Florianópolis, 26.11.12 – O sinal vermelho está aceso ao longo de toda a cadeia produtiva da agroindústria de Santa Catarina, que garante emprego e renda para mais de 100 mil pessoas. O abastecimento de milho, insumo básico para a avicultura e a suinocultura, atividades que são a base da agroindústria estadual, chegou a um limite de sobrevivência. Algumas empresas do setor já estão suspendendo suas atividades e dispensando funcionários. Após a quebra da safra do cereal em função do clima adverso nas principais regiões produtoras, incluindo os Estados Unidos, o preço da saca de 60 quilos do cereal disparou. No último dia 20, a cotação já alcançava R$ 28. Santa Catarina produz apenas 2 milhões de toneladas de milho, e precisa importar mais 1 milhão para suprir a demanda.
O problema não diz respeito apenas ao preço do insumo. É também de logística deficiente, que dificulta o transporte de grãos do Centro-Oeste, principal região produtora do país, para o Oeste e o Sul do Estado, os maiores polos da atividade em Santa Catarina. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, em setembro, quando começou o desabastecimento, o estoque de milho chegava a 2 milhões de toneladas.
Em decorrência de uma reunião entre lideranças empresariais e representantes do Ministério da Agricultura, realizada há dois meses, na sede da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), em Florianópolis, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) recebeu a missão de operar a transferência deste estoque em socorro aos produtores catarinenses. Até agora…
Repita-se: a situação chegou a um limite. E a falta de socorro do governo federal _ incluindo o prometido, mas não efetivado, subsídio emergencial aos produtores, está causando prejuízos irrecuperáveis a um setor que está entre os maiores responsáveis pelas exportações de Santa Catarina. O secretário estadual da Agricultura, João Rodrigues, sublinhando a urgência e importância de medidas oficiais _ pois a iniciativa privada está fazendo sua parte _ de amparo ao setor, com muita oportunidade, chamou a atenção para o fato de o Estado, ao mesmo tempo em que conquista novos mercados no exterior, vê sua agroindústria enfrentar grave crise.
O problema também motiva um olhar mais amplo. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), em nome de mais de 1 bilhão de seres humanos subnutridos e famintos existentes hoje no Planeta, adverte que, nos próximos anos, o desafio crescente da mudança climática pode reduzir em até 21% a produção de alimentos no conjunto dos países em desenvolvimento. O Brasil alinha-se entre os maiores produtores do mundo. E ao poder público, ao invés de deixar à própria sorte a nossa agroindústria em crise, cabe protegê-la e estimulá-la.
Fonte: Editorial DC