O piso que assusta

O piso que assusta

Florianópolis, 24.8.09 – Lideranças empresariais, orientadas pela Fiesc e pelo Conselho das Federações, anunciaram uma nova mobilização, nesta segunda-feira, para tentar convencer os deputados estaduais à rejeição do projeto do salário regional encaminhado pelo governador Luiz Henrique. Nos municípios, os presidentes dos sindicatos também procurarão os parlamentares para apresentarem seus argumentos sobre os riscos de aumento do desemprego em diversos segmentos da atividade produtiva.
A proposta do piso salarial foi o tema mais debatido na última reunião da diretoria e dos conselhos da Federação das Indústrias. O alvo principal das críticas foi o governador, pela autoria do projeto.
Os deputados governistas e o Centro Administrativo têm reiterado reparos à ação política da Fiesc, alegando que a federação se omitiu. Foi convidada pela secretária Dalva Dias a participar de várias reuniões destinadas a tratar do piso, mas não compareceu. O presidente Alcantaro Corrêa rebateu, dizendo que a Fiesc enviou vários ofícios a Luiz Henrique sobre a polêmica matéria, sem receber uma única resposta.
Para os dirigentes empresariais, o governador remeteu a proposta para capitalizar votos entre os trabalhadores de todo o Estado. Estaria subordinando a iniciativa ao desejo de se eleger senador. Mas os governistas sustentam que o piso regional está previsto na Constituição Federal e que Santa Catarina é o único Estado do Sul sem este benefício aos trabalhadores.

Demissões

  • – Não somos contra o piso regional. Somos a favor de bons salários, fixados pela livre negociação. Não desejamos a política interferindo em questões de mercado. Somos a favor de sindicatos livres – proclamou, com ênfase, o vice-presidente Glauco José Corte, ao sustentar que a política moderna, em todos os continentes, é pela livre negociação.
    Os depoimentos mais contundentes, contudo, partiram de empresários de outras regiões, anunciando que haverá demissão em massa, especialmente nas pequenas empresas e no meio rural. As maiores indústrias já pagam salários acima dos propostos e encontrarão mecanismos para recompensar o aumento dos gastos com pessoal. Mas os micro e o setor agrícola buscarão automação ou a informalidade, o que seria péssimo para a economia catarinense.
    Outro aspecto que preocupa o setor produtivo está no forte componente político. Aprovado o piso regional, as decisões sobre reajustes salariais sairão da órbita das relações capital–trabalho, ou empregado–empregador, para a Assembleia Legislativa. Haverá, segundo afirmam, contaminação das negociações coletivas de trabalho. Os sindicatos ficarão aguardando os índices do novo piso, para só depois partirem para os acordos coletivos com as empresas.
    Vários industriais contestaram, também, a transferência de poder. Com o piso aprovado, o salário não será mais fixado e pago por quem contrata os empregados por suas qualidades e pelo mercado. Tudo será decidido pelos deputados, que não conhecem a realidade das empresas. Além disso, o empresário decide sobre dados da economia e do mercado, enquanto os parlamentares atuam sob pressão política.
    O projeto está na Comissão de Finanças, com vista para o deputado Kennedy Nunes, do PP. Deverá ser remetido na quarta-feira para a Comissão de Economia. É ali que os empresários deverão concentrar a estratégia. Sua composição tem número menor e seus membros estariam mais receptivos aos clamores dos empresários. Fonte: Moacir Pereira/Diário Catarinense

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