Falta uma política de estado para reduzir custos do transporte, diz Lopes

Falta uma política de estado para reduzir custos do transporte, diz Lopes

Chapecó, 18.8.11 – Não se tem uma infraestrutura adequada para o desenvolvimento do transporte e da logística no Brasil e por isso “estamos chegando no limite”, disse o presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, no encerramento dos Encontros Regionais NTC&Logística, ocorrido no Lang Palace Hotel, em Chapecó, que discutiu os  Avanços Tecnológicos e Sustentabilidade como Instrumento de Competitividade do Transporte Rodoviário de Carga.
Para Lopes falta uma política de estado com o planejamento de ações para a redução dos custos do setor, que atenda especialmente ao sistema viário e de intermodalidade; menos tributos; segurança – para evitar a violência contra os motoristas, combater o roubo de carga e de equipamento. E uma nova visão securitária.
O presidente também defendeu uma participação maior dos fornecedores do transporte no negócio para que os custos sejam também absorvidos por todos para fortalecer o mercado consumidor.  No levantamento do custo para o transporte de uma carga, se 5% do valor ficasse como retorno pela prestação do serviço seria o ideal, hoje não tem esse percentual.
Lopes também defende a discussão sobre Parceria Público-Privada (PPP) para resolver problemas pontuais de infraestrutura. Segundo ele, falta uma gestão adequada para modernizar o país. Há uma morosidade em todas as etapas, no planejamento, na liberação, na contratação e na execução de qualquer obra.
Outro tema que chamou muito a atenção dos transportadores, especialistas e estudantes, que estiveram no Encontros Regionais, foi a palestra sobre Acidentes de Trânsito e o Transporte Rodoviário de Carga, ministrada pelo sociólogo, Eduardo Biavatti. Para ele, os acidentes de trânsito podem ser evitados. Não acontecem apenas por acontece, afirmou ele. Cada um, se analisar cada ponto da ocorrência, vai se descobrir a causa.
Ele citou o não uso de cinto de segurança e a alta velocidade. Chamou a atenção para o grande número de ocorrências com mortes de jovens e de cada 20 deles, dois ficam com sequelas graves. “Tem de ter medo de parar no grupo dos inválidos e não ter medo de morrer”, assegura.
Para ele, a geração jovem dos últimos anos não tem a noção das consequências. “Pessoas de conduta de risco tem uma constelação  de condutas de risco. Nós  temos um elemento forte que é a comunicação. O trabalhador jovem tem percepção baixa de segurança”.
Biavatti afirmou que não se trata de segurança e prevenção de acidentes com a seriedade que o assunto merece. Uma das críticas é que o governo brasileiro, estados e municípios sequer iniciaram o plano de redução de acidentes que deve ser implementado até 2020, a conhecida Década de Redução de Acidentes de Trânsito, instituída pela ONU, em 2010. Para ele faltam condições de infraestrutura e investimentos. Hoje os acidentes são a 9ª causa de mortes e em 2030 deverá ser a 5ª maior causa.
Ele também falou das mudanças que o transporte rodoviário de carga pode fazer para evitar essas ocorrências. Disse ainda que a “mídia acha que todo  caminhoneiro  é um bando de drogados. Mas é da geração.” O sociólogo repassou aos transportadores 10 passos para um programa de redução de acidentes: incorporar a liderança no processo e responsabilidade na cadeia gerencial – será que ninguém vê numa empresa as ocorrências de trânsito, do presidente aos funcionários? Defende ainda,  estabelecer rotinas de coleta de dados de acidentes e incidentes – análise do que aconteceu; adotar uma abordagem multidisciplinar com engenheiro, médico, psicólogo e cientistas sociais para entender o que acontece com aquele corpo de motoristas.
“Nos  esforçarmos para entender o contexto que engendra o acidente; estabelecer metas de gestão de segurança – definir um percentual; integrar os motoristas nas políticas de inspeção; fiscalização do uso de cintos; desenvolver programas de incentivos/bônus melhor performance; financiar integralmente a qualificação dos condutores e desenvolver programas  comunitários de educação. “As empresas deveriam fazer isso, pois os motoristas que se envolvem em acidentes não conhecem dirigir o caminhão. Motociclistas não têm ideia do que é partilhar uma rodovia com um caminhão”, argumenta Biavatti. Outro passo é  repensar as Sipats. Oferecer outras formas de abordagem e recrutar as mulheres para dirigir os caminhões. “Para concluir essa questão toda da segurança não é simples são fenômenos complexos do que se imagina,  só é possível  juntos.”

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