?As ruas devem ser para os pedestres?

?As ruas devem ser para os pedestres?

Florianópolis, 24.9.12 – Urbanista e principal dirigente do escritório de arquitetura Gehl, da Dinamarca.
Enquanto viadutos, anéis viários e avenidas se multiplicam nas grandes cidades, qualidade de vida e sustentabilidade parecem vias distantes de se acessar. Mas a urbanista Helle Soholt comprova que é possível promover bem-estar por meio do design urbano e planejamento estratégico.
Principal dirigente do escritório de arquitetura Gehl – que realiza consultoria por todo o mundo –, a dinamarquesa propõe cidades mais humanas, levando em conta o incentivo ao uso de meios de transporte sustentáveis e respeitando as culturas locais.
Em entrevista ao Diário Catarinense, por telefone e por e-mail, ela detalhou essas propostas. Na primeira viagem que faz ao Brasil, Helle Soholt estará em Palhoça hoje, onde fará uma palestra. Para participar do encontro, às 11h, na Cidade Sustentável Pedra Branca, é preciso confirmar presença pelo telefone (48) 3086-9700 ou pelo e-mail contato@cidadepedrabranca.com.br.

Diário Catarinense – Como seria a cidade ideal para você?
Helle Soholt – Teria espaços públicos, com as pessoas vendo as ruas como a sala de estar delas. Haveria estrutura para escolherem qual a modalidade de transporte desejariam. Deveria ser desenhada com áreas verdes, para que as pessoas sejam bem-vindas e queiram realizar mais atividades nas ruas. Essa cidade também seria segura à noite.

DC – Você acha que seria possível aplicar esses ideais no Brasil?
Helle – É possível aplicar isso em qualquer parte, tudo é uma questão de prioridades. No Brasil, nos últimos 20 anos, houve um crescimento no tráfego de carros, sem se desenvolver muitos espaços para se caminhar.

DC – E em Florianópolis, que tem a maior parte em uma ilha?
Helle – Na Europa, as ruas são bem estreitas e é possível fazer um trabalho combinando as diversas opções de transportes e proibindo o acesso de carros. A essência é tornar os espaços com um uso melhor.

DC – Algumas medidas que você propõe não são muito aceitáveis pelas pessoas que usam carros.
Helle – Não é um direito humano dirigir um carro, mas deveria ser um direito humano viver e caminhar como um homem livre. Algumas ruas deveriam ser apenas para pedestres, quando isso fizer sentido. Ruas com vizinhanças próximas deveriam ter o tráfico reduzido e ruas maiores deveriam ter infraestrutura para pedestres e ciclistas.

DC – Como fazer para que essas medidas sejam mais aceitáveis?
Helle – É preciso que haja o investimento em pesquisa para saber quais são as necessidades das pessoas. Quando elas percebem que há estrutura para que possam andar de bicicleta, por exemplo, elas vão pedalando para o trabalho até no inverno.
Fonte: Gabrielle Bittelbrun/ Diário Catarinense

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