Florianópolis, 16.8.12 – O primeiro registro enfático a fazer sobre o pacote de concessões de novas rodovias e ferrovias, lançado no Palácio do Planalto, vem sob a forma de aplausos gerais pelo pragmatismo da presidente Dilma Rousseff e pela coragem de enfrentar um dos dogmas do PT durante décadas.
Este é, definitivamente, o caminho. A prioridade dos governos tem que ficar centrada em educação, saúde e segurança pública. Canalizar todos os recursos disponíveis para estas três áreas, e exercendo rigorosa fiscalização nos serviços concedidos, o que, aliás, não vem ocorrendo com a telefonia.
Em relação a Santa Catarina, faltam informações para avaliação mais criteriosa. Esta é, inclusive, a posição de cautela adotada pela Fiesc, impedida de análise mais profunda por falta de dados sobre os benefícios que o Estado terá com a nova política.
Há, numa avaliação preliminar, mais frustrações do que motivos para celebrações. A boa notícia fica por conta da revitalização da estrada de ferro Mafra–Rio Grande (RS). O problema, contudo, está no trecho entre Mafra e São Francisco do Sul, destino final dos produtos exportados e porto para recebimento de importados. Tido como um dos portos naturais mais seguros do litoral, São Francisco poderá ser beneficiado com o pacote. Pelo que foi anunciado, está prevista uma ferrovia entre Maracajá, Mato Grosso do Sul, e Mafra, Planalto Norte de Santa Catarina. Objetivo claro: viabilizar a exportação de grãos pelo Porto de São Francisco. E, outra vez a dúvida sobre o trecho entre Mafra e os portos de São Francisco e o moderno Itapoá, com potencial extraordinário de movimentação de grãos e contêineres.
DESINTEGRAÇÃO
A ministra Ideli Salvatti comemorou o pacote, por incluir dois trechos ferroviários. Acontece que nenhum deles atende às principais urgências do setor produtivo de Santa Catarina. Os governantes estão cansados de saber que a economia catarinense depende da Ferrovia do Oeste, ligando o Centro-Oeste do Brasil à região de Chapecó, para garantir insumos de grãos a toda a produção de carnes e a sobrevivência do agronegócio; e a chamada Ferrovia do Frango, ligando o Oeste ao Litoral, projeto lançado há mais de 25 anos e que até hoje não saiu do papel. As duas ferrovias anunciadas, ao contrário, desintegram a economia estadual.
A ministra alega que a Ferrovia Litorânea e a Ferrovia do Frango estão previstas no PAC. Ocorre que, segundo o Dnit, o projeto da litorânea só ficará pronto no final de 2013. Quer dizer: no ritmo de Brasília, uma obra para ser entregue daqui a 20 anos.
E sobre rodovias? Santa Catarina não tem uma única estrada no pacote. Ora, se é investimento privado em concorrência internacional, por que não incluir a duplicação da estranguladíssima BR-282 na região Oeste?
Cartas para a ministra Ideli Salvatti.
Fonte: Moacir Pereira/DC