Brasil possui 16 milhões de veículos impróprios para circulação

Brasil possui 16 milhões de veículos impróprios para circulação

Brasília, 12.8.10 – A superlotação do pátio de veículos de Guarapiranga, na capital paulista, alerta para os prejuízos da falta de uma política de reciclagem de veículos no Brasil. O espaço, que recebia cerca de 40 veículos novos por dia, possui atualmente 25 mil unidades, abandonadas no local em consequência de acidentes ou retenção por irregularidades de documentação e excesso de multas. 
A situação se repete em todo o país. Em busca de soluções para reduzir a frota de veículos velhos no Brasil e caminhar para uma indústria sustentável, empresários e especialistas de reciclagem se reuniram na tarde desta quinta-feira (12) na sede da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em Brasília (DF). 
“O encontro é muito importante para a sociedade buscar um modelo brasileiro. Para isso, é necessário pesquisar a experiência de outros países, como Argentina, México e Espanha, que têm programas bem sucedidos e rentáveis”, afirmou o diretor-executivo do Centro de Estudos Automotivos (Cesvi Brasil), José Aurélio Ramalho. De acordo com ele, cerca de 16 milhões de veículos, com mais de 15 anos, deveriam ser retirados de circulação. 
Os números se agregam aos 100 atropelamentos diários em todo o Brasil, muitas vezes causados por carros sem condições de circular. Estima-se que 65% dos acidentes graves envolvam veículos impróprios para o trânsito, que contribuem também para o aumento dos engarrafamentos nas grandes cidades.
 
Furtos
 
Segundo o representante do Cesvi argentino, Fábian Pons, a aplicação de um ciclo de reciclagem e reutilização de sucatas veiculares tem o potencial de diminuir também os crimes envolvendo carros. “O modelo argentino não nasceu da preocupação ambiental, mas da necessidade de combater os roubos e desmontagem ilegal de veículos, que envolvia cidadãos e a própria polícia”, explicou.
Desde da regularização dos centros de reciclagem no país, o número de roubos na região metropolitana de Buenos Aires caiu 17%. De acordo com Fábian Pons, os roubos cobrem uma demanda de reposição, cujas peças novas são vendidas por um valor muito alto. O crime organizado envolvia também as seguradoras, que concediam certificados falsos de perda total e lucravam com a venda das peças. 
A situação se aplica ao caso brasileiro. “Os carros leiloados dos pátios dos Detrans muitas vezes não possuem peãs para rodar. Quem compra quer adquirir o documento, que usa para circular com um veículo similar adquirido por roubo”, disse José Aurélio Ramalho.

Rentabilidade

O evento contou também com a presença de integrantes da Gerdau no Brasil. A produtora de aço possui um sistema de reciclagem que reaproveitou 16 milhões de toneladas de aço em 2009, parte dela proveniente de carros reciclados.
“Um carro de 800 kg fornece 500 kg de aço para a reciclagem sem perder suas características físicas e químicas. É o único produto que responde à reciclagem dessa forma”, declarou o diretor da empresa, Heitor Bergamini.
De acordo com o representante, a Gerdau atua em parcerias com o governo e cooperativas de reciclagem, mas elas ainda são diminutas em relação ao potencial de aço reciclável disponível no país. “O setor precisa de vontade política. No Rio Grande do Sul, conseguimos uma parceria para tirar 70 mil veículos abandonados em pátios do Detran. O processo facilitado precisa ser estendido a todo o país”, concluiu.
Fonte: Marina Severino/Redação CNT

Brasil enfrenta desafios para implementar plano de renovação de frota

Para que o Brasil possa implementar um plano de renovação de frota e reciclagem de veículos ainda há uma série de desafios a serem enfrentados. Além de retirar de circulação os veículos velhos e viabilizar centros de reciclagem de veículos, é preciso elaborar uma política pública em parceria com a iniciativa privada. É necessário, ainda, eliminar as dificuldades de acesso ao crédito para aquisição de veículos e integrar o plano às políticas públicas nacionais.
Ações desenvolvidas pela CNT tentam mudar o quadro atual. O programa Despoluir e o Plano Nacional de Renovação de Frota de Caminhões, RenovAr, foram apresentados hoje de manhã pelo diretor-executivo da CNT, Bruno Batista, no Seminário Internacional sobre Reciclagem de Veículos e Renovação de Frota, que acontece em Brasília (DF), na sede da confederação.
“Enquanto não houver um programa que retire os veículos antigos de circulação, vamos continuar tendo vários problemas. Um deles é a grande quantidade de emissão de poluentes”, destacou o diretor.
O Despoluir realiza ações no intuito de diminuir a emissão de poluentes pelos veículos. Já o Renovar, sugere a adoção de políticas públicas que possibilitem a substituição e a reciclagem de caminhões antigos que circulam pelo país.
A criação de tais programas é fundamentado pelo perfil do país em relação ao transporte de cargas. Cerca de 60% do que é movimentado por aqui ocorre pelas rodovias, número bastante superior do que o registrado em países de grande extensão, como China, Rússia e Estados Unidos, que utilizam, majoritariamente, as ferrovias.
A idade média da frota de caminhões no Brasil é de 23 anos para autônomos e 11 anos nas empresas. Do total de 1,36 milhão de caminhões, 598 mil têm mais de 20 anos. E quase 270 mil têm mais de 30 anos. “Se nada for feito para mudar essa realidade, isso pode causar um enorme problema no setor de transporte de cargas no Brasil”, afirmou Bruno Batista.
O alerta tem explicação: os caminhões antigos precisam de maior manutenção, possuem tecnologias obsoletas e oferecem riscos à segurança, ou seja, é imprescindível renovar a frota. “Um veículo antigo polui o mesmo tanto que dez veículos novos. O que justifica a necessidade de retirá-los do mercado”, completou Bruno. Para que isso ocorra, segundo levantamento da CNT, a cada ano será necessário retirar 50 mil veículos antigos de circulação. Só assim será possível eliminar, num prazo de 13 anos, todos os caminhões com mais de 30 anos que rodam pelo país.

Crédito

De acordo com dados apresentados por Bruno Batista, o programa Procaminhoneiro traz benefícios para o setor. No entanto, de 2006 até hoje apenas 19% dos recursos foram disponibilizados para pessoas físicas, ou seja, a grande maioria vai para as empresas.

Espanha possui cerca de mil centros de reciclagem de veículos
12/8/2010

O espanhol Ignácio Juarez Pérez foi o primeiro palestrante do Seminário Internacional sobre Reciclagem de veículos e Renovação de Frota. Gerente do Centro de Experimentación y Seguridad Vial Mapfre (CesviMap), na Espanha, ele apresentou dados europeus e espanhóis do setor.
No Velho Continente, segundo ele, a produção de veículos segue em queda nos últimos anos. Se em 2007 foram produzidos 19,7 milhões, dois anos depois o número caiu para 15,2 milhões. As vendas também sofreram redução: de 16 milhões foram para 14,15 milhões, e no mesmo período.
Com vendas e produção em queda, a frota envelhece. Segundo Pérez, a Espanha vende seus veículos antigos para o Norte da Europa. Em relação às atividades de reciclagem, desde 2002, uma norma do governo estabelece as regras para quem quer manter um centro de reciclagem de veículos. Desde então, o número de centros legais especializados caiu de três mil para 955. Diminuição que ocorreu não apenas pelas exigências governamentais, mas também pelas regras de mercado.
Chamado de Centro Autorizado de Tratamento (CAT), o espaço é responsável por todas as fases de tratamento de veículos para a posterior reutilização, ou seja, da descontaminação das peças até as vendas.
Na Espanha, um plano nacional de veículos ao fim da vida útil foi implementado entre 2001 e 2006 e fez com que associações, fabricantes e companhias de seguros fechassem acordos. Não há ajuda do governo, que classifica os centros de reciclagem como atividades comerciais. Eles se mantêm com as vendas das peças recuperadas.
Ignácio Pérez ainda mostrou o funcionamento dos CATs, desde o processo de recepção dos carros classificados pelas companhias de seguros como perda total, após acidentes, à desmontagem, venda de peças e envio para gestão de resíduos.
No CesviMap as peças podem ser compradas por telefone. Basta que o cliente informe qual o modelo do carro. Além disso, há garantias de validade estabelecidas pelo próprio governo espanhol. O plano nacional de veículos espanhol determina, ainda, quais peças não podem ser reutilizadas por questões de segurança.
Fonte: Aerton Guimarães/Redação CNT

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