Brasília, 20.07.11 – A presidente Dilma Rousseff decidiu reduzir a quantidade de etanol que é adicionada à gasolina no Brasil, como parte dos esforços para controlar a inflação, disse uma fonte do governo à agência Reuters.
Atualmente, a gasolina vendida nos postos brasileiros recebe 25% de álcool anidro. Dilma cogita reduzir esse percentual para 18% ou 20%, segundo essa fonte. A decisão deve ser oficializada ainda neste mês, com a implementação em agosto.
Na sexta-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, já havia admitido a possibilidade de o governo reduzir a mistura de anidro na gasolina entre o final de setembro a até no máximo o dia 1º de outubro.
– Estamos estudando isso constantemente e acreditamos que poderá ser feito antes do término da safra. Veja bem, eu não disse que será, mas que pode ser – afirmou, na sexta.
O aumento nos preços do álcool, em sintonia com a alta do açúcar no mercado internacional, tem sido um dos principais fatores responsáveis pela elevação da inflação.
O álcool continuou caro, apesar da entrada da nova safra, e essa tendência deve se manter porque a previsão do setor é de que a safra de cana de 2011-12 no Centro-Sul do Brasil apresente um declínio.
A medida do governo já era esperada por usineiros e economistas e pode atenuar substancialmente as pressões inflacionárias. Os combustíveis respondem por mais de 2,5% na cesta de itens que compõem o IPCA, principal índice de preços no país. Mas a alteração também acarreta riscos para outras áreas econômicas.
É comum que governos brasileiros modifiquem a mistura de etanol na gasolina, mas normalmente isso acontece na entressafra, quando o preço está mais alto. A decisão estudada por Dilma é excepcional por acontecer no meio da safra, o que torna mais imprevisíveis as consequências para o mercado.
A menor demanda pelo álcool anidro pode levar as usinas a produzirem mais açúcar, o que pode afetar a cotação global do produto. Hoje, cerca de metade da produção nacional de cana vai para a fabricação de etanol.
Outro efeito possível da medida é que a Petrobras pode ser obrigada a importar mais gasolina para compensar a menor adição de álcool. Fonte: Diário Catarinense