São Miguel do Oeste, 14.3.11 –Falta de sinalização, placas que não são reflexivas ou estão escondidas ou apagadas,não há aviso das curvas perigosas, só se encontra uma indicação de trecho sinuoso já dentro da curva, quando um caminhão dificilmente consegue parar numa extensão de apenas 60 metros.Isso foi o que constatou o diretor de Relações Institucionais da Fetrancesc, Darci Zanotelli, ao fazer o trajeto no trecho da BR-282, onde ocorreu o acidente entre um ônibus e um caminhão, na madrugada do sábado de Carnaval que matou 27 pessoas. Ele percorreu o local e apresentou o diagnóstico ao participar do debate realizado no sábado, 12 de março, pela Rádio Peperi, de São Miguel do Oeste, com a pergunta Por que acontecem tantos e tão graves acidentes na BR-282? Estavam presentes ainda o inspetor chefe da PRF no Oeste, Ivo Silveira e o deputado federal, Celso Maldaner. Para Zanotelli, deveria haver avisos ao longo do trecho avisando que tem relevo sinuoso e com placas com velocidade diferenciada.
A resposta para a pergunta do debate de forma resumida é a já conhecida falta de investimentos nas estradas, um atraso de pelo menos 20 anos, para acompanhar o crescimento tanto da economia como no número de veículos. Zanotelli afirmou que as rodovias não oferecem condições para o tráfego atual. Quando a 282 foi construída só existiam caminhões com capacidade para no máximo 25 toneladas e hoje transportam até de 50 toneladas.
Ele ressaltou que com algumas melhorias na estrada e sem custo elevado ajudaria a melhorar a sinalização e segundo ele fazer a correção em três curvas, entre Pinhalzinho e São José dos Cedros, que jogam o veículo no sentido contrário, justamente podendo ocorrer acidentes. Ele também reclamou da falta de sinalização para locais da estrada em que a água forma poças sobre a pista.
Tanto o inspetor como o parlamentar apontaram ainda o grande crescimento econômico da região; as rodovias do Oeste catarinense passaram a ser também um o corredor entre o Rio Grande do Sul e os estados do Paraná e os do Centro-Oeste, tanto para carga como para turismo, com estradas de pista simples e relevo acidentado. Também disseram que falta profissionalização do motorista, que precisa aprender a dirigir em rodovias, muito diferente das ruas e avenidas; muitos não tem experiência para esse tipo de tráfego. Sem contar que dirigir à noite ou alcoolizado. O inspetor também reclamou da falta de efetivo, houve o fechamento do posto de São Jose dos Cedros, deixou o posto da PRF de Maravilha com mais de 200 km para fiscalizar. Citou que em um caso de embriaguez, o posto da Polícia fica sem nenhum patrulheiro por três ou quatro horas.
O debate também teve perguntas entre os convidados. Zanotelli, ao ser questionado sobre o excesso de peso, Zanotelli ressaltou que a Fetrancesc é favorável à colocação de balanças e controle de peso. E que precisam ser instaladas o quanto antes, mas que é necessário mudar a lei para também responsabilizar o embarcador da carga pelo peso acima do limite e não só o transportador.
Os três participantes falaram das dificuldades de fazer rodovias e obras de ampliação por depender de licenciamento ambiental. Zanotelli, além de defender uma extensão maior das faixas de domínio a exemplo do que existe na Argentina e Chile, disse que quando a obra ocorre dentro dessas áreas sob domínio da União ou do Estado não deveriam exigir o licenciamento, pois já está ali para dar suporte à rodovia. Maldaner também reclamou da burocracia até a liberação ambiental.
O representante da PRF solicitou ao deputado que faça um esforço no Congresso Nacional e junto à direção da PRF para que sejam contratados mais policiais para ampliar o efetivo, hoje em 490 homens para todo o estado, mas seriam necessários mais 300 homens. Maldaner afirmou que terá audiência com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento e com o diretor geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Brasília, na quarta-feira, para tratar do problema das rodovias do Oeste de Santa Catarina.
O diretor da Fetrancesc também respondeu sobre o trabalho da Federação através do Sest Senat na formação dos motoristas. Ele informou que Dionísio Cerqueira deverá receber uma unidade do Sest Senat com cursos de formação e aperfeiçoamento para motoristas e atendimento médico e odontológico. O profissional pode se aprimorar ou cuidar da saúde enquanto espera pela liberação do veículo. Para ouvir o debate clique http://www.peperi.com.br/player/?id=5919 Fonte: Imprensa Fetrancesc