Uma espiga de milho datada de 6.000 a.C. foi encontrada no Vale Teuhacan, no México. Achados arqueológicos no Iraque indicam que o trigo já era plantado na região por volta de 4.000 a.C.. O arroz e a soja também são lavouras conduzidas há milênios, na Ásia. Esses quatro grãos até hoje ocupam a maior área de terra cultivada no mundo e têm sido a base da alimentação da humanidade. Mas dos quatro, o milho é o mais importante, não só pela quantidade da produção, mas pelo valor nutritivo e por ser matéria-prima para mais de 200 itens industriais, incluído o etanol.
O milho é originário do continente americano e dele há cerca de 250 tipos identificados. É plantado do Canadá ao Chile, adaptado a variados climas, altitudes e níveis pluviais. É, possivelmente, o vegetal mais estudado do mundo. Tem cerca de 100 mil genes, dos quais quatro ou cinco vêm sendo trabalhados para a obtenção de plantas resistentes a doenças e pragas.
O grão de milho é rico em vitaminas, sais minerais, aminoácidos essenciais e tem alto teor de carboidratos e grande poder energético. É o cereal de maior capacidade para produção de matéria seca, virtude que o recomenda para a rotação de culturas, no plantio direto.
Em Santa Catarina, há cerca de 106 mil produtores de milho para uma safra aproximada de 4 milhões de toneladas. O agronegócio de SC, principalmente o relacionado à produção de suínos e aves, importa cerca de meio milhão de toneladas para suprir a demanda interna do cereal. É um déficit que pode ser suprimido com o aproveitamento de áreas subutilizadas do Norte e Noroeste do Estado, acrescidos da adoção de técnicas avançadas de cultivo que podem elevar a produtividade média estadual de 6 toneladas por hectare para mais de 8 toneladas/hectare. Fora disso, o agronegócio catarinense, com base na criação da ave e do suíno, está ameaçado de perder a competição com outros estados.
Glauco Olinger é Engenheiro Agrônomo criador da extensão rural de Santa Catarina e morador de Florianópolis