Chapecó, 20.9.12 – De acordo com o coordenador de feiras e eventos da Associação Comercial e Industrial de Chapecó, Vincenzo Mastrogiacomo, as empresas precisam se adaptar às exigências do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No final de agosto, foi firmado um acordo entre o governo e as indústrias para reduzir o sódio em temperos, caldos, margarinas e cereais.
O brasileiro consome, em média, 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de cinco gramas. Somados os três convênios já firmados, a previsão é de que até 2020, estejam fora das prateleiras 20 mil toneladas de sódio.
A redução começa a valer a partir de 2014 e deve virar lei, abrangendo também outros produtos, como derivados de carne. Por isso, as indústrias alimentícias estão trabalhando para adequar seus produtos.
A Bremil, de Arroio do Meio (RS), está apresentando na Mercoagro o subsal, um produto desenvolvido para substituir o sal dos alimentos. De acordo com o gerente Juliano Dalanora, o novo produto pode reduzir em pelo menos 50% o volume de sal em embutidos e outros derivados de carne. O subsal é uma proteína hidrolisada de soja que promete não alterar o sabor dos produtos.
A Aurora Alimentos já vem desenvolvendo há dois anos alternativas para substituir o cloreto de sódio. De acordo com a gerente de pesquisa, Rodicler Bortoluzzi, entre as opções pesquisadas está o uso de especiarias, ervas aromáticas ou outros condimentos. Ela afirma que há uma preocupação com a saúde, mas também com a adaptação do paladar dos brasileiros aos novos produtos.
Alternativas para a alta do milho
Enquanto empresas acompanhavam o lançamento de novos produtos para a agroindústria na Mercoagro, representantes de entidades do setor estavam em Brasília negociando alternativas para a falta de milho no mercado catarinense, o que tem elevado o custo da produção no Estado.
Ontem, o governo federal acenou com uma proposta para viabilizar o transporte de milho do Centro-Oeste para SC, em audiência realizada com lideranças do setor agroindustrial. A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura, Caio Rocha, e o diretor da Companhia Nacional de Abastecimento, Marcelo Melo, acordaram com o setor o encaminhamento de um pedido de utilização de créditos de exportação de PIS/Cofins para subsidiar frete para as agroindústrias.
O setor solicitou subsídio de R$ 5 por saca para o frete, o que necessitaria de um aporte de R$ 300 milhões, para o transporte de três milhões de toneladas do Centro-Oeste para Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. As agroindústrias também pediram uma linha de crédito para capital de giro. Os produtores querem o aumento do limite de financiamento para compra de milho, de R$ 70 mil para R$ 140 mil. O secretário adjunto da Agricultura de Santa Catarina, Airton Spies, e os representantes do setor pediram urgência à solicitação.
As agroindústrias catarinenses estão reduzindo o abate e demitindo funcionários pelo efeito da crise do milho, que aumentou muito os custos. A ministra Ideli Salvatti deve apresentar a proposta na segunda-feira para o Ministério da Fazenda.
Na quinta-feira, as propostas devem passar pela reunião do Conselho de Política Monetária (Copom). O presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos, Losivânio de Lorenzi, avalia que a reunião foi positiva.
– Acho que o governo entendeu a gravidade da crise – explica.
Ele espera que as medidas propostas sejam aprovadas pelo governo e aplicadas imediatamente.
Investimento mira o Japão
A comissão organizadora da Mercoagro e os 350 expositores estão otimistas quanto às vendas de equipamentos durante a feira deste ano. Um dos motivos é necessidade de modernização das empresas para atenderem mercados mais exigentes, como o disputado Japão.
– As empresas têm que se modernizar até para reduzir custos – afirma De Luca Filho, da BTS Informa, que promove a feira com a Associação Comercial e Industrial de Chapecó.
O coordenador da feira, Vincenzo Mastrogiacomo, diz que a expectativa é movimentar US$ 160 milhões em negócios fechados ou encaminhados até amanhã, quando encerra o evento. Isso é US$ 10 milhões a mais do que na feira anterior. Ele lembra que, neste ano, a Mercoagro traz novidades como uma máquina que resfria a carne mais rapidamente, evitando a formação de cristais de gelo que alteram a qualidade do produto.
Jorge Correa, representante da Vemag do Brasil, trouxe para Chapecó quase uma dezena de máquinas para fabricação de hambúrgueres, fatiadoras de carne com e sem osso, e linhas de produção de carne moída.
Um dos lançamentos na feira é uma máquina para a produção de almôndegas, kibes e produtos recheados. O preço é de R$ 670 mil. Corrêa afirma que as agroindústrias precisam investir em máquinas de agregação de valor para superar a crise que afeta o setor.
Fonte: Darci Debona/ Diário Catarinense