BR-470: como duplicar

BR-470: como duplicar

Florianópolis, 23.2.11 – Um estudo técnico inédito sobre a atual situação da BR-470, que corta o Vale do Itajaí, vai ser apresentado amanhã na Fiesc durante encontro entre os empresários e os parlamentares catarinenses. Realizado pelo engenheiro Ricardo Saporiti, que também levantou os dados sobre as obras de duplicação da BR-101 Sul e da realidade do trecho Norte, o levantamento conta com o apoio do Crea de SC, contém algumas revelações e traz nova proposta para que a duplicação seja agilizada.
O estudo foi contratado pela Fiesc a pedido dos empresários do Vale do Itajaí. Há mais de 10 anos eles se mobilizam com as principais entidades civis em torno dessa duplicação. O trecho mais caótico da BR-470 está entre Blumenau e Indaial. Este percurso, segundo Saporiti, já tem projeto de engenharia de duplicação. Poderia ser atacado de imediato, mediante delegação do governo federal ao Deinfra.
O projeto final de engenharia foi executado pelo antigo DER. Com pequenas adequações de passagens de nível e novos viadutos atenderia as necessidades da região. Há, de acordo com o levantamento, quatro estudos sobre a 470: 1. Execução pelo Dnit de projeto básico e executivo de engenharia para o trecho entre Navegantes e a BR-477. 2. Estudo de tráfego, jurídico e econômico da terceira etapa das concessões de rodovias federais e parcerias público-privadas.3. Projeto da Fetrancesc propondo um novo traçado, ligando Pouso Redondo a Gaspar e daí bifurcando para Itajaí e São Francisco do Sul, com execução por parceria público-privada. 4. Projeto de engenharia executado pelo antigo DER, já com aprovação preliminar dos órgãos ambientais, no trajeto crucial entre Indaial e Blumenau. Tem 26,9 quilômetros . A segunda etapa, entre Blumenau e a BR-101, está em estudos pelo Dnit. A licitação do projeto está prevista para o segundo semestre de 2012. Percurso com 22,8 quilômetros. E a terceira fase, entre Rio do Sul e Blumenau, com 76 quilômetros, não tem sequer projetos executivos contratados.

PRIORIDADE

O documento elaborado pelo engenheiro Ricardo Saporiti faz estimativas de investimentos. Seriam necessários R$ 539 milhões para a execução do trecho entre Blumenau e Indaial e outros R$ 191 milhões para o trajeto Blumenau–BR-101, totalizando R$ 730 milhões. Quebrada em vários percursos, como está, a duplicação da BR-470 continuará sendo “sonho de uma noite de verão”. Pela dramaticidade do dilema rodoviário no Vale do Itajaí, pelo cenário caótico em que se encontra o trecho entre Indaial e Blumenau, pelo significado vital para o escoamento da produção do Oeste e da Serra, e, sobretudo, pelo que significa em termos de preservação de vidas, a proposta de delegação ao governo do Estado do trecho com projeto de engenharia concluído pelos próprios engenheiros e técnicos do Deinfra parece razoável. Considerando que o percurso atual entre Blumenau e a BR-101 da mesma BR-470 foi executado pelo mesmo DER, atual Deinfra, por delegação do Dnit, a sugestão de ataque imediato ao percurso Indaial–Blumenau tem fundamento.
Ao apresentar, amanhã, todos os dados técnicos, estudos de engenharia e os projetos detalhados, aos senadores, deputados federais e estaduais, a Fiesc pretende iniciar um debate sobre as alternativas. Afinal, trata-se de decisão política relevante e de alto alcance social e econômico, a envolver os governos federal e estadual. O que poucos sabiam – talvez ninguém – em Santa Catarina é que a duplicação estava tão distante. Previsão de licitação das obras do trecho Blumenau–Navegantes só no segundo trimestre de 2012? Deixou de ser embromação. Virou deboche! Fonte: Moacir Pereira/DC

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