Alerta da BR-101

Alerta da BR-101

Florianópolis, 24.1.13 – As lições da BR-101 estão presentes e escancaradas demais para serem ignoradas. O angustiante atraso na conclusão do trecho Sul deve servir de alerta para os processos de duplicação das BRs 280 e 470, investimentos fundamentais para as regiões Norte e Vale do Itajaí, com consequentes impactos no restante do Estado. Não é porque foi instituído um cronograma de lançamento das licitações das duas obras, divididas em lotes, que a vigilância sobre o governo federal deve ser menor. Até porque há demandas ainda a serem atendidas dentro das concorrências.
No caso da BR-280, ainda resta licitar o terceiro e último lote. Há dependência de entendimento com a Funai por causa da proximidade com aldeias indígenas no trecho entre Araquari e São Francisco do Sul. Surpreende que uma obra com projeto básico concluído ainda em 2008 não tenha esgotado essa discussão. Também não foi definido como será a passagem pelo canal do Linguado, alvo de controvérsia ambiental. A inclinação é por uma ponte, estimada em R$ 200 milhões, mas não há nem cronograma mínimo.
Nesta semana, a ausência de interessados no lote 4 da BR-470 levou o Dnit a empurrar para fevereiro a sessão de abertura de propostas do trecho entre Blumenau e Indaial. Um mês a mais em uma obra esperada há décadas pode parecer suportável, mas foi de adiamento em adiamento que a segunda pista em um dos corredores mais importantes do Estado foi deixada em segundo plano. E ainda falta o lançamento de mais dois lotes, em princípio encaminhados – a cautela é indispensável devido ao histórico de decepções envolvendo a duplicação da BR-470 (a situação se repete em relação à BR-280).
Embora as concorrências estejam em andamento, o otimismo ainda não é permitido enquanto as máquinas na estiverem na pista. Ainda há um extenso caminho até lá e aguarda-se bônus pelo longo tempo de espera, que as obras comecem com um planejamento capaz de evitar percalços e mais demora. E mesmo quando os trabalhos começarem, a duplicação do trecho Sul da BR-101 mostra que lideranças políticas e empresariais precisam se manter vigilantes.
Fonte: Opinião RBS/ Diário Catarinense

Compartilhe este post