Araranguá, 14.10 10 – Os moradores das margens da BR-101 entre Araranguá e Sombrio esperam, mais uma vez, máquinas na pista no trecho do lote 29, um dos mais atrasados das obras de duplicação. Os trabalhos, desta vez feitos pela quarta empresa contratada, devem começar na segunda-feira. A empreiteira ainda está em fase de conclusão de levantamento topográfico e de contratos com jazidas.
Desde que foi anunciada a empreiteira vencedora da licitação, no dia 13 de setembro, o Consórcio Construcap/Modern/Ferreira Guedes – mesmo responsável pelos lotes 24 e 28 – recebeu 30 dias para a contratação de funcionários, conclusão da topografia dos terrenos e do licenciamento das jazidas, além da instalação do canteiro de obras com usina de asfalto e britadores.
Pelo levantamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), nos próximos dias serão pavimentados os trechos com a terraplenagem concluída. Serão abertas, também, estradas de serviço para a construção do viaduto de dois quilômetros em Araranguá.
O reinício das obras não alivia a ansiedade do caminhoneiro Antônio Afonso Bittencourt, 60 anos, morador do Bairro Sanga da Areia, em Araranguá. Como nasceu na localidade, não perde a esperança de ver a duplicação antes de morrer:
– Quando se vai à missa o padre dá conselhos e a gente sai com esperança. Com a rodovia é a mesma coisa, há esperança sempre que aparece alguém e diz que vai sair a estrada. – aguarda o caminhoneiro.
O Consórcio Construcap/Modern/Ferreira Guedes não tem um cronograma para a conclusão de cada etapa, mas ressalta que não cogita atraso algum na entrega da obra, prevista para março de 2012. O coordenador das obras, Silvano Macatrozo, afirma que o prazo será cumprido:
– Vamos concluir a obra em 18 meses, sem atraso. Acredito que a maior dificuldade seja a construção do contorno em Araranguá, porque quando chove demais alaga a área e não conseguimos ter acesso. Mas isso não é um entrave. As atividades começam com a construção do elevado do contorno.
Greve continua no lote 25
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) esperava solucionar ontem o problema da paralisação das obras da duplicação no lote 25, entre Laguna e Capivari de Baixo, mas a reunião decisiva acabou transferida para hoje.
Duas empresas terceirizadas contratadas pelo consórcio Blokos/Araguaia/Emparsanco, responsável pelo trecho, entraram em greve na semana passada alegando falta de pagamento nos últimos seis meses.
Uma reunião entre as duas partes seria mediada pelo Dnit, mas um diretor do consórcio, que vem de São Paulo para tratar desse assunto em Santa Catarina, se atrasou por conta de problemas de saúde e deve estar presente no encontro, marcado para hoje. O Dnit espera resolver de forma definitiva essa questão até amanhã ou irá tomar providências mais radicais, segundo informou o diretor do órgão federal na cidade de Tubarão, Avani Aguiar de Sá.
– A obra está parada e isso não pode acontecer. Medidas drásticas podem ser tomadas – explica o diretor, indicando uma possível rescisão de contrato do consórcio caso a situação não se resolva.
As duas empresas contratadas pararam de trabalhar há uma semana, deixando sem atividade 50 operários e dezenas de máquinas e caminhões. Os proprietários alegam que estão há seis meses sem receber dinheiro e que o valor da dívida passa de R$ 1 milhão. Os diretores do consórcio Blokos/Araguaia/Emparsanco admitem dificuldades financeiros e que estão “equacionando” os problemas. Fonte: Diário Catarinense