Efeito BMW, o que pode vir além da fábrica

Efeito BMW, o que pode vir além da fábrica

Florianópolis, 22.10.12 – O anúncio da vinda da BMW para SC é a ponta de um iceberg de outras grandes indústrias para o Norte do Estado. A oferta de empregos para Araquari, principal aposta para receber o investimento, deve chegar a 5 mil postos em até dois anos, com possibilidade de reentrada no mercado para parte dos profissionais do setor automotivo que estão desempregados.
Na cidade de 25 mil habitantes, a sexta-feira foi de comemoração pela notícia e de projeção de como deve ser a Araquari dos próximos anos. O anúncio oficial da nova fábrica será feito na segunda-feira, em Brasília.
– Araquari e as cidades vizinhas devem crescer muito, inclusive com a atração de outras empresas para atender as necessidades que vão surgir com a instalação da BMW – avalia o secretário de Desenvolvimento Econômico de Araquari, Clenilton Carlos Pereira.
No embalo da montadora alemã, a cidade se prepara para receber outros grandes investimentos, de acordo com o secretário, que cita uma indústria chilena de biodiesel.
A vinda de outras empresas deve ocorrer mais facilmente depois que for oficializada a instalação da unidade da montadora alemã, avalia o secretário. Isso porque o rigor da sondagem que a BMW fez pode ser usado como parâmetro para outros investidores internacionais. A análise de Clenilton é compartilhada pelo professor da Escola de Negócios Sustentare, Ricardo Della Santina.
– Tanto Araquari quanto as cidades vizinhas ganham visibilidade mundial ao ter uma empresa como esta, que tem uma boa imagem e valores culturais de qualidade agregados à marca – explica Santina.
O professor pondera quais as possíveis consequências para a economia na cidade: aumento na distribuição de renda da população, que deve crescer 25% por conta do grande número de contratações; um orçamento público (hoje de R$ 50 milhões anuais) até 10% maior; e a oferta maior de empregos, com a chegada de pequenos comércios e serviços.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Mecânica de Joinville e região, Evangelista dos Santos, também está otimista para os próximos anos.
– Ter a BMW aqui beneficia os trabalhadores da região porque amplia a quantidade de vagas para a categoria e ainda possibilita que alguns dos ex-funcionários de empresas como a Busscar possam ter recolocação.

Preparação de mão-de-obra  

A instalação da fábrica da BMW no Norte de SC vai impactar os rumos da pesquisa em tecnologia e a educação profissional no Estado. Tendo em vista a chegada da montadora, o Senai Joinville espera receber cerca de 20% mais alunos em 2013 do que neste ano. A BMW vai influenciar também a UFSC, que deverá criar disciplinas, laboratórios e cursos voltados para as demandas da fábrica.
De acordo com a diretora adjunta do Senai Joinville, Elisa Justina, diretores da BMW estiveram no centro de ensino em junho e em agosto deste ano. A intenção da empresa era sondar a disponibilidade e as possibilidades de qualificação de mão de obra no Estado.
– A decisão positiva da BMW confirma a missão do Senai de promover o ensino técnico para a indústria no Brasil. E, para entrarem na BMW, mesmo os profissionais que já estão no mercado vão precisar de atualização.
A diretora afirma que, pela importância do setor metalmecânico para o Norte de SC, Joinville vai ganhar o Instituto Senai de Tecnologia em Metalmecânica, que terá investimentos privados, do próprio Senai, e do BNDES. Elisa destaca que a presença das fábricas da General Motors da BMW na região fortalecem ainda mais o setor, além de justificarem a criação do instituto. Também, segundo ela, os laboratórios vão testar equipamentos da BMW e pesquisar tecnologias para a fábrica.
Hoje, como conta o coordenador do núcleo de Automação Industrial do Senai Joinville, Fábio Karnopp, o centro de estudo já oferece cursos de qualificação para os futuros funcionários da GM. Estes mesmos cursos, segundo Karnopp, influenciaram a visão positiva dos diretores da BMW sobre a mão de obra local.
O estudante Guilherme Schmoeller, 16 anos, que está se formando no curso de Automação Industrial do Senai Joinville, conta que, assim como muitos de seus colegas, tem o objetivo de trabalhar na fábrica da BMW. Enquanto a contratação não começa, Guilherme vai terminar o ensino médio e engatar um estágio na linha de produção da Embraco. Depois de formado, o estudante espera ganhar, no mínimo, R$ 3,5 mil de salário em sua profissão.
Para Amir Antônio Martins, subchefe do departamento de Engenharia Mecânica da UFSC, a parceria entre BMW e a universidade é inevitável e deverá começar logo depois da instalação da fábrica. A BMW, explica ele, seria uma dessas empresas parceiras, que pelo alto nível tecnológico, balizaria os rumos da universidade. Martins observa que a montadora pode oferecer estágios, formatar disciplinas do currículo, além de cursos de especialização, e até participar da captação de recursos para a criação de laboratórios e financiar projetos.
Fonte: Danilo Duarte e Janaina Cavalli/ Diário Catarinense

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