Porto Alegre, 30.6.10 – O presidente da NTC & Logística, Flávio Benatti e o secretário geral da Câmara Interamericana de Transportes (CIT), Paulo Vicente Caleffi falaram sobre a renovação de frota e a experiência na América Latina e projetos para o Brasil na tarde de terça-feira, 29, dentro da programação do Congresso da 12ª Transpo-Sul.
O mediador da palestra, Milton Schmitz, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas da Carazinho e Região (Sindicar), destacou o fato de estar ao lado de dois ícones do transporte brasileiro. “Como é importante está evento que acontece no TRC gaúcho”, declarou Schmitz.
Ao iniciar a palestra sobre o tema proposto, Flávio Benatti, assinalou que o assunto tem provocado muitos debates dentro do setor de transportes. “O fato mais grave é a realidade da frota nacional de caminhões e para minimizar essa realidade estamos sugerindo a criação do Plano Nacional de Renovação de Frota de Caminhões (RenovAR)”, enfatizou Benatti. Sobre este cenário, apontou que 44% da frota nacional tem mais de 20 anos, sendo que 85% desses veículos estão nas mãos dos autônomos. Também mostrou a preocupação de uma pesquisa que mostra que 61% dos óbitos em acidentes de trânsitos e 39% de invalidez permanente envolvem veículos de cargas.
Apontou as vantagens econômicas e sociais da renovação de frota de caminhões como redução de acidentes de trânsito, menos poluição no meio ambiente e aquecimento do mercado.
Depois explicou o Procaminhoneiro lançado pelo Governo Federal atende a questão dos juros, prazos e fundo de aval, mas que o maior problema para o autônomo é comprovar a sua renda. “Esse fato se deve ao fato que no Brasil mais de 60% do mercado de fretes está na informalidade”, repetiu Benatti o que havia citado no seu discurso de abertura da 12ª Transpo-Sul. “A questão da renovação de frota é tão importante que deve ser tratada como uma política de governo”, complementou Benatti.
Exemplos
Já o secretário geral da CIT diz que este problema é muito antigo. “Estou há mais de 30 anos no setor e problema para que se perpetue”, enfatizou Caleffi. Como dirigente da entidade que congrega o setor de transportes das três Américas, citou exemplos da Colômbia e do México, onde testemunhou acordos neste sentido. “O nosso objetivo é que o caminhão velho desapareça”, explicou. Mas para que isso se viabilize disse que é preciso financiar o caminhão novo, que as siderúrgicas comprem as sucatas e o governo não cobre impostos. “Um custo de um caminhão com mais a partir de cinco anos de uso aumenta em 89%”, informou.
Lembrou ainda que um caminhão com mais de 10 anos de uso, consome mais combustível. “Quando mais velho o veículo, mais gasta óleo diesel”, exemplificou.
Caleffi finalizou salientando que o próximo passo para consolidar esse processo de renovação de frota no Brasil é buscar o envolvimento de todas as entidades ligadas ao setor, tanto de empresas como de autônomos. “Queremos fazer algo que está dando certo em outros países”.
Fonte: Wagner Dilélio/ Imprensa Setcergs