Florianópolis – São poucas as empresas que efetivamente se preocupam com um trabalhado de esclarecimento e de difusão da informação sobre HIV/AIDS, garantiram, ontem à tarde, os palestrantes no seminário Conversando sobre Aids no local de trabalho, promovido pelo Sest Senat Florianópolis. Participaram também as gerentes do Sest Senat Videira, Clenira Ribeiro Alves e a de Rio Negrinho, Gladis Pereira. O pouco interesse pode ser notado no público presente. Apesar do auditório lotado, poucas organizações enviaram representantes. Muitas delas enviaram os estudantes de 14 a 24 anos, do Jovem Aprendiz.
E por isso, esse grupo, por iniciativa dele e do Sest Senat, no dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à AIDS, fará uma campanha de multiplicação de informações dentro das transportadoras como continuação desse evento, disse a diretora da unidade, Patrícia Ferreira.
Ela lamentou que as empresas não tenham se envolvido nesse trabalho, apesar dos diversos convites enviados e dos contatos feitos. Ela lembra que essas organizações têm uma série de responsabilidade em relação ao funcionário portador do HIV/AIDS como de impedir a discriminação por parte de colegas, de chefes e de proprietários.
Além disso, disse ela, o coordenador do seminário Alfredo Rocha recordou que existe a Recomendação 200 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que define diretrizes de atuação das empresas na prevenção da contaminação e na orientação aos colaboradores sobre essa doença.
A aluna Rafaela Viera, de 15 anos, que integra o Jovem Aprendiz, disse que aprendeu muito sobre prevenção, transmissão, contágio, formas de tratamento, políticas públicas, o combate à discriminação. Ela afirmou que pretende repassar esses dados e o material sobre o tema aos colegas da empresa. O responsável pelo setor de recursos humanos e segurança do trabalho da Transporte Coletivo Insular/Estrela, Luiz Carlos Teixeira, ressaltou que a sua empresa tem feito um trabalho constante sobre o assunto e outras doenças para o público interno. “No programa de integração é repassado a cada funcionário orientações sobre o HIV/AIDS, afirma Teixeira.” E que nos eventos como esse Seminário, tem aproveitado para saber mais sobre a doença e como a empresa pode se inserir nos programas.
O seminário faz parte do programa nacional, deste ano, Sest Senat na Luta contra a AIDS, que tem como foco principal em populações móveis como condutores de veículos de transporte de carga e de passageiros. Foi realizado em 12 unidades. Faltam mais duas para completar o ciclo deste ano.
No encontro em Florianópolis, coordenadora do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids (Gapa) de Florianópolis, Helena Edilha Lima Pires, que fez palestra sobre A prevenção do HIV/Aids no local de trabalho e o combate à discriminação, disse que ainda existe muita discriminação na sociedade e nas empresas e organizações em geral. Ela disse que não existe estatísticas, mas afirmou que é muito difícil fazer a colocação no mercado de trabalho de portadores do HIV/AIDS.
A discriminação de um colega, chefe ou qualquer outra pessoa de uma organização a um portador, a empresa responderá por qualquer ação na justiça, disse o advogado especialista em Direito Processual Civil, Eliel Valésio Karkles. Ele falou no seminário sobre A responsabilidade das empresas e o direito das pessoas.
Para ele, a empresa deve ter multiplicadores internos para que todo o quadro funcional saiba tudo sobre a doença. Essa é a forma de evitar qualquer problema. Outra dica é que o empregado que esteja com o HIV ou AIDS comunique à empresa da situação, porque qualquer atrito, estará ciente. Mas isso, disse Karkles, não evita demissão de um funcionário que acha que por estar contaminado pode não cumprir com suas obrigações.
A médica da família e comunidade da Secretaria da Saúde da capital, Ana Cristina Vidor, que falou sobre quais políticas públicas na prevenção e tratamento do HIV/Aids, existem em Florianópolis e no estado. Afirmou que hoje o estado oferece todo o serviço de atendimento e tratamento para a AIDS com diversos programas para jovens, gestantes, idosos, usuários de drogas, facilitação de distribuição de camisinhas.
Alertou para o pouco uso de preservativos entre jovens e especialmente entre pessoas dos 50 e 60 anos. Vidor afirmou que por ter se tornado nos últimos anos uma doença crônica, muitos não se previnem e se contaminam. E o tratamento é difícil, nem sempre a pessoa se adapta bem ao medicamento. Só não usa preservativo quando há intenção de engravidar, afirmou. O voluntário da Faça, Dariu Fernando, encerrou o evento ao tratar do Programa de Prevenção e Assistência da DST/AIDS no local de trabalho. Fernando defendeu que as empresas precisam ter um núcleo de prevenção e apoio aos portadores atuante com treinamento de funcionários e de multiplicadores. O público aproveitou para tirar dúvidas sobre direitos do trabalhador demitido, transmissão na gravidez, locais para buscar ajuda, se adolescente pode fazer o exame de HIV sem a presença dos pais. A médica disse que sim, está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Apenas se estiver infectado, os pais precisam saber.
Fonte: Imprensa Fetrancesc