BR-280 causa prejuízo diário até US$ 700, diz Lopes ao colunista Cláudio Loetz

BR-280 causa prejuízo diário até US$ 700, diz Lopes ao colunista Cláudio Loetz

Joinville, 20.7.11 – O transportador de carga faz o trajeto ida e volta, na BR-280, entre Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul, em cinco horas. Poderiam ser só duas horas de viagem se a estrada estivesse duplicada. Por causa da lentidão causada pelas más condições da rodovia, o prejuízo diário é calculado entre US$ 500,00 e US$ 700,00. A afirmação é do presidente da Federação de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina, Pedro Lopes. Em algumas estradas, em Santa Catarina, há “cabeceiras de pontes sujeitas a ruir.” O setor de transporte de carga consome 2 bilhões de litros de combustível por ano.

Solução

Considerando os escândalos que envolveram o Ministério dos Transportes, não sou otimista por uma solução de curto prazo para a duplicação da BR-280, mesmo porque o edital está sob suspeição. Mudou o ministro, vai mudar o DNIT. Aliás, em obras de infraestrutura, há muito tempo não acreditamos nas sorridentes fotos coletivas estampadas nas capas de nossos jornais, comemorando lançamentos de estradas e de projetos, como se as obras fossem iniciar-se no dia seguinte.

Urgências

Há urgências para obras nas BRs153, 163, 275 e as estaduais, com necessidade de intervenção imediata. Todas as federais e estaduais não estão adequadas à movimentação do que produzimos e transportamos. Os traçados são muito antigos e as pontes com cabeceiras no limite do leito da pista, sujeitas a ruir por falta de manutenção. Estas rodovias são vitais para o desenvolvimento do Estado e o escoamento da sua produção. A BR-101 faz parte do corredor do Mercosul. As BRs 470 e 280 são as estradas mais importantes porque é por elas que chegamos ao corredor de exportação.

Apoio

Itajaí terá o primeiro ponto de apoio para transportadores de produtos perigosos do Brasil. O projeto foi aprovado pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Foi nossa a proposta para que, obrigatoriamente, todas as novas concessões de rodovias devam construir um ponto de atendimento ao transporte a cada 300 km. A ANTT quer que a Confederação Nacional de Transporte coordene a implantação baseada no plano nacional de logística. Agora é ajustar e começar a obra.

Estradas ruins

O setor perde com estradas mal conservadas, sem sinalização adequada, geometrias da década de 70 e incompatíveis com a evolução dos equipamentos. Viemos do truck para os treminhões. Para dimensionar essas perdas, considerem que saímos de uma velocidade média de 75 km/h para 38 km/h. Exemplo: de Jaraguá do Sul a São Francisco do Sul, ida e volta, demora duas horas. Se tudo correr bem, são cinco horas. Estamos sujeitos a uma perda diária de US$ 500 a US$ 700.

Legislação

Há insegurança por falta de política tributária justa, leis trabalhistas ultrapassadas, comparando-se a modernidade e o avanço da tecnologia embarcada. Para demonstrar a importância do transporte rodoviário de nosso Estado, tudo que é produzido pelas nossas indústrias passa pelos caminhões. Segundo a Fiesc, o PIB industrial e da construção civil é de 35% do PIB de SC, estimado em R$ 125 bilhões.

PPP

Acho que devemos aproveitar a política adotada pelo governo com as obras da Copa e Olimpíada e tratarmos com maturidade as parcerias público-privadas. Por exemplo, no caso da BR-280, a quem mais interessa a solução? Joinville, São Francisco, Araquari, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Rio Negrinho, vamos todos nos reunir e planejar a solução, levar ao governo e, feito o projeto, atrair o investidor.

Crédito

Há quatro anos, fundamos a Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empresários de Transportes de Santa Catarina. Iniciou com 23 associados e já há 2.500. A cooperativa tem R$ 5 milhões em depósito e R$ 36 milhões em ativos. Chegaremos a sete pontos de atendimento até dezembro.

Social

O setor faz treinamento dos motoristas por meio do Sest/Senat, com atendimento médico, odontológico, psicológico e fisioterapeuta, gratuitamente, para os motoristas, a esposa e filhos. São 15 estabelecimentos e 250 profissionais que fazem 900 mil atendimentos por ano.

Perfil

Pedro José de Oliveira Lopes é presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) e vice-presidente da Seção de cargas da Confederação Nacional de Transportes. Nascido no Rio Grande do Sul, está em Santa Catarina desde 1963. Dirigiu a Federação Catarinense de Futebol, foi diretor de futebol da CBF e presidente da Fundação Catarinense de Esportes. Atuou em rádio, televisão e jornal. É auditor fiscal aposentado. Sócio da Empresa Mudanças Monica Ltda., é também pecuarista no Rio Grande do Sul.


INSUMOS

O reflexo maior é do óleo diesel, que varia de 37% a 52%, dependendo da categoria da carga líquida, a granel ou fracionada. O custo de mão de obra de manutenção, em função da rodovia, pode chegar a 25%. E ainda há o salário e o alto risco de sinistro.

OFICIAL

Estamos oficializando a criação do Centro das Empresas de Transportes de Carga e Logística de SC para assistir as empresas, fomentar negócios e buscar parcerias. A Fetrancesc tem 13 bases sindicais.

RIQUEZA

Se somos capazes de produzir 37% de um PIB de R$ 125 bilhões, será que não administraríamos com eficiência uma obra entre R$ 700 milhões e R$ 900 milhões, com uma redução de pelo menos o equivalente aos 25% dos termos aditivos aplicados sobre o orçamento das obras públicas?

TAMANHO

O setor empresarial do transporte de Santa Catarina é formado por 16.700 empresas, com uma frota de 250 mil caminhões, rebocadores e semirrebocadores. Emprega 450 mil trabalhadores e fatura cerca deR$ 5 bilhões por ano. Só de óleo diesel consome 2 bilhões de litros por ano.

Fonte: entrevista do presidente da Fetrancesc ao colunista do AN Cláudio Loetz na edição de domingo, 17 de julho de 2011

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