Florianópolis, 11.1.10 – Os sinais de esgotamento da BR-101 podem ter saltado aos olhos no feriadão das festas de final de ano, mas, em uma observação mais atenta, percebe-se o problema na volta para casa de um domingo de sol, no trecho Sul, em Palhoça, ou no início e final de um dia de semana, em perímetros urbanos, o que já ocorre no acesso a Florianópolis.Para José Leles de Souza, especialista em trânsito e presidente do Instituto de Certificação e Estudo de Trânsito e Transportes, ao confrontar dois dados dá para entender o apagão rodoviário: a frota de veículos no Brasil cresce entre 7,5% e 8% ao ano. Só em Santa atarina, em seis anos, são 1,2 milhão de carros a mais nas ruas. Já a ampliação de uma rodovia demora quase uma década para acontecer. A duplicação dos 248,5 quilômetros do trecho Sul da BR-101 começou em 2005 com prazo de término em 2008. Hoje, a finalização está prevista para 2012, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Um estudo da Fiesc contesta a data e joga o término da obra, considerando a construção do contorno de Araranguá, um dos pontos que já apresenta congestionamentos, para 2014. O próprio Dnit afirma que entre cinco e 10 anos a rodovia precisa de ampliações ou as filas
passarão a dominar não só nos dias de verão ou feriadões durante o ano.
– Caótico. Este é o cenário que se forma quando pensamos na rodovia daqui a cinco anos – afirma José Leles.
Ricardo Saporiti – engenheiro civil especialista em rodovias e contratado pela Fiesc para realizar um estudo sobre a duplicação – também prevê o crescimento dos engarrafamentos no trecho Sul, principalmente em Tubarão, onde a rodovia continuará cortando a cidade, mesmo
com a duplicação. Como em Tubarão, outros quatro pontos dos sete levantados pelo Diário Catarinense são locais onde a rodovia passa por dentro de cidades, fazendo com que o trânsito local some-se ao tráfego de turistas e caminhões.
Iluminar a BR-101 requer planejamento e, principalmente, agilidade para criar novos traçados, desviar tráfego e melhorar acessos. Ao lado, o DC reuniu soluções. Alguém pode alcançar o interruptor e acender a luz?
Ano Veículos
2009…………………………………..3.174.765
2008…………………………………….2.937.056
2007…………………………………..2.706.084
2006…………………………………….2.477.682
2005…………………………………..2.282.305
2004…………………………………….2.101.397
2003…………………………………..1.933.785
Fonte: Detran
Crescimento do fluxo – Trecho Norte
ñk Em 2007, 25 mil veículos por dia, subindo na temporada para 35 mil.
ñk Em 2009, a partir de uma contagem detalhada feita nos quatro postos de pedágio (Garuva, Araquari, Porto Belo e Palhoça), chega-se a uma média de 35 mil veículos por dia fora da temporada.
Segundo a Autopista Litoral Sul, o crescimento foi de 65,03% entre 26 de dezembro e 4 de janeiro, o que corresponde a 57 mil veículos diariamente deslocando-se no trecho Norte.
Trecho Sul
ñk Em 2007, estima-se que 15 mil veículos passavam por dia subindo para 18 mil na temporada.
ñk Em 2009, estima-se que, por dia, passavam 18 mil veículos, subindo para 25 mil durante a temporada.
*Não há levantamento de 2008
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Média de fluxo de veículos que passam nos pedágios fora da temporada. O número de caminhões se iguala ao número de carros |
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carros |
caminhões |
ônibus |
total |
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Garuva |
15.736 |
15.952 |
299 |
31987 |
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Araquari |
25.407 |
15.261 |
328 |
40996 |
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Porto Belo |
12.401 |
15.387 |
333 |
28121 |
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Palhoça |
10.225 |
11.146 |
255 |
21626 |
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* Não constam no levantamento número de motos. * Não há levantamento de 2008. |
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Fonte: Dnit e Laboratório de Trânsito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) |
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Em cinco anos, será intransitável
Quando a duplicação estiver pronta, a rodovia só vai atender a demanda reprimida. E s nossos prejuízos vão continuar ano após ano – afirma Alaor Tissot, presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc). Tissot refere-se ao escoamento de produção entre o Sul e o restante do Brasil, para o qual a BR-101 é a principal rota. Hoje, conforme uma pesquisa do Laboratório de Trânsito da Universidade Federal de Santa Catarina em parceria com o Dnit, a partir das praças de pedágio, em média 45% do fluxo da rodovia é de veículos de carga, quase metade do fluxo total da rodovia.
A empresa de logística Libra, terceira no mercado brasileiro no transporte de produtos da área médica e também de caixas eletrônicos de banco, coloca na rodovia entre seis e 10 caminhões por dia. Os congestionamentos geram à empresa 6% de custos a mais, que vão de diárias, horas extras, adicional noturno do motorista, da equipe de retaguarda, administrativa e operacional, consumo maior de combustível e maior desgaste do veículo.
– Se continuar como está, daqui a cinco anos, será intransitável. Terá que ter um horário para carro e outro para caminhão – afirma Irai Lopes da Silva, diretor comercial da Libra.
Elias Sombrio, diretor-superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de passageiros no Estado de Santa Catarina (Setpesc), conta que os atrasos nas viagens de ônibus por conta dos congestionamentos chegam a quatro horas, gerando um custo adicional em torno de 30% por ônibus.
Para o Natal e Réveillon, as empresas de ônibus tiveram que colocar 200 novos carros extras na rua, reflexo da demanda e da adequação de horários para não atrasar partidas.
Fonte: Diário Catarinense