PAC cumpre apenas 46% dos objetivos

PAC cumpre apenas 46% dos objetivos

Brasília, 3.6.10 – Lançado em 2007 como um grande pacote de obras para o segundo mandato do governo do presidente Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda não chegou, pela ótica financeira, à metade de seus objetivos. Considerando os R$ 656,5 bilhões em investimentos previstos no programa para até 2010, foram concluídas, até abril deste ano, ações equivalentes a R$ 302,5 bilhões, ou 46,1% do total. A informação consta do 10º balanço do PAC, divulgado, ontem, pelo governo. Fonte: Diário Catarinense

O DESAFIO DA INFRAESTRUTURA*

O balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), feito ontem pela Casa Civil, revela que, desde janeiro de 2007, os recursos investidos somam R$ 463,9 bilhões, volume significativo para um país historicamente pouco comprometido com planos continuados de execução de projetos de interesse imediato para a sociedade. O mesmo levantamento, porém, demonstra que, por diferentes razões, menos da metade das obras previstas pelo maior plano dos investimentos do país já foi concluída. E acaba reforçando os resultados de levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que, embora criticado pelo Planalto por não levar em conta o ano passado e o retrasado, quando as verbas para obras aumentaram, faz um alerta oportuno para os desafios a serem enfrentados em áreas como a de rodovias e aeroportos.
O levantamento da Casa Civil reconhece que grandes empreendimentos, como a duplicação do trecho Sul da BR-101, se encontram hoje com o selo amarelo, convenção escolhida para designar um projeto merecedor de atenção especial. O mesmo estudo demonstra que, na área energética, só metade da programação foi concluída, enquanto no setor de transporte aéreo a situação preocupa, particularmente no caso das reformas de alguns complexos importantes, como as do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, de Brasília. Isso significa que, mesmo aplicando mais em relação a anos anteriores, como é alardeado a cada balanço oficial do PAC, o país ainda investe menos do que o necessário em áreas essenciais. Isso ajuda a explicar a particularidade de, em algumas áreas, o Brasil enfrentar problemas sérios já neste momento, o que exige providências imediatas e eficazes.
A situação é deveras preocupante pelo fato de o país ter conseguido atenuar, internamente, os efeitos da crise econômica global, retomando um ritmo de expansão da atividade econômica visto pela grande maioria dos analistas como consistente e com tendência a se manter nos próximos anos.
Além deste horizonte previsível, o Brasil ainda terá pela frente alguns eventos importantes que demandam mais infraestrutura, como é o caso da Copa das Confederações em 2013, da Copa do Mundo em 2014, com jogos por diferentes capitais, e dos Jogos Olímpicos em 2016 no Rio de Janeiro. A combinação de estabilidade com crescimento continuado acena, também, com um aumento considerável na demanda por rodovias, responsáveis por 70% do transporte de carga no país, e pela oferta de bens e serviços de maneira geral, incluindo desde energia elétrica até a rede hoteleira.
O país não pode correr o risco de precisar conter a expansão econômica por carências em áreas como a de transporte ou a energética. Isso significa a necessidade de investir ainda mais do que hoje e, ao mesmo tempo, de zelar, permanentemente, pelo rigor no cumprimento do cronograma de execução das obras. Fonte: Editorial Diário Catarinense

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