Uma tecnologia para rastrear mercadorias e agilizar o transporte no País

Uma tecnologia para rastrear mercadorias e agilizar o transporte no País

Salvador, 22.12.09 – O projeto de implantar microchips em todos os produtos nacionais poderá desburocratizar trâmites em postos de fiscalização. Um projeto-piloto com planos ambiciosos de identificar, rastrear e autenticar mercadorias em todo o território nacional. O Brasil-ID, lançado esta semana em Salvador, contou com o apoio do Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT), a Receita Federal e as secretarias estaduais de Fazenda.
A ideia criada pelo Centro de Pesquisas Avançadas Wernher von Braun, uma empresa privada sem fins lucrativos, visa implementar microchips em todos os produtos em circulação no país e, por meio de rádio-frequência, fornecer informações sobre a mercadoria para qualquer empresa ou consumidor interessados.
“Esse dispositivo eletrônico daria uma segurança do transporte de mercadorias diminuindo também o custo final no mercado”, explica Dario Thober, diretor da von Braun.
De acordo com ele, o custo adicional do produto para gerenciar o risco de logística, atualmente, gira em torno de 5 a 15%. Com o microchip também seria bem mais difícil clonar o produto.
O coordenador-geral do Encontro Nacional dos Administradores Tributários (ENCAT), Eudaldo Almeida de Jesus, vê outros benefícios com a implantação do projeto.
“Além de termos um ganho de escala muito grande com um menor tempo de parada nos postos de fiscalização, nós também seremos capazes de combater a sonegação dos impostos, já que essas informações estarão todas armazenadas no microchip.”

Avanço tecnológico

A tecnologia que deverá ser usada para o projeto, o Brasil tem quase toda. O design do microchip – cujo custo representa 70% do total do produto – já é desenvolvido nacionalmente.
“A tecnologia do design já está dominada. O que vamos fazer é reunir num projeto único várias dessas design “houses” que estão espalhadas em universidades do país para ganharmos escala de mercado.
Precisaremos criptografar a tecnologia, para evitar o mau uso dessas informações ou automatizar o roubo e o furto, e também teremos que expandir a memória do microchip”, explica Thober.
A produção, em si, do microchip ainda não é feita aqui. Segundo o MCT, com a nova fábrica de semi-condutores e microprocessadores que começará a operar, no ano que vem, no Rio Grande do Sul (a Ceitec) será possível produzi-los em território nacional.
Inicialmente, a intenção do projeto Brasil-ID é enviar o design para empresas no exterior – muito provavelmente Taiwan, que é uma dos maiores produtores de microchip – e trazê-los de volta ao Brasil até que a Ceitec seja capaz de absorver a maior parte da demanda de mercado interno.
Thober acredita que em três anos a Ceitec conseguirá produzir todos os microchips necessários para o projeto Brasil- ID. “O país quer dominar a tecnologia em microeletrônica.
Tivemos a chance de fazer isso há 25 anos, mas por uma série de razões perdemos a oportunidade e isso se dissipou. Agora é o novo momento”. Fonte: Valor Econômico

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