Tubarão, 1º.6.11 – Enquanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não coloca um ponto final na novela da licitação para as obras do túnel do Morro do Formigão, em Tubarão, motoristas que trafegam pelo local continuam sofrendo com os riscos causados pelo “aperto” das pistas naquele trecho.
Junto à ponte sobre o Canal Laranjeiras, em Laguna, e túnel no Morro dos Cavalos, em Palhoça, o túnel do Morro do Formigão é um dos gargalos da BR-101 e ficará por último na fila de projetos de obras especiais da duplicação.
Duas empresas concorriam à licitação. Serveng-Civilsan foi não habilitada por falta de documentos. A Sulcatarinense/Convap foi denunciada por ter os mesmos donos da empresa que realizou o projeto da obra. Por conta disso, o Dnit poderá abrir nova licitação.
As pistas simples pelos dois lados do morro têm ao lado a chamada terceira pista, destinada aos veículos de carga que trafegam em velocidade baixa na subida. Aí está a grande queixa dos motoristas. Na parte mais alta do morro, onde na década de 1970 foi feito um “corte” no paredão de rochas para a construção da rodovia, o risco de colisões laterais é grande quando as quatro vias são ocupadas por veículos de grande porte.
– A única vantagem desse morro é que a subida é curta, mas vez ou outra um caminhão acaba jogado para o lado por causa desse aperto e cai na canaleta de água. Quando sair o túnel, isso não acontecerá mais – afirma o motorista Joelson Citadin, 30 anos.
O motorista Líbio Barbosa Cardosa, 65 anos de idade e 33 na boleia, também reclama da lentidão dos caminhões carregados e das pistas apertadas, mas não esquece dos vários acidentes fatais que aconteceram no Morro do Formigão.
– Ali tem uma pequena comunidade que antigamente era chamada de “Vila das Viúvas” porque muitos moradores do local perderam a vida naquele trecho – recorda.
Um dos acidentes mais graves no trecho aconteceu em 2004. Uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) perseguia um veículo suspeito que não havia obedecido à ordem de parada no posto policial quando um carro que vinha da estrada geral da localidade de Sertão dos Correas cruzou a BR-101. O choque foi violento e quatro ocupantes do Gol dos fugitivos morreram no local. Dois policiais sofreram ferimentos leves. Em junho de 2007, um outro acidente grave por pouco não termina em uma tragédia ainda maior. Um microônibus que levava 29 passageiros de Turvo e Sombrio para consultas médicas na Grande Florianópolis caiu em uma ribanceira perto da ponte Juscelino Kubitschek. O resultado: um morto e 28 feridos. O motorista alegou que o microônibus teria sido fechado por um caminhão na descida do morro.
Túnel é a melhor solução
A construção de um túnel sobre o Morro do Formigão seria a única saída para viabilizar uma pista duplicada entre os km 338 e 340, segundo o Dnit. Uma pista convencional não poderia ser feita pelo alto custo das operações de escavações no rochedo e porque, nesse caso, não haveria por onde desviar o tráfego durante a execução do projeto.
– Para construir mais duas pistas paralelas às atuais, as condições de escavação teriam um custo operacional mais alto e exigiriam muito mais tempo de execução, principalmente por não ser possível interditar permanentemente a rodovia para realizar a construção das novas pistas.
– A construção do túnel não interfere no tráfego atual da rodovia, sendo a alternativa mais adequada – explica o engenheiro Huri Alexandre Raimundo, supervisor substituto da área de estudos, projetos e meio ambiente do Dnit no Estado.
O projeto do governo federal é construir um túnel de 900 metros de extensão que seria destinado ao tráfego do sentido sul-norte na rodovia.
A entrada no lado norte seria logo depois da ponte sobre o Rio Tubarão e a saída, nas imediações do trevo de acesso à estrada geral da localidade de Sertão dos Correas. A estimativa de custo prevista na licitação é de R$ 57 milhões.
Para o engenheiro civil Ricardo Saporiti, do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura em Santa Catarina(Crea/SC), responsável pela pesquisa da BR-101 feita pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o túnel no Morro do Formigão é a saída mais conveniente por conta da geografia no local.
– O morro é rocha pura, não tem como escavar por ali sem atingir o trânsito. O Dnit tem total razão em projetar o túnel. A única diferença do Morro dos Cavalos para o Morro do Formigão é que, em Palhoça, serão duas galerias, e em Tubarão, apenas uma, pois a pista atual será utilizada – ressalta o engenheiro.
Além dos caminhoneiros, a polícia rodoviária também lamenta os inconvenientes do trânsito no Morro do Formigão. É raro um dia em que um veículo de carga não aparece quebrado na subida do morro.
– Praticamente todos os dias temos de ir ao local para sinalizar a rodovia quando isso acontece – diz o policial rodoviário Teodoto Tonon.
Fonte: marcelo Becker/Diário Catarinense