Só 7% da promessa virá este ano para SC

Só 7% da promessa virá este ano para SC

Florianópolis, 14.4.10 – A segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), do governo federal, anunciada recentemente, trouxe esperança para os catarinenses que há décadas reivindicam investimentos nas desgastadas e esgotadas rodovias que cortam Santa Catarina. Mas o que foi anunciado com pompa deve se transformar em frustração. As obras podem até acontecer, mas vão demorar.
Isto porque dos R$ 369,6 milhões que serão investidos nas cinco rodovias de SC listadas no programa, apenas R$ 26,2 milhões – cerca de 7% – estão previstos no orçamento deste ano da União. A verba vai atender apenas três projetos, em parte. Os outros vão ter que esperar.
A maior parcela foi destinada à duplicação da BR-480, na Travessia de Chapecó, que conta com R$ 16,4 milhões, dos R$ 80 milhões totais da obra. O segundo maior volume de recursos, R$ 6,5 milhões, vai para a adequação da BR-163, em São Miguel do Oeste. Mais é pouco perto dos R$ 97 milhões orçados.
Outros R$ 3,3 milhões estão garantidos para o projeto de pavimentação da BR-285, na divisa com o RS até Timbé do Sul. O valor é pouco mais de 10% do total.
Há projetos em situação bem pior, que sequer estão previstos no Orçamento de 2010. É o caso da Travessia de Lages, outra demanda histórica nas rodovias catarinenses, orçada em R$ 62 milhões, e que no máximo, pode começar no fim do ano.
Uma das obras mais esperadas pelos moradores da Grande Florianópolis – a duplicação da Via Expressa, que liga a Ilha à BR-101 – não tem sequer um centavo reservado no orçamento deste ano do governo federal. Com custo estimado em R$ 100 milhões, a obra só deve ter início em junho de 2012. O diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, Hideraldo Caron, diz que a ausência de um projeto executivo impediu a reserva de recursos ainda em 2010.
O caminho para se chegar a essas condições é longo. A licitação para a escolha da empresa que irá conceber o projeto só terá fim em maio. Os vencedores terão cerca de nove meses para elaborar o traçado. Em seguida, o projeto precisa ser aprovado pelo Dnit e pelo Ibama.
– Normalmente, o Ibama pede estudos de um ano, pesquisando fauna e flora nas quatro estações. Por isso a duplicação está prevista para 2012 – diz Caron.
O fato de não haver recursos no orçamento não preocupa o diretor do Dnit, que garante: estudos e projetos serão pagos com verba do próprio departamento.
A professora Lenise Grando Goldner, do departamento de Engenharia Civil da UFSC e doutora em Engenharia dos Transportes, acha o investimento na Via Expressa coerente. Mas defende um estudo de tráfego para projetar a obra considerando a demanda crescente de veículos. Ela também sugere uma faixa exclusiva para ônibus, já que a via recebe intenso fluxo de transporte intermunicipal e interestadual.
– É claro que essa obra não vai resolver tudo, porque temos o problema das pontes que já estão saturadas. Precisamos de outros acessos, mas o metrô de superfície, o túnel e outra ponte são projetos que estão longe de acontecer.

O fim do tormento para os lageanos

A segunda etapa do PAC prevê uma importante obra para a Serra. As construções das vias laterais, viadutos e passarelas na BR-282, no perímetro urbano de Lages, são antigas necessidades que devem virar realidade em menos de três anos. As obras podem começar ainda no final deste ano e custarão R$ 62 milhões.
O projeto foi elaborado pela prefeitura de Lages e cedido ao Dnit, que fez algumas adequações. A intenção é desafogar o trânsito na BR-282 – que recebe cinco mil veículos por dia, chegando a dobrar no verão e feriados –, distribuir o tráfego local, facilitar o acesso dos moradores às suas casas e garantir segurança às centenas de pedestres que cruzam a rodovia.
O projeto prevê a construção das vias laterais, nas duas marginais, entre o Aeroporto Federal, no km 215, e a rótula do Bairro São Paulo, no km 221.
Prevê também a construção de três viadutos, todos com passagens para pedestres, no Rio Ponte Grande (perto da Klabin Papéis), no km 217,6; um no cruzamento com a Avenida Luiz de Camões (Hospital Infantil Seara do Bem), no km 218,3; e outro no entroncamento com a Avenida Duque de Caxias, no km 218,9.
Também estão incluídas três passarelas para pedestres, uma no Bairro Vila Mariza, na altura do km 216; uma entre os bairros Gethal e Santa Maria, próxima ao cruzamento com a Rua Campos Sales, no km 217,8; e outra no acesso ao Bairro Frei Rogério, no km 219,2.
Com exceção de um único ponto onde há uma pequena ocupação por parte de uma empresa e cuja negociação já está na Justiça Federal, todas as outras áreas a serem utilizadas para as obras já são de propriedade do Dnit, o que facilitará os trabalhos pelo fato de não haver desapropriações e indenizações.
O supervisor do Dnit em Lages, engenheiro Enio Spieker, destaca que os trabalhos serão muito importantes para acabar com as longas filas na BR-282, especialmente no semáforo com a Avenida Luiz de Camões.
O equipamento será retirado com a construção do viaduto, já que o trânsito local será pelas vias laterais, e não mais pela rodovia.

Região Oeste pede urgência

A duplicação da BR-480 no trecho que liga Chapecó à BR-282, também conhecido como acesso Plínio Arlindo De Nês, é considerada emergencial e insuficiente. A obra prevê a duplicação de 7,6 quilômetros, a construção de duas vias laterais, três passarelas e um elevado. Para o prefeito em exercício de Chapecó, José Cláudio Caramori, a obra é importante para o desenvolvimento do município e para desafogar o tráfego de 20 mil carros por dia.
O motorista Ronaldo Barp, 25 anos, que trabalha numa empresa de transporte, afirma que o alargamento da pista, que aumentou de uma para duas faixas em cada sentido, deixou cada uma delas muito estreita. Ele já sofreu dois acidentes no local, pois os veículos ficam muito próximos nas ultrapassagens.
Para o motorista, que transporta carnes e derivados de Chapecó para o Centro do país, a duplicação é emergencial. Mas não basta. Ele defende a construção de um contorno viário para desviar o trânsito pesado do centro de Chapecó.
A Prefeitura iniciou a obra de um contorno viário ligando o acesso ao aeroporto com a Avenida Leopoldo Sander. Barp considera importante construir o contorno viário leste, num trecho de 25 a 30 quilômetros, que ligaria a SC-480 à BR-282. Este projeto tem mais de 20 anos. Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (Acic), João Carlos Stakonski, a duplicação também é insuficiente.
– É uma obra de extrema importância, mas que resolve o problema apenas num trecho de sete quilômetros – afirma.
Para o presidente da Acic, a região precisa de mais trechos em terceira faixa na BR-282 e na BR-153. A construção de uma ferrovia ajudaria a aliviar o transporte de cargas na região.
Para o Oeste, está previsto ainda investimento de R$ 97 milhões em melhorias da estrutura da BR-163, num trecho de 64,7 quilômetros entre São Miguel do Oeste e Dionísio Cerqueira. O presidente da Associação Comercial e Industrial da cidade, Airto Moss, conta que há necessidade de implantação de terceira faixa em vários pontos, para desafogar o fluxo.
– Há muito movimento e devido à pista simples, ocorreram vários acidentes.
Ele afirmou que a rodovia é fundamental para a região, pois liga os três estados do Sul entre si e com a Argentina.
– Para solucionar o problema do transporte, é a obra mais importante – disse.

Chão batido chegará ao fim no Sul

Quem viaja do Rio Grande do Sul para Santa Catarina pela BR-285, quando chega no meio do caminho é surpreendido pela estrada de chão batido, após viajar no trecho de asfalto no lado gaúcho.
A pavimentação da rodovia que corta a Serra da Rocinha depende de análise do impacto ambiental. As licenças serão concedidas em três meses. Para chegar a Timbé do Sul em trecho asfaltado, só a partir do ano que vem.
Conforme o secretário regional de Araranguá, Heriberto Schmidt, há mais de 30 anos discute-se a construção da rodovia. O motivo de tantos entraves sempre foi falta de força política, segundo ele.
A previsão do Dnit é de que o edital de licitação para a escolha da empreiteira seja lançado no segundo semestre deste ano. O projeto técnico está pronto, e o de impacto ambiental, sob análise do Ibama, com aprovação até maio. Dos R$ 30,6 milhões, custo total da obra no trecho catarinense, cerca de R$ 3,3 milhões serão liberados este ano para os projetos iniciais. Dos 20,4 quilômetros de rodovia a serem construídos, um trecho será alargado e restaurado e outro será novo.  Fonte: Diário Catarinense.

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