Florianópolis, 14.1.13 – Na região central do Rio Grande do Sul, há mais de duas décadas um dilema assola usuários da BR-386. Campeã de mortes em acidentes no estado vizinho, a rodovia de mais de 445 quilômetros tem trechos por onde trafegam 30 mil veículos por dia, em grande parte caminhões que escoam a produção de grãos. Perfil similar ao da BR-470 em Santa Catarina.
Com mais de 35 mil veículos por dia – número cresceu 30% somente nos últimos dois anos –, a rodovia catarinense também é povoada por caminhões que transportam a produção agropecuária do Oeste ao Porto de Itajaí. Em 12 anos, registra quase 1,4 mil mortes.
As duas rodovias têm outra coisa em comum: a empresa responsável pelas obras de duplicação, o consórcio formado por Momento, Conpasul e Iccila. Enquanto a estrada gaúcha está com seus 33,8 quilômetros em obras desde novembro de 2010, o trecho de 12,9 quilômetros entre Gaspar e Blumenau tem previsão para começar a receber a duplicação a partir de março.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) pretende assinar o contrato e a ordem de serviço para duplicação de 12,9 quilômetros da BR-470, entreGaspar e Blumenau, até o final do mês que vem. As obras devem começar em março, assim como as desapropriações. O prazo é de 38 meses para a conclusão. A expectativa do Dnit é ter no trecho catarinense a mesma performance obtida com o consórcio de empresas na BR-386.
– Imprevistos sempre têm em obras. Em cada trecho há variáveis. O problema do lote que será duplicado em Blumenau é que é o mais urbano da rodovia. Nesse trecho predominam muitos viadutos e pontes – explica o superintendente do Dnit em Rio do Sul, Elifas Marques.
Engenheiro civil, Marques é experiente em obras rodoviárias. Trabalhou nas BRs 262 e 163 no Mato Grosso do Sul e participou do processo de duplicação da BR-262, que vai de Vitória (ES) até a Bolívia. Essa rodovia tem trechos parecidos com os da BR-470 – áreas urbanas e terrenos pantanosos com o tipo de solo que será enfrentado também em Ilhota, o mais instável da rodovia.
Engenheiro do Dnit do Rio Grande do Sul, Hiratan Pinheiro da Silva garante que o consórcio Momento-Conpasul-Iccila, que executará a duplicação no Vale do Itajaí é experiente.
– As empresas sempre foram bem mobilizadas e cumpriram os prazos.
73,4 quilômetros da rodovia devem ser licitados até março
A duplicação da rodovia do estado vizinho é um pouco diferente e pode limitar as comparações com a BR-470. Lá, o trecho é plano e exigiu a implantação de poucas pontes e viadutos. Aqui, nos 73,4 quilômetros entre Navegantes e Indaial, estão previstos oito pontes, 26 viadutos e 69 quilômetros de calçadas e ciclovias.
O consórcio Momento–Conpasul–Iccila duplicará o lote entre Gaspar e Blumenau. A definição da empresa que fará o lote 4 (Blumenau e Indaial) será dia 21 e o edital de licitação para o lote 1(Navegantes ao acesso a Luís Alves) deve ser lançado no fim do mês. O lote (Luís Alves e Gaspar) – será lançado em março.
Empresas têm problemas no histórico
Apesar do bom desempenho do Consórcio Momento–Conpasul–Iccila na duplicação da BR-386, as empresas também receberam contestações do Tribunal de Contas da União (TCU).
Na rodovia gaúcha, houve apontamento de indícios de superfaturamento superior a R$ 13,6 milhões, referentes aos serviços de terraplanagem e proteção da rodovia. A empresa líder do consórcio que duplicará o trecho da BR-470 entre Gaspar e Blumenau, a Momento Engenharia, de Curitiba, tem filial em Blumenau e foi a responsável pela execução da Via Expressa, entre as décadas de 1990 e 2000. A obra foi paralisada pelo menos quatro vezes por falta de recursos.
TCU questionou preços cobrados pela Momento
Num dos casos, em meados dos anos 2000, o valor foi retido porque o TCU questionou os preços cobrados pela empresa e pagos pela prefeitura. A Momento também compõe consórcios que duplicam os lotes 22 e 35 do trecho Sul da BR-101, em Palhoça e em Sangão. No primeiro trecho, o consórcio foi o terceiro a assumir a obra, depois que duas empresas licitadas desistiram.
A BR-101 foi um problema histórico que o Dnit garante que não vai se repetir na BR-470. Com projeto desenvolvido em 1998, foi executado a partir de 2006, já defasado.
Fonte: Cristian Weiss/ Diário Catarinense (edição de ontem – 13/01/2013)