Ceará quer bitrem só em rodovias federais

Ceará quer bitrem só em rodovias federais

Fortaleza, 9.3.11 – O transportador Paulo Alves Ferreira, sócio da empresa Pedra Branca Transportes, escreveu para a Carga Pesada lembrando de um situação absurda, que é a restrição de tráfego de caminhões no Ceará. Naquele estado, para rodar nas rodovias estaduais, todo caminhão, independentemente de sua carga, tem de solicitar AET a cada 30 dias. “Porém, para bitrem e superbitrem não existe licença. A alternativa é desengatar e levar uma carreta por vez”, escreveu Ferreira.
Bem lembrado, Paulo. A Carga Pesada entrou em contato com o Detran cearense pois lá não é o DER que cuida das AETs. E o servidor Ulisses Malveira Goes, do Núcleo Técnico de Trânsito, respondeu: “A AET é gratuita. Serve para o planejamento da trafegabilidade do veículo no Estado”.
Mas não dá para entender que tipo de planejamento a AET garante. O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes do Ceará (Setcarce), Clovis Nogueira Bezerra, diz que a entidade entrou com um mandado de segurança contra a resolução 70/2008, do Detran, que instituiu a restrição. “Mas, não sei se por influência do governo, faz mais de um ano que o mandado está no tribunal sem julgamento.”
Segundo ele, a intenção do governo é fazer com que os transportadores prefiram as rodovias federais, poupando a malha estadual. “Mas é impossível trabalhar assim.”

ENTRAVE – Ainda segundo a Pedra Branca Transportes, que tem sede no Espírito Santo mas atua no estado do Ceará, um fator que torna incoerente a restrição de veículos pesados pelas estradas estaduais é a localização de grandes cidades e indústrias em locais não servidos por rodovias federais, uma vez que a demanda de abastecimento e escoamento da produção é feita por estes veículos de grande porte.
Alguns exemplos de grandes centros cearenses não servidos por rodovias federais são: Juazeiro do Norte, Crato, Iguatu, Quixadá, Quixeramobim e Santa Quitéria. Nova Olinda e Iguatu e Barbalha, cidades que possuem indústrias que exportam para todo o país e sofrem com essa situação.
Os fornecedores em outros estados não sabem de tal restrição e o volume crescente de mercadorias compradas pelo povo cearense demanda esse tipo de transporte. Também os clientes das indústrias cearenses contratam transportadores que operam este tipo de veículo e quando vão escoar sua produção encontram esse gargalo burocrático.
Outro agravante dessa situação são os maus policiais que usam dessa atribuição para extorquir motoristas em locais ermos, ficando reféns de suas exigências ameaçadoras e humilhações, além de não ter critérios de locais onde abordar,cometem verdadeiras aberrações,fazendo motoristas pararem caminhões pesados em aclives acentuados provocando riscos de graves acidentes. Fonte: Canal do Transporte

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