Bento Gonçalves (RS), 22.3.11 – Em apresentação no encerramento do V Fórum de Transporte e Logística do Rio Grande do Sul, o publicitário Dado Schneider destacou a necessidade de modernização do setor.
Modernização e reciclagem foram as palavras-chave usadas pelo publicitário e especialista em marketing Dado Schneider, ao avaliar o desempenho e falar das necessidades do transportador brasileiro. Schneider foi o convidado especial do V Fórum, onde assistiu da plateia a todo o evento, com a missão de conduzir os debates finais.
Ao abrir sua apresentação, o publicitário elogiou o formato do fórum, que aconteceu nos dias 17 e 18, em Bento Gonçalves (RS). Destacou, em seguida, o rápido processo de mudança do mundo atual, e aconselhou os presentes a repensarem a própria atuação como representantes do setor de transportes. “Estamos a mercê de uma nova forma de relacionamento, mas para vocês isso é mais difícil ainda porque vocês são ensimesmados”, afirmou o publicitário.
Maior abertura, na opinião de Schneider, significa não apenas usar os instrumentos tecnológicos disponíveis no relacionamento com a sociedade, como a internet e as mídias sociais, mas estar atento a novos conceitos. ” Vocês tem que ter mais mulheres e mais jovens na plateia porque o mundo hoje é um mundo plural”, recomendou.
No último debate do fórum, mais uma vez foram levantados temas discutidos durante o evento. Entre esses temas, a carência de mão-de-obra no transporte de cargas e o papel do setor na capacitação de seus trabalhadores.
O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina, Pedro Lopes, criticou o fato de muitas vezes responsabilizar o empresário pela situação das rodovias, pelos caminhões e pelo treinamento do motorista, mas perguntou aos presentes quais as ações do governo cobradas há tantos anos pelo setor empresarial foram concretrizadas.
-Poucos conhecem a vulnerabilidade do motorista nas estradas, os riscos de assaltos, não tem onde parar, onde dormir. O reflexo disso está na saúde do motorista. Onde estão os pontos de apoio nas estradas?Quanto dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) é usado para formar motoristas? O dinheiro existe. Onde estão as balanças de pesagem nas estradas? Prometeram 300 balanças móveis e 30 fixas no Brasil, há quatro anos e hoje se temos 10 em todo o Brasil, são muitas.
O que o governo faz é exigências para aumentar os custos do transporte, lamenta Lopes. Lembrou aos participantes da palestra de Schneider, de apenas duas obrigações impostas pelo governo, nos últimos meses. A volta das faixas reflexivas, que haviam sido implantadas pelas empresas nos caminhões e abandonadas, de cobrança, pelos órgãos de trânsito. E além de novamente exigi-las, agora são em outro modelo, que devem gerar um custo de R4 1 bilhão e 400 milhões. E a certificação do cronotacógrafo,ao custo inicial de R$ 450,00 por veículo.No governo são cinco ministérios que tratam do transporte e isso se tornou uma desculpa para as muitas exigências e a falta de ação, disse Lopes.
-Cinco ministérios que jogam o setor de um lado a outro.
Também presente ao encontro, a coordenadora de Projetos Especiais da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Marilei Menezes, destacou a importância da questão ambiental na gestão do setor. “Todas as questões discutidas aqui podem ganhar força com o componente ambiental. Quando se fala em diversificação da matriz de transportes, isso significa reduzir emissões de poluentes”, disse.
Responsável pelo Programa Ambiental do Transporte da Confederação, o Despoluir, Marilei Menezes lembrou que o país tem uma frota antiga de caminhões, dos quais 85% pertencem a caminhoneiros autônomos. Esses profissionais, segundo a coordenadora, não têm acesso facilitado ao crédito para a compra de novos veículos. ” A CNT esta se mobilizando com o governo e o setor produtivo para formatar um programa de renovação de frota que seja viável.”
Para o presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas do Rio Grande do Sul, Paulo Caleffi, todos os temas levantados não são recentes, pois se repetem a cada nova edição do fórum. A novidade do evento este ano foi a aplicação de um novo modelo que permitiu a manifestação do contraditório. FonteSueli Montenegro
Redação CNT/Imprensa Fetrancesc






