Como estão as BRs de João José dos Santos

Como estão as BRs de João José dos Santos

Florianópolis, 23.8.11 – Enquanto a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT), articula a permanência do superintendente do Dnit em Santa Catarina, João José dos Santos, no cargo, motoristas e passageiros correm risco na rodovia federal mais perigosa do Estado. De 2008 – quando a duplicação da BR-101 Sul deveria estar pronta – para cá morreram mais de 350 pessoas no trecho.
A conclusão da obra não tem previsão. São três os grandes gargalos. O túnel duplo do Morro dos Cavalos espera a licença do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) para que seja lançado o edital do projeto executivo. Depois serão necessários ainda três anos para a construção.
O Túnel do Morro do Formigão tem a situação mais peculiar. No começo deste mês, o Ibama expediu a licença de instalação, mas nada começou por falta de emprreiteira. A ponte estaiada sobre o Canal de Laranjeiras, em Laguna, a dificuldade é a oposta: o consórcio Camargo Corrêa/ Magno Martins/Construbase foi contratado, mas não tem autorização ambiental para iniciar os trabalhos.
Sem contar as três obras de arte, o Dnit promete entregar o restante da duplicação até o fim de 2012. Falta entregar 20% dos 238,5 quilômetros da via para asfaltar, 16 viadutos e duas pontes. Com três anos de atraso, conforme o site Transparência Pública, foram feitos 150 aditivos. Este fator somado aos reajustes, tornou a duplicação onerosa, passando de R$ 1,1 bilhão em 2004, para R$ 1,9 bilhão neste ano. No lote 25, entre Itapirubá a Capivari, foram pavimentados apenas 57% do trecho de 22 quilômetros. O lote 26, entre Tubarão e Sangão, ficou a um fio de ultrapassar o limite legal de 25% no valor original. Com uma elevação de 24,99%, o custo atual é de R$ 115,8 milhões. O mais atrasado é o lote 29, entre Araranguá e Sombrio, que tem previsão de ser concluído no fim de 2012. Estão prontos apenas um quilômetro de pavimentação e 40% do viaduto duplo do Contorno de Araranguá.
Fonte: Roberta Kremer/ Diário Catarinense

  Empresários se dividem nas opiniões

A atuação de João José dos Santos à frente do Dnit é contestada por liderança do Sul e elogiada no Norte.
– Se ele fizesse uma boa gestão, a duplicação estaria pronta. Sempre que eu ouvi ele falando (João José) e o governo, eles diziam que não faltava dinheiro e ainda hoje (ontem) eu viajei pela rodovia e a gente vê como falta coisa para concluir – disse o _ presidente da Associação Comercial de Criciúma, Olvacir Bez Fontana.
O presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) Glauco Côrte diz que a entidade não faz avaliação avaliação do desempenho pessoal do diretor do Dnit.
– O que a Fiesc tem feito é mostrar que a obra está atrasada e isso não é um juízo de valor, mas não nos cabe fazer nenhuma avaliação quanto aos gestores – afirmou.
O presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Durval Marcatto, contemporiza:
– Não temos nenhuma objeção ao João José enquanto pessoa. Ele, como superintendente, sempre nos recebeu muito bem e se mostrou interessado em atuar a favor dos nossos pleitos. Se há problemas, não acho que isso seja da alçada dele.
Para o presidente, os problemas de gestão poderiam ser facilmente resolvidos se os governos municipais, estaduais e federal deixassem de praticar o apadrinhamento partidário como forma de indicação para cargos importantes.
– Isso é uma coisa que acontece em todos os lugares, em todas as esferas e que precisa ser mudado – avalia.
Na opinião do presidente da Associação Empresarial de São Bento do Sul (Acisbs), Adelino Denk também é cauteloso:
– Nnós não acompanhamos o dia a dia, o que acontece internamente nesses órgãos. Pelo que eu sei, com as entidades de classe e com a sociedade que se mobiliza em prol de obras como a duplicação da BR-280, ele tem sido solícito e nos atende sempre que necessário.

Lote 26 aditivado e não concluído

Jaguaruna, 23.8.11 – Apesar de ter recebido 12 aditivos contratuais ao longo dos últimos seis anos, o Lote de 26 das obras de duplicação da BR-101, entre Capivari de Baixo e Sangão, está inacabado. Os últimos dois ou três quilômetros de estrada em meio a desvios são referentes a dois elevados no município de Jaguaruna e construídos pela Triunfo, a mesma empreiteira que há três anos desistiu de participar dos trabalhos no Lote 29, em Araranguá, e deixou uma lista de credores no comércio da região de Tubarão.
Essa parte inacabada da rodovia fica no trecho do Morro da Cebola, entre o trevo de acesso ao município de Treze de maio, onde está sendo construído um viaduto, e o elevado de acesso a Jaguaruna, onde a duplicação é uma realidade há mais de um ano. O trecho em obras não chega a causar transtornos intensos em épocas de grande movimento como na temporada de verão, mas é alvo de reclamações de moradores e empresários das duas pequenas cidades.
– Naquela área tem cerâmicas, posto de combustíveis e dezenas de residências e os desvios atrapalham muito o trânsito de veículos das empresas e clientes. O acesso a Treze de Maio é muito mal sinalizado, o risco de acidentes é grande – diz o prefeito em exercício de Jaguaruna, Lorisvaldo Felisbino Constante.
A promessa do Dnit é que essa última etapa do Lote 26 fique pronta em 90 dias. O ritmo de trabalho empregado pela Triunfo é intenso. Em 2006 a empresa assumiu o lugar da DM Construtora de Obras Ltda, que, por conta de dificuldades financeiras, abandonou o Lote 29, na região de Araranguá, com apenas 3% do cronograma concluído. Seis meses depois e também por motivos financeiros, a Triunfo abandonou as obras sem acrescentar nada.
Fonte: Marcelo Becker/ Diário Catarinense

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