Florianópolis, 26.7.12 – Aumento de até 30% no custo do transporte, que no final das contas deve ser repassado ao consumidor, e dificuldades no abastecimento de produtos perecíveis para grandes mercados consumidores, como o de São Paulo. Esses são os impactos das mudanças regulatórias no setor de fretes, na previsão de Marcos Antônio Zordan, presidente da Cooperitaipu, de Pinhalzinho, diretor de Agropecuária da Aurora e presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina. Segundo ele, mapeados os prejuízos com a implantação da nova jornada para motoristas profissionais, o setor do agronegócio já desencadeia um movimento para que seja prorrogado o prazo de vigência da Lei 12.619 e feita diferenciação para o transporte de cargas especiais, como de suínos vivos ou de leite, que não podem ficar paradas por 11 horas e nem mesmo as cinco horas exigidas quando conduzidas por dois motoristas.
Carga pesada
Ou a Cooperativa Central Aurora diminui em 26% os abates de suínos e aves ou aumenta em 40% seu efetivo de transporte para manter o suprimento de grãos em Santa Catarina. O dilema em que a nova regulação do transporte colocou um dos maiores conglomerados industriais do País, não deve ser diferente para as demais agroindústrias catarinenses, aposta Marcos Antônio Zordan. Pior é que, segundo ele, mesmo que tentasse dobrar o número de motoristas nas viagens de longo curso – do Mato Grosso, por exemplo, de onde vem a maior parte das 3 milhões de toneladas de milho por importadas por ano no Estado – não haveria mão de obra disponível no mercado.
Sem greve
A greve dos caminhoneiros no Dia de São Cristóvão não vingou em Santa Catarina por decisão em assembleia do Sindicam-SC, com sede em Lages. O protesto é liderado pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro, que reúne profissionais autônomos, contra as mudanças na jornada de trabalho e no Cartão-Frete.
Prazo
As novas regras para motoristas profissionais entram em vigor nesta sexta-feira para os quesitos relacionados ao código de trânsito. Aqueles relacionados à CLT só em setembro.
Cultura de raiva
Ontem era dia do colono e do motorista. A mesma cultura de raiva que exacerbou as reações em torno do Código Florestal, agora afeta o setor de transportes. O produtor rural responsabilizado pelos danos ambientais, o caminhoneiro pela insegurança nas estradas. Numa agenda social que deixa de lado o esforço para produzir e colocar à mesa o alimento.
Impacto
Nos dois últimos meses, o óleo diesel teve aumento de 12 a 15 centavos por litro. Como corresponde a 50% do custo do frete, vai aí um impacto de 4% no transporte das mercadorias, calcula Marcos Zordan.
Adaptação
O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, tem se movimentado para que transportador e embarcador possam adequar suas rotinas às normas da Lei 12.619 que regulamenta a profissão de motorista. Segundo ele, não deverá haver prorrogação de prazos para a entrada em vigor e nem mudanças, porque a lei é resultado de mais de três anos de debate entre empregados, empregadores e Ministério Público do Trabalho. Alterações teriam de passar novamente pelo Congresso Nacional. A única revisão que deverá ser discutida é para o transporte internacional. Lopes indica que cargas que exijam entregas em prazo determinado e longas distâncias precisam de dois motoristas e, de fato, isso vai aumentar custos no transporte que deverão ser repassados ao consumidor.
Fonte: Adriana Baldissarelli/Panorama/Notícias do Dia