Florianópolis, 26.10.09 – Integrada pelos Estados de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, a empresa pública Ferrosul avulta como um projeto objetivo para a recriação da interligação ferroviária dos estados sulinos. Para Santa Catarina, o projeto tem uma importância estratégica, eis que, além de integrar dezenas de municípios via transporte ferroviário de cargas e passageiros, com a sua ligação à rede da Estrada de Ferro Tereza Cristina, disporemos de uma malha ferroviária interligando os portos do Estado, de São Francisco do Sul a Imbituba, que, com as melhorias que estão recebendo, ganharão em eficiência e competitividade com vistas às exportações. Algumas dezenas de anos depois da equivocada decisão de desativar, progressivamente, no país, o sistema de transporte de cargas e de passageiros pela modalidade das ferrovias e de igual período de lamentação por parte da sociedade em razão dessa decisão, o anúncio de uma retomada do transporte ferroviário merece destaque.
Mas não é só. Outros projetos para ampliar os trilhos em Santa Catarina também começam a decolar. Hoje, a extensão da malha ferroviária catarinense é de 1.354 quilômetros. Há que multiplicá-la e estendê-la a todas as regiões do Estado. São investimentos de vulto em obras de prolongada execução. Há urgência em iniciá-las. O Brasil ressente-se de uma logística de transportes que una agilidade, eficiência e preços competitivos. Todas essas condições são atendidas pelo transporte ferroviário, como há mais de um século ocorre nos países mais desenvolvidos do planeta. Neste sentido, se a oportunidade aberta pela Ferrosul tiver a possibilidade de suprir, total ou parcialmente, as carências do Sul do país nessa área, o projeto merece prioridade.
É desnecessário mencionar a importância desse conjunto de perspectivas. Trata-se do retorno de uma modalidade rápida e barata para o escoamento da produção para suprir os mercados nacional e externo e para as demais funções do transporte intermunicipal e interestadual, inclusive de passageiros. A Ferrosul se conectará com a Ferrovia Norte-Sul. É importante que esse projeto, com potencial de revolucionar a infraestrutura e a logística da região, seja implementado para corrigir o histórico equívoco cometido a partir da segunda metade do século 20, quando a malha ferroviária acabou preterida em favor de um rodoviarismo que se mostrou lento e caro. O objetivo é aproximar o país do padrão dos Estados Unidos, onde as ferrovias movimentam 43% das cargas e as rodovias ficam com 32%. No Brasil, este índice é de 25%e 58%, respectivamente. Isto diz muito. Fonte: Editorial Diário Catarinense
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