Joinville, 4.4.11 – Encoberta por obstáculos, desvios obrigatórios e longos trechos em obras. Este é só um rascunho do cenário que os motoristas encontram na serra quando seguem pela BR-376, a principal rodovia de acesso entre Santa Catarina e Paraná.
A lgumas etapas desse trajeto ficaram incontornáveis desde a segunda semana de março, quando uma sequência de chuvas provocou queda de barreiras, desmoronamentos e abriu crateras na pista.
As principais “armadilhas” estão no percurso dos quilômetros 667 e 673, entre as regiões de Tijucas do Sul e Guaratuba, onde houve mais deslizamentos e o fluxo de veículos continua estrangulado em pista simples. A reportagem enfrentou os 130 quilômetros dessa viagem no último sábado durante a travessia da BR-376.
No desembarque, após 5 horas e meia de ida até a rodoviária de Curitiba e volta para Joinville, dá para concluir: a jornada poderia ter sido muito mais longa. Pegamos trânsito livre na subida da serra e logo vimos que também não havia filas no lado de quem descia – coisa raríssima por lá. Uma explicação para a calmaria veio no primeiro pitstop da viagem, no posto da Polícia Rodoviária Federal em Guaratuba. Os patrulheiros avisaram ser uma manhã atípica.
Cones que se multiplicam nos trechos de zigue-zague da pista também revelam a atenção à segurança numa rodovia imprevisível. Eles estão enfileirados por toda parte. A reconstrução é um trabalho de formiguinha sem prazo para terminar.
O sobe-desce na serra paranaense vai ficar mais apertado a partir de hoje. Pelo menos é o que prevê a Polícia Rodoviária Federal. Isto porque o tráfego aumenta nos dias da semana, quando é maior o número de motoristas que pegam a estrada por compromissos profissionais. A situação é pior para quem desce: caminhões de carga pesada desaceleram e seguem em ritmo lento em um longo trecho de pista simples, entre os quilômetros 667 e 673.
A previsão do tempo também indica o risco de que a chuva provoque novos deslizamentos de terra sobre a pista. Nesse caso, a PRF e a concessionária da rodovia não descartam novas interdições no trajeto.
Acidente ocasiona filas de seis quilômetros
No domingo, bastou uma interdição de pista inesperada para que novas filas se formassem. Desta vez, foi o incêndio em um caminhão.
Ele subia a serra no km 661, em Tijucas do Sul, quando as chamas começaram a se espalhar. O caminhoneiro Jacir Antônio Zilas, 42 anos, só percebeu o problema quando viu a fumaça subir à cabine. Em poucos minutos, o fogo também atingiu parte da madeira na carroceria. Como o veículo só foi guinchado uma hora mais tarde, o fluxo de veículos ficou lento, com filas de seis quilômetros.
| Março com chuva, destruição e impaciência |
| DIA 11 – Parte da pista na BR-376 cedeu em um rio, no km 668, e o tráfego foi interrompido. Também houve desmoronamentos na mesma região, entre Guaratuba e Tijucas do Sul. |
| DIA 14 – O tráfego é interrompido entre o quilômetro 630 da BR-376, no Paraná, e o quilômetro 27 da BR-101, na região do distrito de Pirabeiraba, em Joinville. |
| DIA 15 – Uma das quatro pistas da rodovia é liberada, mas apenas no sistema de pare/siga. |
| DIA 18 – Ministério Público Federal afirma que vai acompanhar o andamento das obras na BR-376 |
| DIA 23 – Bloqueios no sentido Norte são removidos. Mas os motoristas ainda enfrentam filas e restrições no sentido contrário. Diário Catarinense |