Florianópolis, 15.12.10 – A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) divulgou um novo estudo sobre a BR-101, desta feita da parte já duplicada há anos, mas ainda não concluída faltam vias marginais, passarelas, o contorno viário da Capital. E de novo, a exemplo do que já ocorreu incontáveis vezes nos últimos anos, tanto na parte Sul quanto na Norte, o relatório trouxe a confirmação do que já se previa: Santa Catarina está abandonada à própria sorte.
O estudo, sobre trecho concedido à Autopista Litoral Sul, que vai de Palhoça, na Grande Florianópolis, até Curitiba, num total de 382,3 quilômetros, mostra uma diferença assombrosa nos investimentos na rodovia em Santa Catarina e no Paraná. A indignação pelo tratamento diferenciado só aumenta quando se constata que quatro das cinco praças de pedágio ficam em SC, bem como 70,5% do trecho concedido.
Enquanto, no Paraná, estão sendo executadas obras de vulto, em SC são realizados trabalhos de menor proporção. Aqui, remendos na pista; lá, restauração no pavimento e sinalização de qualidade. Por que esta diferença? Por que o PR tem prioridade?
São muitas as perguntas, e talvez a resposta esteja na casa dos nossos vizinhos paranaenses. O Paraná dá mostras de como fazer valer seus direitos, enquanto SC dorme em berço esplêndido. Um exemplo é o episódio do contorno viário de Florianópolis, com projeto aprovado há anos, mas que não sai do papel porque a própria concessionária, parte interessada, conseguiu autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para modificá-lo, e reduzi-lo, além de ter ganho um prazo a mais para concluí-lo. Como escreve o colunista Moacir Pereira, “o galinheiro passou a contar com a vigilância de uma nova raposa”.
A classe política de Santa Catarina precisa, urgentemente, mostrar a mesma disposição que tem quando busca cargos nos governos da vez na defesa dos interesses da população, de quem os elegeu. O que se vê, infelizmente, é omissão. Editorial Diário Catarinense
101: falta cobrar
O presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa, viajou a Brasília para a última reunião do ano da CNI. Levou consigo o estudo sobre a lamentável situação do trecho Norte da BR-101 e os estudos técnicos do engenheiro Ricardo Saporiti mostrando notória discriminação do trecho catarinense em relação ao paranaense. Ambos são mantidos pela Autopista Litoral Sul. O registro mais grave do trabalho técnico refere-se à obrigação contratual da concessionária de executar as obras do contorno de Florianópolis. Até agora nada aconteceu. E a Agência Nacional de Transportes Terrestres, para agravar, sepultou o projeto já aprovado, delegando à Autopista o trabalho pela elaboração do novo traçado. Repita-se à exaustão: estatísticas da Polícia Rodoviária Federal revelam que o trecho da BR-101 entre Palhoça e Biguaçu é o terceiro mais violento do Brasil, entre todas as rodovias federais, em número de vítimas fatais.
A Fiesc enviou cópias dos estudos à ANTT, ao ministro dos Transportes, ao governador e ao Dnit, anunciando que realizará uma reunião da Câmara de Logística com as autoridades, a representação política e as entidades empresariais. Aguarda, também, o teor do voto que mudou o contrato com a concessionária.
O que tem feito o Fórum Parlamentar Catarinense sobre esta trágica realidade da BR-101 e do contorno? Senadores e deputados federais sabiam desta discriminação? O prefeito Ronério Heiderscheidt, que comandou demagógicas reuniões para tentar impedir o pedágio na praça da Palhoça, sabia que o contorno norte estava sepultado? Os prefeitos Djalma Berger, de São José, e José Castelo, de Biguaçu, não estão preocupados com esta carnificina na BR-101? O prefeito de Florianópolis, Dário Berger, não quer acabar com este calvário diário dos usuários da Via Expressa Continental?
DIAGNÓSTICO
Durante a apresentação do relatório de Saporiti, o presidente Alcantaro Corrêa procurou uma explicação para a discriminação contra o Estado, já que o contorno de Curitiba está pronto e o trecho da 101 (lá chama-se BR-376) do Paraná é incomparavelmente melhor e mais seguro. A única resposta: a Autopista tem sede em Curitiba e a maioria dos engenheiros é do Paraná. Logo… Mas pode haver outra. O trecho de Santa Catarina é subordinado à regional da ANTT de Porto Alegre, enquanto o trajeto do Paraná vincula-se à regional da ANTT de São Paulo. A unidade paulista é mais organizada e competente do que a gaúcha, dizem os técnicos.
A propósito, pergunta repetida pelo setor produtivo: onde anda o Ministério Público Federal, tão cioso em embargar projetos turísticos e produtivos na Grande Florianópolis? Fonte: Moacir Pereira/Diário Catarinense
Fiesc questiona investimentos
Santa Catarina abriga quatro das cinco praças de pedágio no trecho concedido à Autopista Litoral Sul entre Palhoça e Curitiba (PR). Mesmo assim, os investimentos em obras e melhorias feitos no Paraná são maiores aos aplicados no trecho catarinense.
Enquanto a receita aumentou 25,2% em um ano, os investimentos estão R$ 13 milhões abaixo do previsto. A constatação faz parte do estudo apresentado, ontem, pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).
O levantamento foi feito pelo engenheiro civil Ricardo Saporiti, com o apoio do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea/SC) e será encaminhado para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, à Autopista Litoral Sul, ao governo do Estado e ao Ministério dos Transportes.
De acordo com o engenheiro, é possível visualizar em solo paranaense grandes obras sendo feitas, como a correção do traçado entre os quilômetros 652 e 654, ao contrário de SC, onde apenas serviços considerados de menor proporção são executados, como a construção da marginal em Balneário Camboriú.
– Aqui estão fazendo remendos na pavimentação, enquanto na BR-376 a restauração é profunda. A diferença na qualidade da sinalização também é bastante perceptível. É preciso ter um padrão. Por que aqui é de uma maneira e no Paraná é de outra? Que tipo de fiscalização é essa que não percebe esse contraste? – questiona.
Prorrogação do Contorno de Florianópolis em pauta
Outro ponto destacado é a prorrogação do prazo para a execução do contorno de Florianópolis, considerado a principal obra da BR-101 Norte. O adiamento foi autorizado em fevereiro deste ano pela ANTT, responsável por fiscalizar a concessão. A conclusão do contorno viário estava prevista para 2012, mas ficou para 2016. O motivo alegado foi a necessidade de alteração no projeto original e mais tempo para os estudos de execução.
– Deveríamos já estar com 60% da obra executada. Se tinham um projeto pronto por que deram para a Autopista modificar? Isso é incompetência e está sendo feito por debaixo do cobertor. Os usuários convivem há quase dois anos com a cobrança de pedágio sem poder usufruir dos benefícios que deveriam ser gerados – alerta o presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa, que assinou ontem um convite para a ANTT participar da reunião da Câmara de Transporte e Logística da Federação, ainda sem data definida.
A Autopista Litoral Sul informou, por meio de nota, que o início das obras do Contorno de Florianópolis aguarda análise dos relatórios ambientais e que, pelo contrato, deve realizar a obra entre o quarto e o sétimo ano da concessão. Já as passarelas devem ser construídas até o quinto ano de concessão.
Fonte: Melissa Bulegon/Diário Catarinense – 14.12.10