Frete aumenta 14,15%

Frete aumenta 14,15%

 Porto Alegre, 10.2.11 – Empresários do setor de transportes e logística reunidos  no último dia 3 de fevereiro, na sede do Setcergs,  deliberaram  o reajuste de 14,15% nos preços dos fretes, ratificando as decisões do encontro nacional da categoria, ocorrido no último dia 18 de janeiro, na sede da NTC & Logística, em São Paulo.
Na abertura dos trabalhos, o presidente José Carlos Silvano salientou que embora todo o crescimento do movimento de cargas e, que ainda deverá crescer mais, as empresas de transporte estão deficientes na rentabilidade. Lembrou que no encontro em São Paulo, representantes das mais importantes empresas do país manifestaram a necessidade de um mutirão nacional para elevar as tarifas do setor. Lembrou ainda, que desde 2003 esta Comissão interna do Setcergs vem sugerindo reajustes semestrais para as tarifas, geralmente aplicadas nos meses de março e setembro.
Salientou ainda que o Setcergs realiza análise de dados, monitorando mercados e estudando proposição de equalização de procedimentos, com vistas ao fortalecimento comercial das empresas e do setor, na busca de competitividade, análise de custos de insumos e indicação de tarifas de frete.
O coordenador da Comissão de Equilíbrio Concorrencial, Renê Mesquita, concordou com a manifestação do presidente do Setcergs sobre a necessidade da aplicação imediata deste reajuste. “O objetivo é que as empresas estejam saudáveis. É hora de criar uma consciência de que a nossa atividade precisa ser remunerada de acordo com a sua importância”, declarou.

Justificativas 

Indicando alguns fatores que determinam o reajuste de 14,15%, o presidente José Carlos Silvano assinalou que o Rio Grande do Sul tem uma das piores tarifas do país, a pressão do aumento do salário dos trabalhadores, restrições de caminhões, falta de motoristas, caminhões e a necessidade de renovação de frota.
Destacou que o setor tem enfrentado pesados custos com o óleo diesel. “O mais caro e o mais impuro do mundo”, enfatizou. Outro fator que determina este reajuste é o advento de novas praças de pedágios e suas elevações constantes de tarifas em várias rodovias do país.
A demora das entregas em grandes redes comerciais. “O tempo de entrega  obriga-nos a cobrar a Taxa de Dificuldade de Entregas, a chamada TDE”, apontou outro motivo para o reajuste.
Também somou às restrições urbanas de trânsito. “Esse problema nos obriga a cobrar a Taxa de Restrições de Trânsito, a TRR”, acrescentou.
Lembrou que o alto fluxo nas rodovias provocam mais acidentes e mais tempo de viagens. “Esses custos têm impactado fortemente nos resultados negativos do setor, mas que não estão em planilhas de custos, embora existam e devam ser aplicados nas tarifas de fretes”, recomendou o dirigente do Setcergs.
P
ara que o setor possa se preparar para atender a demanda de crescimento prevista para os próximos anos e fazer os investimentos necessários em renovação de frota, melhorias em tecnologias e terminais de cargas, sobretudo treinamento e melhores condições de trabalho para reter mão de obra especializada, o presidente José Carlos Silvano conclama: “torna-se obrigatório o reajuste indicado através de processo de renegociação com os clientes usuários do Transporte Rodoviário de Cargas”.

          Consenso Nacional

A decisão da reunião da Comissão de Equilíbrio Concorrencial do Setcergs em recomendar às empresas a repassarem imediatamente um reajuste de 14,15%, está em sintonia com o pensamento da Associação Nacional de Transportes e Logística (NTC&Logística).

    Recomposição Tarifária, Necessidade Urgente

Pesquisa do Decope aponta que aumento nos custos
operacionais, queda na produtividade e necessidade de investimentos exigem imediata recomposição dos fretes rodoviários de carga para enfrentar os desafios do amanhã.
Assim como outros segmentos da economia, o setor de transporte rodoviário de carga cresceu em 2010. E, mesmo sustentando um crescimento da ordem de 15% as empresas não estão comemorando este fato.
Apesar do cenário, pesquisa realizada pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais, Estudos Técnicos e Econômicos, da NTC&Logística) detectou que o frete cobrado ainda continua defasado em 14,15%.
Desde 2007, a NTC&Logística vem alertando seus associados para os efeitos deletérios do aviltamento do frete. Um deles, claramente visível nas ruas e rodovias, é o sucateamento da frota nacional de caminhões. Há outros igualmente preocupantes, como o alto índice de acidentes envolvendo veículos de carga, a elevada emissão de poluentes e a média salarial do setor.
Como se não bastasse a cobrança de fretes abaixo dos custos, a pesquisa indicou que algumas transportadoras, simplesmente, abrem mão de componentes tarifários essenciais.
Assim como os demais setores produtivos do Brasil, o transporte de carga deve enfrentar, no futuro próximo, grandes desafios, sendo o principal e mais preocupante deles o de atrair anualmente cerca de 120 mil pessoas para a profissão de motorista.
Cumprindo o seu papel, a NTC&Logística vem, mais uma vez, alertar as empresas do setor para a necessidade imediata e urgente de colocar um paradeiro na atual defasagem tarifária. Sem isso, dificilmente o setor poderá enfrentar com sucesso os desafios de hoje e de amanhã.
Evidentemente, o percentual médio de 14,15% é apenas o mínimo desejável para equilibrar receitas e despesas. É preciso também assegurar lucros que possibilitem os indispensáveis investimentos futuros.
A NTC&Logística também recomenda às empresas do setor que não abram mão, sob qualquer pretexto, do ressarcimento de custos significativos cobertos pelos demais componentes tarifários como o frete-valor, o GRIS, a cubagem e as generalidades.
É importante não esquecer que o Brasil vem crescendo, precisa crescer e crescerá nos próximos anos. As empresas do setor devem fazer sua parte para evitar que o transporte se transforme em grave obstáculo para o crescimento do País.

São Paulo, 03 de fevereiro de 2011.

Associação Nacional de Cargas e Logística (NTC& Logística)

Fonte: Wagner Dilélio/Imprensa Setcergs

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