Florianópolis, 13.12.12 – Se progresso pudesse ser medido com asfalto, as respostas para o abismo econômico que se criou entre as regiões Norte e Sul de Santa Catarina estariam explicadas.
Com o estudo divulgado ontem com exclusividade pelo DC, que aponta perdas de R$ 32,7 bilhões a 44 municípios do Sul, em função do atraso nas obras de duplicação da BR-101, vem à tona o que já se sabia, mas ainda não havia sido colocado na ponta do lápis: a região Norte, que tem o acesso duplicado há 10 anos, é 31,6% mais desenvolvida.
As diferenças entre as duas regiões que têm como principal acesso a mesma rodovia foram usadas pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) para evidenciar os problemas que se acumulam com o atraso da entrega das obras no Sul. Era para estar pronta há três anos, mas ainda pode se arrastar até 2017.
De acordo com o coordenador do estudo desenvolvido pela Unisul, Valter Schmitz Neto, o entrave da rodovia tem como consequências a perda de competitividade, que se reflete na geração de emprego.
– A cada dia que passa, uma empresa nega um pedido, porque não vai conseguir ultrapassar a barreira da BR-101 – diz o pesquisador, alertando que para chegar aos quase R$ 33 bilhões de perdas foram consideradas apenas a variação do Produto Interno Bruto (PIB) em relação aos investimentos feitos em obras de duplicação, e que no cálculo dos prejuízos não está contabilizado o pior deles, as vidas perdidas em acidentes na rodovia.
Com os números em mãos, a Fiesc promete pressionar. De acordo com o presidente da entidade, Glauco José Côrte, os documentos que evidenciam as perdas serão encaminhadas aos governos federal e estadual. Ele vai cobrar medidas que compensem os prejuízos.
– Se deixou de criar volume de riquezas que dariam outro sentido à região Sul. Não podemos esperar de braços cruzados pelos prejuízos que ainda podem surgir até a obra ser concluída – observa Côrte.
Fonte: Joice Baclo/ Diário Catarinense
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