O perigo mora nas curvas

O perigo mora nas curvas

Campo Alegre, 29.12.2009 – Os trechos sinuosos, a descida íngreme da Serra Dona Francisca e a imprudência dos motoristas contribuem para uma triste estatística. O ano nem terminou e já ocorreram mais cinco mortes do que em 2008.
São 11 vidas perdidas em 2009 em um trecho de apenas 29 quilômetros da SC-301, rodovia que liga Joinville a Campo Alegre. No ano passado, cinco pessoas morreram. Em 11 meses, a Polícia Rodoviária Estadual registrou 112 acidentes, que resultaram em 71 feridos e 11 mortes. Em apenas dois acidentes, seis pessoas perderam a vida. Estatística que chama a atenção para uma realidade: o perigo está nas curvas e no excesso de confiança dos motoristas.
Em poucos minutos parado perto de uma trecho sinuoso, é possível fazer essa constatação. Quem dirige ônibus e caminhões, quase sempre carregados, nem sempre usa o freio a motor (que segura mais o veículo). O comandante da Polícia Militar Rodoviária (PMR) de Campo Alegre, sargento João Filhakoski, chama a atenção para esse recurso.
– Se usar a marcha inadequada, o condutor pode perder o sistema de freio e provocar um acidente – explica o policial.
O motorista Adalberto Batisti, 32 anos, viaja a cada 15 dias para Campo Alegre. Ele conhece bem a Serra Dona Francisca, mas afirma que não se descuida e sempre fica atento ao movimento.
– Já vi muito acidente, muita carreta tombada em curvas – diz.
Apicultor de Major Gercino, a cem quilômetros de Florianópolis, Adalberto tem apiários no Planalto Norte catarinense. Entre setembro e dezembro, as viagens a Campo Alegre se tornam mais frequentes, pois é época de colheita e o mel é exportado. Adalberto nunca se envolveu em acidentes e, para isso, tem um segredo.
– Tem que andar devagar e cuidar – avisa o apicultor.
Venilton Benti, 52 anos, passa pelo trecho todos os dias. Semanas atrás, os cuidados ao trafegar pela rodovia foram redobrados.
– Fui levar meu neto recém nascido no médico, em Joinville – contou.
A família toda no carro era um motivo a mais para dirigir de forma preventiva.
Vendedor há mais de 35 anos, Benti sai de Rio Negrinho cedo e viaja a Joinville para fazer negócios.
– Temos que cuidar muito dos outros, principalmente dos jovens. Eles andam rápido, bebem e não respeitam ninguém.
Fonte: Diário Catarinense – 27.12.2009

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