Santa Catarina.
Fonte: Roberta Kremer/ Diário Catarinense

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