Florianpopolis, 27.6.11 – Treze anos de promessas e nada de obra. Técnicos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vão apresentar hoje novas atualizações do projeto para o Rodoanel da Grande Florianópolis. Conhecido também como Anel de Contorno Viário, o Rodoanel pode acabar com os congestionamentos na BR-101 na região.
Uma das principais mudanças é o alargamento das margens da BR-101, entre Biguaçu e Palhoça. Caso seja aprovada, esta alteração terá seu custo incluído no pedágio da rodovia.
Moradores da Grande Florianópolis estão convidados para debater o assunto, na audiência pública que a Assembleia Legislativa promove hoje, às 9h, na Capital.
O Rodoanel é um desvio por onde circularão o tráfego pesado e de longas distâncias. No projeto original – feito em 1998 pelo então Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), o traçado tinha 47,33 quilômetros, entre o km 175 da BR-101 (Rio Inferninho) até o km 220, pouco antes da praça de pedágio em Palhoça.
No novo traçado, o Anel Viário passaria a ter cerca de 14 quilômetros a menos, começando no km 196, em Biguaçu até o km 220, em Palhoça, de acordo com o deputado Edinho Bez (PMDB), coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, que teve acesso ao novo projeto.
Bez diz que o encurtamento do trecho seria compensado pela ampliação das marginais da BR-101 no trecho do Anel Viário, que passariam a ter duas pistas cada. Esta “quadruplicação” das marginais, como chamou Edinho, seria uma complementação da obra do Rodoanel e teria um custo extra para a empresa responsável pela obra do anel viário, a Autopista Litoral Sul, concessionária do trecho Norte da BR-101, onde será construído o contorno.
Novo orçamento
O projeto inicial está orçado em R$ 200 milhões com previsão de quatro anos de obra.
– Estes 14 quilômetros que sobram não cobrem a quadruplicação. Em 40 dias – prazo que começou a contar no 22 de junho – a ANTT apresentará o novo orçamento, mas já antecipou que vai ser mais caro e terá uma boa diferença – disse o deputado.
Bez adiantou que apresentou a nova proposta no dia 21 ao ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e que ele teria aprovado a mudança.
– Ele gostou, mas não pôde garantir o financeiro. Vamos conversar com o Ministério do Planejamento para autorizar os novos recursos – falou o parlamentar. Se a diferença for muito grande, os recursos podem não sair do governo federal, disse Bez.
– Será estudada uma forma de incluir o custo no pedágio, feito pela Autopista e outra empresa por meio de licitação. Neste caso, o contrato com a Autopista seria mantido e a empresa vencedora da nova licitação dividiria o lucro do pedágio, proporcional ao valor gasto na obra, com a atual concessionária. Mas isso é um plano B, queremos resolver com o governo federal – disse o deputado.
Previsão de início é março de 2012
O início da obra do Rodoanel está previsto para março do ano que vem e a conclusão, para dezembro de 2015, de acordo com o deputado Edinho Bez.
– Se o governo autorizar a quadruplicação, só o projeto vai definir os prazos e o orçamento desta complementação – disse o parlamentar.
Caso o governo federal não autorize a ampliação das marginais, o projeto volta para sua forma original: traçado de Tijucas a Palhoça.
A ANTT, em Brasília não adiantou o conteúdo do que será apresentado na Assembleia Legislativa. A assessoria informou que a agência será representada por Mário Mondolfo, superintendente de exploração de infraestrutura rodoviária da ANTT e responsável por todas as concessões federais.
Sobre a complementação da obra do rodoanel, a Autopista Litoral Sul disse que a empresa só vai se manifestar depois que a proposta for apresentada oficialmente, hoje. A assessoria não confirmou a presença de representante da Autopista, mas disse que, provavelmente, alguém da empresa estará na audiência.
O secretário de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, Renato Hinnig, salientou a importância da obra e da audiência.
– É uma obra de fundamental importância para o desenvolvimento econômico dos municípios do entorno, porque vai resolver o problema de mobilidade urbana na região. O objetivo da apresentação do estudo, hoje, é dar ciência e ter o aval da população no projeto – concluiu Hinnig.
Trecho norte inacabado
Você trafega pelo trecho Norte da BR-101, em SC, paga pedágio e pensa que a obra está pronta. A falta do Rodoanel na Grande Florianópolis é uma das provas de que nem tudo foi concluído. Mas esta não é a única obra que ainda não saiu do papel.
O trecho Norte vai de Palhoça até Garuva, na divisa com o vizinho Paraná. São 382,3 quilômetros, cujas pistas estão duplicadas desde 2001. Mas, além do Rodoanel, há muitas coisas para serem feitas.
O sistema de controle de velocidade, medida que ajudaria a diminuir o número de acidentes, também não está funcionando. Previsto para o primeiro ano de contrato, em 2008, foi prorrogado com a anuência da ANTT. Mudanças nas características dos equipamentos foram alegados para o atraso.
Em fevereiro de 2010 a ANTT também aprovou a modificação em prazos do Plano de Exploração da Rodovia (PER), onde constam obras e serviços que precisam ser cumpridos. Entre eles estão 17 tipos de construções, como marginais, passarelas e viadutos, acessos e pontes. O Ministério Público Federal tem contestado as prorrogações e até o aumento nas praças de pedágio. Fonte: Diário Catarinense